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	<title>Você pesquisou por livros - Maria Cecília</title>
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		<title>MANIAC &#8211; Benjamín Labatut: uma reflexão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Cecília]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Jan 2024 13:11:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>MANIAC  Autor Benjamín Labatut Editora Todavia 354 páginas 1. edição, 2023 &#160; Essa não é uma resenha, mas sim uma reflexão sobre o livro MANIAC de Benjamín Labatut. Decidi escrever sobre esse livro em especial porque ele aborda muitos assuntos que para mim, tanto na condição de leitora, quanto na condição de profissional que atua [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://todavialivros.com.br/livros/maniac">MANIAC </a></p>
<p>Autor Benjamín Labatut</p>
<p>Editora Todavia</p>
<p>354 páginas</p>
<p>1. edição, 2023</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Essa não é uma resenha, mas sim uma reflexão sobre o livro MANIAC de Benjamín Labatut. Decidi escrever sobre esse livro em especial porque ele aborda muitos assuntos que para mim, tanto na condição de leitora, quanto na condição de profissional que atua na área de tecnologia, causaram reflexões profundas.</p>
<p>Quando li na Revista Quatro Cinco Um uma notícia que anunciava o lançamento de um novo livro do autor chileno Benjamín Labatut, e que o objeto dessa obra era explorar a vida de John Von Neumann, pensei comigo mesma que obviamente eu iria comprar o livro. Seu livro anterior “<a href="https://todavialivros.com.br/livros/quando-deixamos-de-entender-o-mundo">Quando deixamos de entender o mundo</a>”, publicado em 2020 em espanhol e, posteriormente, em 2021 em português, tece de maneira impecável biografia com ficção, a ponto de você não conseguir diferenciar um do outro. Imaginei que a proposta de MANIAC seria seguir nessa estrutura narrativa, onde fica difícil diferenciar fatos de ficção. O sucesso desse livro foi tão grande, que ele foi traduzido para mais de 22 idiomas até o momento, concorreu como finalista aos prêmios International Booker Prize e ao National Book Award em 2021 e entrou na lista do Barack Obama como um dos melhores livros daquele ano.</p>
<p>Portanto, considerando o imenso sucesso de “Quando deixamos de entender o mundo”, posso afirmar que as minhas expectativas e, muito provavelmente, as de outros leitores também, eram bem altas com MANIAC. E aqui, no início dessa reflexão, eu já gostaria de dizer que MANIAC superou todas elas.</p>
<p>O livro é dividido em 3 partes, as quais não são necessariamente lineares, mas que guardam uma correlação entre si, assim como, são desenvolvidas em uma linha temporal que evolui ao longo de quase 1 século. O mais estranho e genial do livro é como ele consegue correlacionar diferentes pessoas, de diferentes lugares do mundo, em épocas distintas, para falar sobre os mesmos temas como: genialidade, obsessão, loucura e obscuridade. Li muitas resenhas depois que eu terminei de ler, as quais contavam um pouco das histórias retratadas em cada uma das 3 partes. Cheguei à conclusão, que do meu ponto de vista, a experiência da leitura se torna melhor sem saber do que se trata exatamente cada uma dessas divisões do livro. Uma vez que descobrir, com o passar das páginas, as ligações entre elas e perceber como elas se desenvolvem em termos cronológicos é fascinante.</p>
<p>O que posso dizer é que a 1 parte conta a história real – em grande parte – de um físico e matemático que via a mudança de paradigmas na física, ao mesmo tempo, em que via surgir o nazismo na Alemanha. A 2 parte é a que aborda a vida de Von Neumann e, aqui, é importante ressaltar a escolha interessante e muito inteligente que Labatut fez de como contar a história desse personagem. Ele não dá voz ao próprio Von Neumann, ou seja, quem conta a história e as percepções sobre a sua personalidade, descobertas científicas, fatos históricos como Los Alamos, o Projeto Manhattan, o desenvolvimento do MANIAC e vários outros, são as pessoas reais que conviveram com ele.</p>
<p>Obviamente, se tratando de uma obra de ficção – algo que descobri que o autor faz questão de afirmar e que ele não gosta que seja descrita como romance &#8211; é a forma como Labatut imaginou que essas pessoas iriam descrever Von Neumann como ser humano e como cientista. Assim como, ele usou livros como referenciais (eles estão indicados nos agradecimentos) para moldar a narrativa em primeira pessoa, em que cada personagem retratado no livro tem espaço para dizer como enxergava Von Neumann. O que é brilhante, porque são muitas vozes e, é possível discernir com clareza a mudança do tom em algumas e, em outras, se torna um pouco mais difícil. Mas por outro lado, isso proporciona uma ampliação do campo de observação do leitor, já que este consegue através de muitos olhos e, os do próprio escritor, tentar entender quem John Von Neumann foi.</p>
<p>Eu fiquei me perguntando ao longo da leitura “Por quê ele fez essa escolha?” “Como ele selecionou as pessoas? Considerando que Von Neumann conviveu com muitas figuras geniais ao longo do século XX”. Assim, depois de terminar o livro, eu fui atrás das entrevistas de lançamento do MANIAC em que Labatut fala sobre o livro, e ele comenta porquê ele fez essa escolha. Ele disse que os deuses e os monstros são melhores quando são mudos. Essa resposta sintetiza a impressão que eu tive ao ler o livro, que na verdade, não está se falando apenas do gênio brilhante, ou, provavelmente, do maior matemático do século XX, está se falando na verdade de um protagonista-antagonista. E, pra mim, esse é o ponto central da obra.</p>
<p>As pessoas no geral tiveram algum grau contato com as descobertas científicas que Von Neumann fez junto com outros pesquisadores, isso porque elas reverberam até hoje, como a teoria dos jogos, o desenvolvimento da ciência da computação, etc. A lista de publicações científicas dele é imensa e extremamente relevante. E, por isso, nós (eu me incluo nisso) tendemos a achar que uma pessoa notável em termos de conhecimento científico, é também uma pessoa notável em termos de caráter e, aqui, mora o engano. O leitor é levado a conhecer Von Neumann desde a infância até o fim da sua vida e é, especialmente, no início desse vislumbre que somos levados a ficar fascinados com a inteligência dele. Até percebermos que não estamos lendo a jornada do Herói, mas a jornada de vida de uma pessoa real, com muitas qualidades e com muitos defeitos – ou sombras. Ou seja, estamos falando sobre a ambiguidade que existe nos seres humanos.</p>
<p>Labatut declarou que a primeira versão de MANIAC tinha 200 páginas a mais, o livro publicado tem quase 400, e que foi necessário um trabalho de revisão editorial intenso para se chegar a versão final. O título do livro tem duplo sentido – e isso não é <em>spoiler</em> &#8211; MANIAC é o acrônimo para o computador desenvolvido por Von Neumann na década de 1950, no caso, o “Mathematical Analyzer, Numerical Integrator and Computer”. Maníaco também é uma das características principais da mente de Von Neumann e, será que não é uma característica presente também nos personagens que compõe as partes 1 e 3 do livro?</p>
<p>Eu conhecia Von Neumann, mas não conhecia os personagens principais das partes 1 e 3, e fiquei chocada com a primeira parte e fascinada com a terceira, por achar a construção narrativa desta última genial. Quanto a parte sobre o personagem principal da obra, ela traz muitas reflexões para quem trabalha na área de tecnologia e com pesquisa. Digo isso porquê tenho posicionamentos extremamente contrários ao desenvolvimento de armas nucleares, um dos principais temas tratados na 2 parte, assim como, tenho sentimentos e reflexões opostos e, muitas vezes, solitários em relação a Inteligência Artificial (IA). Esse tema em específico foi o último em que Von Neumann dedicou tempo e atenção, ele acreditava que era possível uma máquina pensar e se comportar como um humano. Isso no início da década de 1950 e bastante influenciado pelo trabalho anterior de Alan Turing e de muitos outros pesquisadores que são citados no livro.</p>
<p>Labatut apresenta o tema da IA, de forma cronológica, mas ao mesmo tempo contrária ao <em>hype</em> atual. E ser contrário à muitas vezes uma adoração ou encantamento com a IA é algo que em mim ressoa forte. Não acho que a IA vai salvar o mundo ou vai destrui-lo. Ambas sãos visões que para mim soam simplistas. Acredito que a empolgação e o atendimento aos muitos interesses econômicos e políticos é algo que nos impede de enxergar criticamente e com lucidez o que está acontecendo e, como isso irá se desdobrar no futuro em termos de impactos – especialmente os negativos. Para Von Neumann esse tipo de sistema ou máquina era apenas uma questão de tempo. Ele tem uma citação famosa que é indicada no livro e que traduz a forma como ele pensava sobre o tema: “Você insiste que tem coisas que uma máquina não pode fazer. Se você me disser precisamente o que é que uma máquina não pode fazer, sempre poderei criar uma máquina que fará exatamente isso”.</p>
<p>Uma pessoa que não é citada no livro, até porque não está relacionada diretamente as histórias contadas, mas que veio na minha mente em muitos momentos quando falavam da concepção do MANIAC e do trabalho do Nils Aall Barricelli nele, o qual era focado em matemática, computação e biologia, foi o Jaron Lanier. Não sou pesquisadora na área de IA, mas já li muitos artigos científicos e de opinião sobre o tema, e os que me geraram mais reflexão são os do Lanier, não apenas os que tratam sobre IA, mas a visão dele sobre o desenvolvimento tecnológico do mundo nas últimas décadas. Artigos ou livros para mim são muito bons quando eu simplesmente paro na leitura e perco a noção de tempo. Isso porque eu leio rápido e várias páginas de livros ou artigos em um mesmo dia. Mas quando eu paro completamente em uma única página e fico refletindo por muito tempo sobre o que eu acabei de ler é quando eu sei que aquilo vai ter um impacto real na forma como eu penso ou percebo algo. MANIAC me causou isso em muitos momentos, eu reli várias vezes algumas partes, bem como Lanier me causou essa sensação de me perder no tempo em diferentes textos sobre IA que ele escreveu e de afirmar o quanto a história hoje no campo da tecnologia poderia ser diferente, devido a escolhas específicas feitas no passado. Lanier foi um dos grandes responsáveis por desenvolver e nomear o que conhecemos hoje como Realidade Virtual. Por isso, talvez a minha mente tenha feito essa conexão.</p>
<p>Há uma analogia entre esses temas no livro, no momento em que narram quando estavam desenvolvendo a primeira bomba atômica, os cientistas no geral não pensavam sobre o impacto dela, eles se sentiam entusiasmados de conhecer o que ainda não era conhecido, de descobrir o que ainda não tinha sido descoberto. O que é justamente o motivo pelo qual as pessoas pesquisam &#8211; para fazer descobertas &#8211; no entanto, isso não elimina, ou pelo menos, não deveria eliminar a nossa capacidade de agir de forma ética. Com espanto, descobri lendo o livro que Von Neumann foi o responsável por calcular a altura que deveria ser lançada e explodida a bomba em Hiroshima. Os seus cálculos foram feitos com a intenção de que a bomba tivesse um grande impacto e, essa sugestão foi aceita pelo governo americano – calcular para matar o maior número de pessoas – foi uma sugestão do Von Neumann. Um fato histórico que eu desconhecia completamente. Fiquei horrorizada.</p>
<p>Uma mente pode ser lapidada, orientada, nutrida para ser usada para o bem, para o progresso da sociedade, no entanto, o que fica claro no livro (lembrando que essa não deixa de ser uma visão do escritor), é a aparente desconexão que ele em essência tinha entre humanidade – o que significa ser humano – e a necessidade de usar sua mente para tornar absolutamente tudo no mundo, uma mera questão matemática, fria, mecânica e seguindo uma lógica que desconhece o que é empatia. A obsessão pela descoberta dos temas que lhe interessavam, deu a impressão no livro, que tudo e todos ao seu redor eram irrelevantes.</p>
<p>Nos dois livros citados de Labatut, “Quando deixamos de entender o mundo” e “MANIAC”, ambos falam sobre a nossa ausência de reflexão profunda, sobre momentos de ruptura que ocorreram no século XX e que ainda se desdobram em XXI. E, especialmente, em MANIAC, o limiar entre a genialidade e a loucura fica cristalino, os quais parecem estar levando a sociedade para um caminho obscuro, o qual mais uma vez, ela está sendo incapaz de enxergar. Reconheci alguns comentários em “MANIAC” que pareciam entrelinhas de comentários feitos em “Quando deixamos de entender o mundo”, foram poucos, mas os encontrei, na minha opinião foi intencional por parte do autor, mas eu posso estar errada. Quem sabe?</p>
<p>Uma das frases mais bonitas escrita no livro é uma das passagens em que Eugene Wigner narra a percepção dele sobre Von Neumann: &#8220;Jancsi era obcecado por história &#8211; sobretudo pela queda dos impérios antigos &#8211; , e embora seu ódio pelos nazistas fosse essencialmente ilimitado, ele também estava convencido de que saberia exatamente quando partir. Agora eu estremeço com a precisão de algumas de suas previsões, profecias que sem dúvida surgiam de sua incrível capacidade de processar informações <strong>e de filtrar a areia do presente através das correntes da história</strong>&#8220;. pp. 101.</p>
<p>Muitas reflexões são feitas nesse livro e diferentes perspectivas são apresentadas: pessimista, otimista e neutra. Há um limite para o conhecimento humano? Esse limite pode ser superado por uma IA? Ou essa é apenas mais uma ilusão que temos quanto ao desenvolvimento tecnológico? E, na minha visão, uma grande pergunta que fica subentendida: O que é estar desperto?</p>
<p>A mente de Labatut é uma mente de correlações e, sinceramente, esse trabalho de escrita intensa que ele tem no desenvolvimento de ficção com fatos reais é impressionante e admirável. Ele merece todo o reconhecimento que está tendo como escritor e espero que esse texto tenha convencido você a ler Benjamín Labatut.</p>
<p>E, o final, bem o fim do livro é algo que eu adoraria comentar, mas não vou estragar a sua leitura.</p>
<p>Li muitas resenhas, mas vou deixar as 3 que eu mais gostei e que foram publicadas até o momento. <strong>Não recomendo a leitura delas antes de você ler o livro.</strong></p>
<p>Resenhas</p>
<p><a href="https://www.washingtonpost.com/books/2023/09/21/maniac-benjamin-labatut-review-cease-understand/">The Washington Post</a></p>
<p><a href="https://www.nytimes.com/2023/09/29/books/review/benjamin-labatut-the-maniac.html">New York Times</a></p>
<p><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/politica/o-genio-de-outro-mundo">Revista Quatro Cinco Um</a></p>
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		<title>Você sabe o que é Nomofobia? Entenda o conceito e riscos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Cecília]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Oct 2023 21:56:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Redes sociais]]></category>
		<category><![CDATA[nomofobia]]></category>
		<category><![CDATA[redes sociais]]></category>
		<category><![CDATA[segurança digital]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Você seria capaz de passar uma semana inteira sem usar o celular? Atualmente isso seria bastante difícil, seja por questões de trabalho ou para manter contato com outras pessoas. Há algum tempo o aparelho vem deixando de ser um item opcional para se tornar uma necessidade. Esse uso quase obrigatório é impulsionado por aplicativos pensados [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Você seria capaz de passar uma semana inteira sem usar o celular? Atualmente isso seria bastante difícil, seja por questões de trabalho ou para manter contato com outras pessoas. Há algum tempo o aparelho vem deixando de ser um item opcional para se tornar uma necessidade. Esse uso quase obrigatório é impulsionado por aplicativos pensados para prender a atenção do usuário por horas. Esse uso dependente já ganhou nome: nomofobia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inicialmente visto como um dispositivo capaz de aproximar as pessoas e criar uma comunicação mais eficiente, os aparelhos celulares hoje são usados para uma infinidade de coisas. Pedir comida, ouvir música, assistir vídeos, fazer fotos, participar de discussões e mais uma infinidade de usos. Ao lado desse uso constante, existe também uma grande demanda por captação de uso de dados dos usuários para fins publicitários. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As </span><i><span style="font-weight: 400;">big techs</span></i><span style="font-weight: 400;">, grandes empresas de tecnologia, investem cada vez mais em usar esses dados para aperfeiçoar seus aplicativos e tornar os aparelhos e aplicativos cada vez mais indispensáveis para as pessoas. O problema é que as estratégias utilizadas costumam ser prejudiciais à saúde dos usuários, agravando questões relacionadas à saúde mental e física. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conversei com o psicanalista Caio Garrido para saber mais sobre o tema. Garrido é psicanalista e escritor, idealizador da Ubuntu Psicanálise e mestre em Ciências da Saúde pela Unifesp com o tema dos sonhos noturnos (a partir da psicanálise). Tem seis livros publicados, entre romances, poemas, e crônicas, sendo os mais recentes &#8220;Paniricocrônicas: Crônicas dos Sonhos em Tempos de Pandemia&#8221;, projeto contemplado pelo programa ProAC, e o recém-lançado &#8220;A Nova Era Tecnológica: Redes Sociais, Inteligência Artificial e Realidade Virtual – Um olhar psicanalítico e social&#8221;</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><b>O que é nomofobia? </b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">A nomofobia é um termo usado para descrever a ansiedade e o medo que algumas pessoas sentem quando estão longe do celular, por exemplo. O termo é uma combinação de &#8220;no mobile phone phobia&#8221;, ou &#8220;fobia de não ter celular&#8221; em tradução livre. Ela pode ser enquadrada como um transtorno de ansiedade classificado como transtorno fóbico-ansioso no CID 10 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde) da psicologia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, apesar do termo e da possibilidade de ser encaixado no CID de transtornos de ansiedade, é importante ressaltar que não estamos falando exatamente de uma </span><i><span style="font-weight: 400;">fobia</span></i><span style="font-weight: 400;">. Consultei com o psicanalista Caio Garrido, que possui uma pesquisa voltada para estudar os impactos das tecnologias, para saber melhor sobre a questão. Segundo ele, o termo ainda não é usado na literatura psicanalítica, apesar de estar dentro dos transtornos de ansiedade e poder ser visto sob essa lente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8220;Ainda não se vê uma discussão mais séria em torno desse novo tema das nomofobias nos círculos psicanalíticos mais importantes.&#8221;, ele explica. &#8220;Há sim um contínuo estudo, pesquisa, artigos e livros sendo lançados, assim como conferências na Psicanálise acerca do assunto das novas tecnologias em geral, e o impacto delas em nossa subjetividade. Eu e um colega (Fábio Zuccolotto) acabamos de lançar em 2022 um livro sobre esse tema mais geral, incluindo aí as redes sociais, inteligência artificial e realidade virtual (“A Nova Era Tecnológica: Redes Sociais, Inteligência Artificial e Realidade Virtual – um olhar psicanalítico e social”). O fato é que, inegavelmente, estamos inundados por essas tecnologias em nosso cotidiano, em nossas atividades mais corriqueiras. E devido a isso, uma dependência tecnológica mais patológica pode advir.&#8221;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existindo formalmente ou não, é fato que o termo faz referência a uma condição bastante real e que afeta cada vez mais pessoas: a incapacidade de se distanciar de aparelhos eletrônicos e redes sociais. Mas, ao ser rapidamente denominada como uma </span><i><span style="font-weight: 400;">fobia, </span></i><span style="font-weight: 400;">acabamos reduzindo os impactos desse tipo de tecnologia a apenas essa condição, reduzindo a sua complexidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Garrido explica que a </span><i><span style="font-weight: 400;">fobia</span></i><span style="font-weight: 400;">, &#8220;como estrutura psíquica (que se diferencia da neurose obsessiva, da psicose, e outras) é algo que compromete a vida do sujeito, que parece ser o que acontece no que denominam de nomofobia&#8221;. Mas, quando falamos sobre aparelhos celulares especificamente, há mais que apenas um medo de estar afastado dele, mas um verdadeiro temor, que pode ser relacionado com outros processos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8220;Sob o guarda-chuva da nomofobia, parece que são colocados vários outros tipos de sintomas psíquicos, fobia esta que pode ser consequência de outros quadros psicopatológicos, ou esses quadros serem apenas facetas dessa identidade maior chamada nomofobia, tais como a ansiedade e fobia social, a compulsão, a agorafobia, as confusões identitárias, as inibições, entre tantos outros.&#8221;, explica Garrido. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso é, dentro da simplificação causada pelo nome &#8220;nomofobia&#8221;, estamos falando também de uma condição que interfere em uma série de outras alterações psíquicas. Falar apenas em medo de estar afastado do celular não questiona uma série de outros efeitos que o aparelho causa, além da dependência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por esse motivo é que o que vemos ser chamado de nomofobia não é só um problema do usuário que usa de modo excessivo o celular, mas também uma questão relacionada à responsabilidade das empresas que desenvolvem essas tecnologias. </span><b></b></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><b>Nomofobia ou vício: estamos falando de medo ou compulsão? </b></h2>
<p><a href="https://www.theguardian.com/lifeandstyle/2017/aug/28/does-phone-separation-anxiety-really-exist" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Uma pesquisa dos Estados Unidos</span></a><span style="font-weight: 400;"> indicou aumento da pressão arterial e batimentos cardíacos em pessoas que ficaram muito tempo afastadas de seus smartphones. O FOMO, ou </span><i><span style="font-weight: 400;">Fear Of Missing Out </span></i><span style="font-weight: 400;">[medo de ficar de fora] é justamente o nome dado a essa ansiedade de perder algum acontecimento importante por estar afastado das redes. Uma notificação ou mensagem já podem ser gatilhos para ativar esse medo, criando uma necessidade imediata de checar o celular, por exemplo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Voltando para a psicanálise, como Caio Garrido explica, esse tipo de uso exagerado pode comprometer a nossa capacidade de criar memórias. &#8220;Sigmund Freud dizia que nós só somos capazes de “dar conta” de uma certa quantidade de estímulos. Se uma ação tem dois ou mais focos de atenção, não há possibilidade de criar memória.&#8221; </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os vícios são marcados pela produção de dopamina, um neurotransmissor relacionado à sensação de prazer e alegria. Falando especificamente sobre jogos de azar, Caio Garrido explica que esse sentimento positivo vem mais da tentativa e do risco de perder, do que do ganho em si. A expectativa gera uma descarga maior que o sucesso. Mas, ele ressalta: &#8220;a dopamina tem um certo estoque. Pode haver um déficit se há um excesso de gasto.&#8221;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já as fobias, são &#8220;expressões da conversão da angústia em terror&#8221;, ele explica. A nomofobia, por exemplo, se refere a um temor a uma situação que não é um risco, e o Garrido explica: &#8220;Para Lacan, o objeto da fobia mascararia uma angústia fundamental do sujeito. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal situação ou “objeto” fóbico guardaria algum tipo de relação oculta com algum “elemento significativo da história do sujeito” (Roudinesco, 1998, p. 244) que se reveste nesse sintoma fóbico. Há, portanto, por trás da situação temida algum elemento da história do sujeito que se liga a ela, de forma imprevista, caso em que se torna necessário distinguir clinicamente uma coisa da outra.&#8221;Isto é, o celular representa algo mais para a pessoa para então criar esse cenário de medo do afastamento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pensando então na questão do vício e da fobia, Garrido levanta o questionamento: seria uma fobia ou uma compulsão? Há um grau de dependência em relação ao aparelho, e &#8220;para compreender a relação disso com o vício, a dependência, podemos refletir e considerar que os sintomas descritos para a nomofobia se parecem muito com a abstinência experimentada pelo sujeito que está sem seu “objeto” de vício.&#8221; </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><b>Como diminuir a dependência digital? </b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">A dependência digital é uma preocupação crescente justamente pelos impactos negativos que a imersão constante no mundo virtual pode gerar na vida pessoal e profissional de uma pessoa. Para combater esse problema, é fundamental adotar estratégias práticas e buscar apoio terapêutico, como defendido pelo psicanalista Caio Garrido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A primeira medida para diminuir a dependência digital é reconhecer a ameaça que ela representa. Quando alguém percebe que seu comportamento está se tornando excessivamente dependente dessas tecnologias, chegando a interferir em seus relacionamentos pessoais e trabalho, é hora de considerar uma mudança. Nesse ponto, é válido buscar ajuda profissional, como a terapia psicanalítica ou outras formas de terapia, com potencial para tratar questões psíquicas associadas à dependência digital, como explica Garrido. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto levantado por Garrido é a necessidade de promover o bem-estar físico e mental por meio de exercícios físicos regulares. Pesquisas científicas têm demonstrado que atividades físicas ajudam a melhorar o humor, diminuir estados de depressão e ansiedade, mesmo sem o uso de antidepressivos. Incorporar exercícios na rotina diária pode ser uma maneira eficaz de reduzir a necessidade de recorrer à tecnologia como escape emocional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, é crucial fortalecer as relações sociais interpessoais presenciais. A interação face a face é fundamental para a saúde mental, uma vez que somos seres sociais que precisam do contato físico com outros indivíduos. Como explica Garrido, &#8220;o corpo precisa se encontrar com outros corpos, não somente via internet.&#8221;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A busca por atividades externas também é essencial para afastar o sujeito da alienação que a tecnologia pode causar. Engajar-se em atividades de lazer, esportes ou projetos criativos fora do ambiente virtual proporciona uma desconexão saudável do mundo digital e uma sensação de realização pessoal. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em resumo, adotar um estilo de vida mais equilibrado, focado em interações sociais reais e atividades externas, aliado a um tratamento terapêutico adequado, pode ajudar a alcançar uma relação mais saudável e consciente com a tecnologia, reduzindo os efeitos negativos da dependência digital em diversos aspectos da vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto importante é buscar educação digital para entender os riscos provocados não apenas pelo uso exagerado de smartphones e redes sociais, mas também do compartilhamento de dados. É evidente que não podemos deixar de cobrar a responsabilidade das empresas de tecnologia em relação ao uso das nossas informações, mas, para que isso seja feito de forma eficiente, precisamos estar cada vez mais conscientes sobre os nossos direitos e os limites que elas devem respeitar. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><b>Responsabilidade das grandes empresas</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">A nomofobia, termo que une &#8220;no mobile phone phobia&#8221;, descreve a ansiedade e o medo associados à separação do celular. Embora se enquadre como um transtorno fóbico-ansioso, há debates sobre se pode ser considerada uma fobia genuína. A nomofobia vai além do simples medo de estar longe do celular. Garrido aponta que ela pode mascarar uma série de sintomas psíquicos, incluindo ansiedade social, compulsão e inibições. Dentro dessa complexidade, as empresas de tecnologia desempenham um papel crucial, tornando-se corresponsáveis pelos efeitos negativos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A linha entre nomofobia e vício tecnológico é tênue. O temor de perder eventos importantes, o chamado FOMO, pode desencadear ansiedade intensa, impactando negativamente a saúde. Os vícios, marcados pela dopamina, também entram em jogo. A ansiedade convertida em terror, característica das fobias, cria um cenário complexo. No entanto, a redução do problema à fobia é limitante, ignorando os diversos efeitos psíquicos dos aparelhos eletrônicos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A diminuição da dependência digital é essencial para um bem-estar equilibrado. Garrido oferece </span><i><span style="font-weight: 400;">insights</span></i><span style="font-weight: 400;"> valiosos: reconhecer a ameaça, praticar exercícios físicos regulares e fortalecer as relações sociais presenciais. A busca por atividades externas também é crucial para afastar o indivíduo da alienação digital.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O conhecimento sobre os riscos da tecnologia é fundamental. Educação digital permite compreender não apenas os efeitos negativos da dependência, mas também os perigos do compartilhamento excessivo de dados. Ao nos conscientizarmos de nossos direitos e limites, podemos enfrentar os desafios impostos pela era tecnológica de maneira mais eficaz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, existe também a urgência de entendermos o papel das grandes empresas de tecnologia nessa questão. Essa ligação intensa com o prazer instantâneo altamente aditivo é habilmente explorado por elas. Nesse cenário, é importante entender que o desafio da &#8220;nomofobia&#8221; não está isolado em esferas individuais, mas é também uma responsabilidade coletiva. As estratégias de dependência não são acidentais; são cuidadosamente construídas pelas corporações em busca de lucro e engajamento. À medida que essas empresas otimizam seus produtos para capturar nossa atenção, muitas vezes negligenciam totalmente o bem-estar dos usuários.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A questão da &#8220;nomofobia&#8221; nos leva a uma reflexão crucial: a necessidade de uma abordagem mais abrangente. À medida que avançamos nesse mundo cada vez mais digital, é imperativo que as empresas de tecnologia assumam a responsabilidade pelo impacto de suas inovações na saúde mental e emocional das pessoas. Reconhecer essa complexidade é o primeiro passo para enfrentar efetivamente esses desafios. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<p><b>CAIO GARRIDO</b><span style="font-weight: 400;"> – Psicanalista e escritor. Idealizador da Ubuntu Psicanálise e mestre em Ciências da Saúde pela Unifesp com o tema dos sonhos noturnos (a partir da psicanálise). Tem seis livros publicados, entre romances, poemas, e crônicas, sendo os mais recentes &#8220;Paniricocrônicas: Crônicas dos Sonhos em Tempos de Pandemia&#8221;, projeto contemplado pelo programa ProAC, e o recém-lançado &#8220;A Nova Era Tecnológica: Redes Sociais, Inteligência Artificial e Realidade Virtual – Um olhar psicanalítico e social&#8221;</span></p>
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		<title>Artigo &#8211; Nomofobia existe mesmo? &#8211; Infor Channel</title>
		<link>https://mariaceciliagomes.com.br/midia-publicacao/artigo-nomofobia-existe-mesmo-infor-channel/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Cecília]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Sep 2023 13:20:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Publicado em: https://inforchannel.com.br/2023/09/26/nomofobia-existe-mesmo/ Você seria capaz de passar uma semana inteira sem usar o celular? No modelo atual de interação de comunicação, isso poderia ser bastante difícil — seja por questões de trabalho ou manter contato com outras pessoas. Há algum tempo o aparelho vem deixando de ser um item opcional para se tornar uma [&#8230;]</p>
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<p>Você seria capaz de passar uma semana inteira sem usar o celular? No modelo atual de interação de comunicação, isso poderia ser bastante difícil — seja por questões de trabalho ou manter contato com outras pessoas. Há algum tempo o aparelho vem deixando de ser um item opcional para se tornar uma necessidade. Esse uso quase obrigatório é impulsionado por aplicativos pensados para prender a atenção do usuário por horas.</p>
<p>Inicialmente visto como um dispositivo capaz de aproximar as pessoas e criar uma comunicação mais eficiente, os aparelhos celulares hoje são usados para uma infinidade de coisas. Pedir comida, ouvir música, assistir vídeos, fazer fotos, participar de discussões e mais uma infinidade de usos. Ao lado desse uso constante, existe também uma grande demanda por captação de uso de dados dos usuários para fins publicitários e geração de receita.</p>
<p>As big techs, grandes empresas de tecnologia, investem cada vez mais em usar esses Dados para aperfeiçoar seus aplicativos e tornar os aparelhos e aplicativos indispensáveis para as pessoas. O problema é que essas estratégias não costumam levar em conta o bem-estar dos usuários, mas apenas ganhos financeiros.</p>
<p>A nomofobia é um termo usado para descrever a ansiedade e o medo que algumas pessoas sentem quando estão longe do celular. O termo é uma combinação de<span> </span><em>“no mobile phone phobia”,</em><span> </span>ou “fobia de não ter celular”, em tradução livre. Ela pode ser enquadrada como um transtorno de ansiedade classificado como transtorno fóbico-ansioso no CID 10 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde) da psicologia.</p>
<p>Contudo, apesar do termo e da possibilidade de ser encaixado no CID de transtornos de ansiedade, é importante ressaltar que não estamos falando exatamente de uma fobia. Consultei com o psicanalista Caio Garrido, que estuda os impactos dessas tecnologias, para saber melhor sobre a questão.</p>
<p>Segundo ele, o termo ainda não é usado na literatura psicanalítica, apesar de estar dentro dos transtornos de ansiedade e poder ser visto sob essa lente.</p>
<p>“Ainda não se vê uma discussão mais séria em torno desse novo tema das nomofobias nos círculos psicanalíticos mais importantes.”, ele explica. “Há sim um contínuo estudo, pesquisa, artigos e livros sendo lançados, assim como conferências na Psicanálise acerca do assunto das novas tecnologias em geral, e o impacto delas em nossa subjetividade.”</p>
<p>Existindo formalmente ou não, é fato que o termo faz referência a uma condição bastante real e que afeta cada vez mais pessoas: a incapacidade de se distanciar de aparelhos eletrônicos e redes sociais. Mas, ao ser rapidamente denominada como uma fobia, acabamos reduzindo os impactos desse tipo de tecnologia a apenas essa condição, talvez até reduzindo a sua complexidade.</p>
<p>Garrido explica que a fobia, “como estrutura psíquica (que se diferencia da neurose obsessiva, da psicose, e outras) é algo que compromete a vida do sujeito, que parece ser o que acontece no que denominam de nomofobia”. Mas, quando falamos sobre aparelhos celulares especificamente, há mais que apenas um medo de estar afastado dele, mas um verdadeiro temor, que pode ser relacionado com outros processos.</p>
<p>“Sob o guarda-chuva da nomofobia, parece que são colocados vários outros tipos de sintomas psíquicos, fobia esta que pode ser consequência de outros quadros psicopatológicos, ou esses quadros serem apenas facetas dessa identidade maior chamada nomofobia, tais como a ansiedade e fobia social, a compulsão, a agorafobia, as confusões identitárias, as inibições, entre tantos outros.”, explica Garrido.</p>
<p>Isso é, dentro da simplificação causada pelo nome “nomofobia”, estamos falando também de uma condição que interfere em uma série de outras alterações psíquicas. Falar apenas em medo de estar afastado do celular não questiona outros efeitos que o aparelho causa, além da dependência. Podemos citar como exemplo uma pesquisa dos Estados Unidos que indicou aumento da pressão arterial e batimentos cardíacos em pessoas que ficaram muito tempo afastadas de seus smartphones.</p>
<p>O FOMO, ou<span> </span><em>Fear Of Missing Out [medo de ficar de fora]</em><span> </span>é justamente o nome dado a essa ansiedade de perder algum acontecimento importante por estar afastado das redes. Uma notificação ou mensagem já podem ser gatilhos para ativar esse medo, criando uma necessidade imediata de checar o celular, por exemplo. Como explica Caio Garrido, o vício, de forma geral, é marcado pela produção de dopamina, um neurotransmissor relacionado à sensação de prazer e alegria. Falando sobre jogos de azar, por exemplo, esse sentimento positivo vem mais da tentativa e do risco de perder, do que do ganho em si. A expectativa gera uma descarga maior que o sucesso. Mas, ele ressalta: “a dopamina tem um certo estoque. Pode haver um déficit se há um excesso de gasto.”</p>
<p>Os smartphones e as redes sociais são capazes de gerar grandes descargas de dopamina e, por isso, seu uso exagerado é comparado com a relação que temos com outros vícios. Essa descarga de prazer instantâneo tende a ser bastante aditiva e as grandes empresas de tecnologia exploram justamente essa possibilidade de dependência. Cada vez mais pesquisadores buscam entender a relação entre vídeos curtos como aqueles usados no TikTok e depois levados para o Instagram Reels e YouTube Shorts e a produção de dopamina. E, ainda, como essa produção exagerada leva a escassez e pode influenciar outras questões de saúde mental.</p>
<p>Por isso, para que seja possível entender de fato a extensão do problema, precisamos entender que as engrenagens por trás dessa dependência não são responsabilidade individual e nem acidentais, mas alicerçadas em estratégias de grandes empresas. Com cada vez mais investimentos em otimização desses produtos, o bem-estar de quem utiliza é completamente ignorado. A “nomofobia” não representa apenas um dilema individual, mas aponta para uma responsabilidade mais ampla das corporações por trás dessas tecnologias.</p>
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		<title>10 obras de privacidade e proteção de dados escritas por mulheres</title>
		<link>https://mariaceciliagomes.com.br/10-obras-de-privacidade-e-protecao-de-dados-escritas-por-mulheres/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Cecília]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Mar 2023 21:59:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dados Pessoais]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>
		<category><![CDATA[proteção de dados]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Você já se perguntou quantas autoras da área de proteção de dados pessoais você conhece? Consegue lembrar de livros e artigos que você leu sobre o tema e que foram escritos por mulheres? Ainda, sabe quantas autoras você cita nas referências dos seus artigos e demais trabalhos acadêmicos?</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Publicado em 02/04/2019 no Jota. Link: <a href="https://www.jota.info/opiniao-e-analise/colunas/agenda-da-privacidade-e-da-protecao-de-dados/10-obras-de-privacidade-e-protecao-de-dados-escritas-por-mulheres-02042019">https://www.jota.info/opiniao-e-analise/colunas/agenda-da-privacidade-e-da-protecao-de-dados/10-obras-de-privacidade-e-protecao-de-dados-escritas-por-mulheres-02042019</a></p>
<p><strong>Autoras: </strong></p>
<p>Maria Cecília Oliveira Gomes: Doutoranda em Filosofia e Teoria Geral do Direito na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.</p>
<p>Natália Langenegger: Doutoranda em Direito Constitucional na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.</p>
<p><span>lustradora: </span><a href="https://sabrinagevaerd.com/">Sabrina Gevaerd</a></p>
<p>Você já se perguntou quantas autoras da área de proteção de dados pessoais você conhece? Consegue lembrar de livros e artigos que você leu sobre o tema e que foram escritos por mulheres? Ainda, sabe quantas autoras você cita nas referências dos seus artigos e demais trabalhos acadêmicos?</p>
<p>É possível que preocupações do gênero possam ter passado despercebidas por muitos, mas não se trata de questão trivial no mercado e no ambiente acadêmico [1]. Em espaço que enfrenta plena expansão no País (de proteção de dados pessoais), a <b>quantidade de pessoas que leem e referenciam textos escritos por mulheres influencia na sua progressão e inserção profissional</b> [2].</p>
<p>Estudos mostram que trabalhos acadêmicos escritos por homens são mais referenciados se comparados com trabalhos produzidos por mulheres. Mais que isso, demonstram que trabalhos de autoria feminina possuem maior chance de serem citados em estudos nos quais há pelo menos uma mulher entre os autores [3]. Para reduzir essa disparidade, revistas e periódicos possuem papel importante (ex.: privilegiando diversidade no conteúdo e na composição de conselhos editoriais), mas que deve ser acompanhado por esforço ativo de todos os profissionais da área.</p>
<p>De fato, muitas mulheres possuem produções relevantes na área de proteção a dados pessoais. Em todo o mundo mulheres estão ativamente envolvidas na prática de proteção de dados pessoais e estão se posicionando enquanto importantes referenciais teóricos para a construção do pensamento sobre o tema. Através de uma perspectiva holística, podemos encontrar referenciais com diferentes áreas de atuação, como matemática, filosofia, jurídica, economia e, que contribuem para a construção de uma narrativa multidisciplinar e aprofundada sobre a construção do pensamento e reflexão sobre o tema.</p>
<p>Para tanto, criamos uma lista com alguns dos trabalhos de somente algumas das diversas profissionais, brasileiras ou estrangeiras, inspiradoras nessa área:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.amazon.com.br/gp/product/B076CL4XXW/ref=as_li_tl?ie=UTF8&amp;camp=1789&amp;creative=9325&amp;creativeASIN=B076CL4XXW&amp;linkCode=as2&amp;tag=j04df-20&amp;linkId=03cc4125802b46d77b0341573ea66cde" target="_blank" rel="noopener"><b>1) Laura Schertel Mendes: Privacidade, Proteção de Dados e Defesa do Consumidor: Linhas Gerais de um Novo Direito Fundamental</b></a></p>
<p><img decoding="async" src="https://ir-br.amazon-adsystem.com/e/ir?t=j04df-20&amp;l=am2&amp;o=33&amp;a=B076CL4XXW" alt="" width="1" height="1" border="0" /><br />
<a href="https://www.amazon.com.br/gp/product/B076CL4XXW/ref=as_li_tl?ie=UTF8&amp;camp=1789&amp;creative=9325&amp;creativeASIN=B076CL4XXW&amp;linkCode=as2&amp;tag=j04df-20&amp;linkId=d298e43a87ab1636b83233e4366d5e45" target="_blank" rel="noopener"><img decoding="async" class="aligncenter" src="https://ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?_encoding=UTF8&amp;MarketPlace=BR&amp;ASIN=B076CL4XXW&amp;ServiceVersion=20070822&amp;ID=AsinImage&amp;WS=1&amp;Format=_SL250_&amp;tag=j04df-20" alt="" border="0" /></a><img decoding="async" src="https://ir-br.amazon-adsystem.com/e/ir?t=j04df-20&amp;l=am2&amp;o=33&amp;a=B076CL4XXW" alt="" width="1" height="1" border="0" /></p>
<p>O livro de Laura, publicado em 2014, segue sendo uma das principais referências brasileiras sobre a interconexão entre os fundamentos do direito do consumidor e a proteção de dados pessoais no Brasil.</p>
<p>A autora defende que a proteção de dados pessoais é um direito fundamental, sendo que seus contornos são visíveis no Brasil por meio das bases principiológicas do Código de Defesa do Consumidor, da Lei do Cadastro Positivo, da Lei de Acesso à Informação e do Marco Civil da Internet. Em um exercício de diálogo das fontes, Mendes demonstra como a interpretação conjunta desses dispositivos reforça os contornos desse direito fundamental aos consumidores, sendo obrigação do Estado agir para sua efetiva tutela.</p>
<p>Importante destacar que Laura Mendes participou ativamente das discussões em torno da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais desde seu embrião, colocando na prática as ideias escritas em sua tese. Uma das lições extraídas da produção de Laura é que a convergência em torno de “leis gerais” na Europa e na América Latina, fundada em direitos básicos aos titulares de dados e no conjunto de obrigações aos controladores e operadores de dados, é coerente com uma tradição jurídica de reconhecimento de direitos fundamentais e de mecanismos de proteção de direitos coletivos. A LGPD sistematiza, em uma única lei, uma tendência pré-existente de garantia do direito à proteção de dados pessoais.</p>
<p>Laura Schertel Mendes é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental – EPPGG, atuando no Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE. É Doutora pela Universidade Humboldt de Berlim e mestra pela Universidade de Brasília 2005.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-temporarias/especiais/55a-legislatura/pl-4060-12-tratamento-e-protecao-de-dados-pessoais/documentos/outros-documentos/dra-cintia-rosa-pereira-de-lima-usp"><b>2) A Cintia Rosa Pereira de Lima: A imprescindibilidade de um órgão independente para a efetiva proteção dos dados pessoais no cenário futuro do Brasil</b></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Sua tese de livre docência defendida em 2015, antes de aprovada a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), trata de debate fundamental: a necessidade de ser constituída  no Brasil uma Autoridade Nacional de Proteção de Dados autônoma e independente.</p>
<p>Com a finalidade de compreender qual deveria ser a estrutura da Autoridade e demonstrar as vantagens na adoção de modelo autônomo e independente, Cíntia utiliza como principal referencial comparativo a Autoridade Italiana (<i>Autoritá Garante Della Privacy e Deli Dati Personali)</i>. Isso porque, segunda a autora, o Anteprojeto de Lei de Proteção de Dados foi em grande medida inspirado no modelo italiano de proteção de dados. Não obstante isso, a tese também estudou as autoridades francesa (<i>Commission Nationale de I’informatique et des Libertés ou “</i>CNIL”), espanhola (<i>Agencia Española de Protección de Datos ou “</i>AEPD”) e o <i>Privacy Commissioner</i> do Canadá.</p>
<p>Diante dessa perspectiva, a Autora sugere design de autoridade brasileira de proteção de dados pessoais que apresenta poderes decisórios, normativos e sancionatórios. Em tempos de votação da Medida Provisória nº 869/2018, a tese da Cintia é arcabouço teórico fundamental, especialmente para que a futura Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) efetivamente exerça suas funções e colabore para a construção de ecossistema saudável de proteção de dados no Brasil.</p>
<p><a href="https://bv.fapesp.br/pt/pesquisador/43674/cintia-rosa-pereira-de-lima/">Cíntia</a> é advogada e professora livre-docente de Direito Civil da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo e na Faculdade de Direito da USP – Largo São Francisco. É Doutora e Mestra em Direito Civil pela Universidade de São Paulo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.publicacoesacademicas.uniceub.br/RBPP/article/viewFile/4869/3658"><b>3) Jacqueline Abreu: Passado, Presente e Futuro da Criptografia Forte: Desenvolvimento Tecnológico e Regulação</b></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Pela análise das decisões brasileiras que determinaram o bloqueio do aplicativo WhatsApp e do caso <i>Apple vs FBI </i>nos Estados Unidos, Jacqueline analisa o embate entre a adoção da denominada <i>criptografia forte</i> –  aquela que não oferece mecanismos de acesso mesmo quando observado o devido processo legal – e a existência de decisões judiciais que determinam a quebra de sigilo para empresas atuantes na camada de aplicação.</p>
<p>Para traçar essa análise, Jacqueline realiza (i) mapeamento histórico das “guerras de criptografia” nos Estados Unidos e no Brasil; (ii) análise sobre a existência de dever jurídico para que empresas construam sistemas de comunicação e armazenamento de dados que sejam passíveis de quebras de sigilo; e (iii) debate sobre o impacto da criptografia forte na segurança pública e sobre a proposta de ‘acesso excepcional’ como estratégia regulatória. Ao final, a autora conduz seu leitor a refletir sobre o conflito entre a adoção de tecnologias capazes de assegurar o sigilo e a privacidade de comunicações, e a implementação de backdoor para viabilizar investigações por parte de autoridades competentes,.</p>
<p>A relevância desse artigo se demonstra no cenário atual brasileiro, onde ainda não se chegou  a um consenso sobre a possibilidade de regulação da criptografia no Brasil, já tendo sido realizadas audiências públicas para a discussão de uma possível regulação do uso da criptografia nas comunicações, assim como, como as polícias e demais órgãos de investigação poderiam continuar investigando, sem incorrer em violações à liberdade e à privacidade dos cidadãos.</p>
<p>Jacqueline é Doutoranda em Direito na Universidade de São Paulo. Mestra em Direito pela University of California, Berkeley (EUA), com foco em direito e tecnologia, e pela Ludwig-MaximiliansUniversität München (Alemanha), com foco em direitos fundamentais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.amazon.com.br/gp/product/B019B6VCLO/ref=as_li_tl?ie=UTF8&amp;camp=1789&amp;creative=9325&amp;creativeASIN=B019B6VCLO&amp;linkCode=as2&amp;tag=j04df-20&amp;linkId=4ae29b7231cc65639dbfe7dc8998a857" target="_blank" rel="noopener"><b>4) Cathy O’Neil: </b><b>Weapons of Math Destruction: How Big Data Increases Inequality and Threatens Democracy</b></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img decoding="async" src="https://ir-br.amazon-adsystem.com/e/ir?t=j04df-20&amp;l=am2&amp;o=33&amp;a=B019B6VCLO" alt="" width="1" height="1" border="0" /><br />
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<p>Em perspectiva singular construída em suas pesquisas acadêmicas e por atuação no mercado financeiro, Cathy O’Neill apresenta aos leitores visão bastante crítica e incisiva de como a sociedade é orientada por decisões de algoritmos – deixando claro que nem sempre essas decisões são positivas.</p>
<p>O’Neill chama atenção para o fato de que decisões produzidas por algoritmos, quando estes são mal desenvolvidos, carregam conceitos discriminatórios e podem vir a reforçar fatores de discriminação pré-existentes, como o racismo, machismo, entre outros. O’Neill nos lembra que os responsáveis por desenvolver e estruturar os algoritmos, bem como por tratar dados pessoais e tomar decisões a partir de seu tratamento, são seres humanos, os quais formulam, calibram e contribuem para a tomada de decisão algorítmica. Esses mesmos seres humanos, no entanto, podem atuar em nome de interesses privados e interesses governamentais, que nem sempre buscam a proteção e o benefício de direitos dos titulares de dados.</p>
<p>Em razão disso, O’Neill propõe reflexão aprofundada sobre o desenvolvimento e o impacto que esses algoritmos geram na vida das pessoas e sobre os reflexos provenientes dessas atividades de tratamento de dados na modelação do atual sistema democrático.</p>
<p><a href="https://www.bloomberg.com/authors/ATFPV0aLyJM/catherine-h-oneil">Cathy O’Neill</a> é cientista de dados, e Doutora em Matemática pela Harvard University. Autora do site mathbabe.org e colunista da Bloomberg.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.amazon.com.br/gp/product/B07JGQMY6X/ref=as_li_tl?ie=UTF8&amp;camp=1789&amp;creative=9325&amp;creativeASIN=B07JGQMY6X&amp;linkCode=as2&amp;tag=j04df-20&amp;linkId=f3ecf061ae707a99451d85adcd056369" target="_blank" rel="noopener"><b>5) Sarah Igo: </b><b>The</b><b> </b><b>Known Citizen</b><b>: A History of Privacy in Modern America</b></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.amazon.com.br/gp/product/B07JGQMY6X/ref=as_li_tl?ie=UTF8&amp;camp=1789&amp;creative=9325&amp;creativeASIN=B07JGQMY6X&amp;linkCode=as2&amp;tag=j04df-20&amp;linkId=9acc641a915a8cb883419534d43ea4fa" target="_blank" rel="noopener"><img decoding="async" class="aligncenter" src="https://ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?_encoding=UTF8&amp;MarketPlace=BR&amp;ASIN=B07JGQMY6X&amp;ServiceVersion=20070822&amp;ID=AsinImage&amp;WS=1&amp;Format=_SL250_&amp;tag=j04df-20" alt="" border="0" /></a><img decoding="async" src="https://ir-br.amazon-adsystem.com/e/ir?t=j04df-20&amp;l=am2&amp;o=33&amp;a=B07JGQMY6X" alt="" width="1" height="1" border="0" /></p>
<p>Com uma narrativa poderosa, Sarah Igo reconstrói os últimos dois séculos para entender como foi construído o conceito de privacidade dentro da sociedade americana e como o <i>unkown citizen</i> (cidadão desconhecido) se tornou o <i>known citizen</i> (cidadão conhecido) diante da moderna cultura de coleta e uso de dados. Desconstruindo conceitos pré-concebidos e buscando responder a perguntas como: “O que é a privacidade?”, “A privacidade morreu?” ou “Privacidade um direito de quem?”, Sarah nos faz refletir se a definição que hoje foi construída sobre privacidade não se trata, na verdade, da reprodução da perspectiva privilegiada de alguns ou da convicção de outros.</p>
<p>Inicia analisando como o <i>right to be alone</i> (direito de estar sozinho) de Samuel Warren e Louis Brandeis (1890) [4] reflete as convicções dos autores, advogados, homens, brancos e de classe alta. Em seguida, verifica como a imprensa passou a explorar a esfera íntima das pessoas no final do século XIX,  momento em que passou a imprimir fotografias, colocando em jogo o debate anterior sobre o alcance das esfera pública e privada. Ao final, apresenta como os censos e cadastros governamentais foram fundamentais para o entendimento sobre a construção da vigilância, a partir da coleta massiva de dados dos cidadãos.</p>
<p>Um dos pontos mais fortes do livro é a compreensão de como minorias na sociedade americana (imigrantes, mulheres, negros, etc.) historicamente foram os mais afetados por violações de direitos fundamentais como o da privacidade. Isso se dá porque, ao contrário do restante da população, são aqueles que sempre precisam fornecer mais dados pessoais para o governo. Esse é, sem sombra de dúvidas, livro para ser lido e relido.</p>
<p><a href="https://as.vanderbilt.edu/history/bio/sarah-igo">Sarah Igo</a> é historiadora e professora associada do Departamento de História na Vanderbilt University, possui graduação em Estudos Sociais pela Harvard University e Doutorado em História pela Princeton University.</p>
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<p><a href="https://www.amazon.com.br/gp/product/B075D6HPW7/ref=as_li_tl?ie=UTF8&amp;camp=1789&amp;creative=9325&amp;creativeASIN=B075D6HPW7&amp;linkCode=as2&amp;tag=j04df-20&amp;linkId=bbba534d36b9f871678e086758138b9a" target="_blank" rel="noopener"><b>6) Shoshana Zuboff: </b></a><b><a href="https://www.amazon.com.br/gp/product/B075D6HPW7/ref=as_li_tl?ie=UTF8&amp;camp=1789&amp;creative=9325&amp;creativeASIN=B075D6HPW7&amp;linkCode=as2&amp;tag=j04df-20&amp;linkId=bbba534d36b9f871678e086758138b9a">The Age of Surveillance Capitalism: The Fight for a Human Future at the New Frontier of Power</a><br />
</b><b><img loading="lazy" decoding="async" src="https://ir-br.amazon-adsystem.com/e/ir?t=j04df-20&amp;l=am2&amp;o=33&amp;a=B075D6HPW7" alt="" width="1" height="1" border="0" /><br />
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<p>Em seu mais novo livro, “The Age of Surveillance Capitalism: The Fight for a Human Future at the New Frontier of Power” (2019), Zuboff constrói uma narrativa que busca compreender como a economia passou a ser movida a dados e como esses dados têm sido utilizados pelo Estado e por empresas para fins de controle econômico-social, no que se convencionou a chamar de capitalismo de vigilância. Além disso, a autora critica o atual modelo econômico de determinadas empresas, que extraem vantagens da utilização de dados pessoais dos seus clientes sem que estes tenham total conhecimento ou tenham dado um efetivo consentimento para a exploração dessas finalidades de uso dos dados.</p>
<p>Para Zuboff a experiência humana obtida a partir de dados pessoais se tornou hoje matéria-prima livre, subordinada à dinâmica do mercado e substrato para análises comportamentais [5]. A autora alega que são reiteradamente coletados dados pessoais excessivos, que não possuem uso imediato pelas empresas, mas que formam o contingente de “excedente comportamental” (<i>behavioral surplus</i>).</p>
<p>Esses dados são utilizados para modelar produtos e serviços, bem como atuar como mecanismo de poder e controle para a obtenção de vantagem concorrencial no mercado. Mais que isso, esses usos subsequentes dos dados visam uma análise preditiva, constituindo informações valiosas para traçar perfis comportamentais humanos e saber o que desejam adquirir hoje e depois.</p>
<p>Em tempos de “<i>data-driven society</i>”, Zuboff traz peso para discutir as implicações desse comportamento econômico na própria natureza de como a humanidade pensa, compra e interage com as ferramentas tecnológicas.</p>
<p><a href="http://shoshanazuboff.com/">Shoshana Zuboff</a> Com quase 40 anos no cargo de professora da Escola de Negócios de Harvard (está entre as 10 primeiras professoras nessa faculdade), é hoje um dos grandes nomes globais na área de economia e novas tecnologias. Seu primeiro livro “In the Age of Smart Machine: The Future of Work and Power” (1988), estabeleceu bases para a compreensão de como as relações de trabalho podem ser afetadas pela evolução tecnológica da sociedade. Seu segundo livro “The Support Economy: Why Corporations Are Failing Individuals and the Next Episode of Capitalism” (2003), explora a mudança da era da massa para a era do indivíduo. Restabelecendo a evolução dos negócios como expressão da evolução da sociedade e, especificamente, a evolução do consumo.</p>
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<p><a href="https://www.amazon.com.br/gp/product/B005M43916/ref=as_li_tl?ie=UTF8&amp;camp=1789&amp;creative=9325&amp;creativeASIN=B005M43916&amp;linkCode=as2&amp;tag=j04df-20&amp;linkId=1e22bf4a039d2106a6b24f161e1ae546"><b>7) Helen Nissenbaum: </b><b>Privacy in Context: Technology, Policy, and the Integrity of Social Life</b></a></p>
<p>.<a href="https://www.amazon.com.br/gp/product/B005M43916/ref=as_li_tl?ie=UTF8&amp;camp=1789&amp;creative=9325&amp;creativeASIN=B005M43916&amp;linkCode=as2&amp;tag=j04df-20&amp;linkId=1e22bf4a039d2106a6b24f161e1ae546"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://ir-br.amazon-adsystem.com/e/ir?t=j04df-20&amp;l=am2&amp;o=33&amp;a=B005M43916" alt="" width="1" height="1" border="0" /></a></p>
<p><a href="https://www.amazon.com.br/gp/product/B005M43916/ref=as_li_tl?ie=UTF8&amp;camp=1789&amp;creative=9325&amp;creativeASIN=B005M43916&amp;linkCode=as2&amp;tag=j04df-20&amp;linkId=90265d8bff26105859df52210ecee22a" target="_blank" rel="noopener"><img decoding="async" class="aligncenter" src="https://ws-na.amazon-adsystem.com/widgets/q?_encoding=UTF8&amp;MarketPlace=BR&amp;ASIN=B005M43916&amp;ServiceVersion=20070822&amp;ID=AsinImage&amp;WS=1&amp;Format=_SL250_&amp;tag=j04df-20" alt="" border="0" /></a><img loading="lazy" decoding="async" src="https://ir-br.amazon-adsystem.com/e/ir?t=j04df-20&amp;l=am2&amp;o=33&amp;a=B005M43916" alt="" width="1" height="1" border="0" /></p>
<p>Em livro paradigmático na literatura de dados pessoais, Nissenbaum parte do pressuposto de que novos sistemas e práticas tecnológicas apresentam riscos adicionais à privacidade porque permitem o monitoramento, análise e difusão de dados pessoais, e argumenta que a tecnologia deve ser percebida como fenômeno social, cultural e político.</p>
<p>Diferentemente do comumente argumentado na literatura (e mesmo do indicado nos Fair Information Practice Principles da Federal Trade Commission (FTC) dos Estados Unidos), para a autora a proteção da privacidade não requer a prévia conceituação do que consiste privacidade, e não exige o sigilo da informação ou a garantia ao titular de controle sobre seus dados pessoais.</p>
<p>A proteção da privacidade seria, na verdade, garantida pelo devido fluxo de dados, concretizado pela observância do que ela chama de “integridade contextual” (<i>contextual integrity</i>). Isso significa que o devido fluxo de informações depende diretamente de quem é o titular de dados, de quem recebe os dados, da natureza da informação e da forma como o dado foi transmitido. Mais que isso, permite que proteção da privacidade seja praticada com base no contexto dentro do qual ocorre o fluxo de dados, sendo responsivo a distintas realidades históricas, culturais e geográficas.</p>
<p>Entre outros aspectos, sua obra fomenta a reflexão crítica e absolutamente atual sobre o desenho das novas leis de proteção de dados pessoais pelo mundo, que têm, em grande medida, espelhado o novo Regulamento Europeu de Proteção de Dados Pessoais (GDPR) sem necessariamente refletir sobre aspectos locais e culturais da proteção da privacidade.</p>
<p>Helen Nissenbaum é Professora na Cornell University e PhD em filosofia pela Universidade de Stanford. Sua pesquisa procura observar sob a perspectiva da ética temas relacionados à tecnologia, computação, ciência de dados e mídias sociais.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=2175406"><b>8) Julie Cohen: What Privacy is for</b></a></p>
<p>A autora busca afastar o entendimento de que a privacidade é antiquada ou socialmente retrógrada. Essa compreensão se dá em razão da compreensão da privacidade enquanto direito individual que muitas vezes se coloca diante do avanço de objetivos socialmente aplaudidos como a segurança nacional, a eficiência e o empreendedorismo.</p>
<p>Segundo a autora, essa compreensão seria equivocada porque o sujeito da privacidade é construído socialmente e tem na privacidade a garantia de liberdade e autodeterminação. Nesse contexto, a privacidade poderia até mesmo ser considerada revolucionária, na medida em que assegura defesa social contra esforços por parte do mercado ou do governo de produzir indivíduos estáticos e previsíveis. Em outras palavras, a privacidade seria uma defesa contra práticas de vigilância pública ou privada e garantia de cidadania reflexiva – e, consequentemente, da subsistência de Estados democráticos.</p>
<p>Além disso, Cohen argumenta que a liberdade contra vigilância é essencial para práticas inovadoras porque permite o pensamento crítico e a adoção de práticas de experimentação, bem como não restringe de plano possibilidades criativas. Em sociedade com demasiadas regras e sem a coexistência com o diferente, gerada pela padronização comportamental, não há espaço fértil para a inovação.</p>
<p>Diante dessa visão estrutural sobre o alcance da privacidade, argumenta ser necessário que a regulação existente sobre privacidade adote também uma abordagem estrutural. Isso significa que a normatização sobre privacidade deverá considerar tanto os aspectos episódicos como sistêmicos da vigilância pública e privada exercida sobre a sociedade.</p>
<p><a href="https://www.law.georgetown.edu/faculty/julie-e-cohen/">Julie Cohen</a> é professora na Universidade de Georgetown e PhD pela Universidade de Harvard. Sua pesquisa está relacionada a propriedade intelectual e privacidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://luc.edu/media/lucedu/law/students/publications/llj/pdfs/vol47/issue2/Powles.pdf"><b>9) Julia Powles: The Case That Won’t Be Forgotten</b></a></p>
<p>O julgamento em 2014 pela Corte Europeia de Justiça do caso <i>Costeja González vs. Google</i> reconheceu a existência na europa do chamado “direito ao esquecimento”, considerado então como o direito de desindexação de determinados conteúdos dos resultados de pesquisa em buscadores eletrônicos. Desde esse momento, o tema tem sido intensamente debatido não somente dentros dos limites jurisdicionais da decisão, mas também tem alcançado governos e acadêmicos globalmente.</p>
<p>Powles se coloca no debate para demonstrar que o tema é complexo e multifacetado, não devendo ser tratado de forma “tudo ou nada”. O debate sobre o direito ao esquecimento tem sido conduzido de tal forma que seria absolutamente impossível encontrar soluções intermediárias, que busquem formas de compatibilizar a liberdade de expressão e a privacidade. Conforme demonstra, isso teria se dado muito em função do papel exercido pelo Google na construção e divulgação de narrativa que favorece seus interesses e se contrapõe à decisão da Corte Européia.</p>
<p>Para a autora, a decisão seria uma grande vitória porque, ainda que de forma incompleta, reconhece como direito fundamental a proteção de dados pessoais. Mais que isso, entende que a decisão deve ser interpretada de forma contextualizada, considerando especialmente (i) o grande poder informacional exercido pelos grandes mecanismos de busca como instrumentos de fornecimento de verdades, história e memória; (ii) o grande contraste entre as aspirações da Regulação Europeia de Proteção de Dados Pessoais (<i>General Data protection Regulation</i> ou “GDPR”) e dos provedores e usuários de internet; e (iii) o estado de vigilância existente no século XXI.</p>
<p>Ao final, argumenta que não há hoje diferença significa entre o que chama de “vida real” e “vida digital”, de modo que seria necessário tutelar a privacidade <i>online</i> com o mesmo cuidado que a privacidade <i>offline </i>(com nuances, simpatia e respeito). Assim, conclui que o direito humano de divulgar e obter informação deve ser devidamente compatibilizado com o direito de não expor, resistir ou silenciar.</p>
<p><a href="https://www.lml.law.cam.ac.uk/people/Research-Scholars-Associates/Julia-Powles">Julia Powles</a> é pesquisadora pela Universidade de Cambridge e contribui com o jornal inglês  The Guardian. É PhD pela Universidade de Cambridge e mestra pela Universidade de Oxford. Possui vasta experiência em temas relacionados à Propriedade Intelectual, mas atualmente desenvolve estudos sobre compartilhamento de dados, inteligência artificial e saúde, privacidade e segurança da informação, ética e estudo em big data, entre outros.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/1369118X.2012.678878"><b>10) danah boyd &amp; Kate Crawford: Critical questions for Big Data</b></a></p>
<p>A larga adoção de novas tecnologias, muitas interconectadas e com grande capacidade de processamento de dados, tem permitido a produção de quantidade massiva de dados. Segundo boyd e Crawford, ainda que as potencialidades e os obstáculos no uso dessa grande quantidade de dados estejam sendo largamente debatidos e estudados, se faz necessário levantar reflexões críticas sobre o que esses dados significam, quem acessa qual dado, como ele é utilizado e para quais finalidades.</p>
<p>Em razão disso, apresentam brevemente conceito de Big Data e passam a abordar seis dos possíveis aspectos de reflexão crítica sobre a utilização desses dados. Nesse sentido, entendem que Big Data é fenômeno cultural, tecnológico e acadêmicos que envolve a maximização da capacidade computacional e precisão algoritmica; análise de grande quantidade de dados para identificar padrões; e uma larga crença de que grandes bases de dados oferecem inteligência e conhecimento antes impossíveis.</p>
<p>Em seguida, passam a problematizar aspectos relacionados ao Big Data, que podem ser sistematizados nos seguintes verbetes: (1) Big Data muda as definições sobre conhecimento; (2) as alegações de objetividade e precisão são enganosas; (3) Maiores quantidades de dados (Bigger Data) não são sempre melhores dados (Better Data); (4) se removido fora de seu contexto, Big Data perde seu significado; (5) a publicidade do dado não pressupõe que o tratamento será ético; e (6) acesso restrito a Big Data cria novas formas de segmentação social.</p>
<p>Esta é certamente uma leitura fácil, prazerosa e extremamente instigante para qualquer pessoa envolvida em atividades de processamento de dados pessoais.</p>
<p><a href="http://www.danah.org/">danah boyd</a> é pesquisadora na Microsoft Research e fundadora do Data &amp; Society. É professora visitante na Universidade de Nova York (NYU), PhD pela School of Information (iSchool) na Universidade da Califórnia – Berkley, e mestra pelo MIT Media Lab. Sua pesquisa é destinada a examinar a relação entre tecnologia e sociedade, com foco no uso de redes sociais por menores de idade e nas desigualdades relacionadas à tecnologia.</p>
<p><a href="https://datasociety.net/people/crawford-kate/">Kate Crawford</a> é pesquisadora na Microsoft Research, professora visitante no MIT’s Center for Civic Media, Senior Fellow no NYU’s Information Law Institute e compõe o conselho consultivo do Information Program at George Soros’ Open Society Foundation e do The New Museum’s art and technology incubator NEW INC. Sua pesquisa é destinada a verificar os impactos sociais de big data.</p>
<p>————————————–</p>
<p>[1] Disponível em <a href="https://medium.com/international-affairs-blog/challenging-the-gender-citation-gap-what-journals-can-do-f79e0b831055">https://medium.com/international-affairs-blog/challenging-the-gender-citation-gap-what-journals-can-do-f79e0b831055</a> Acesso em 24.03.2019.</p>
<p>[2] Outro elemento que influencia na progressão feminina no mercado está a participação da mulheres em eventos e demais espaços de produção de conhecimento sobre a proteção de dados pessoais.</p>
<p>[3] DION, Michelle L.; SUMNER, Jane Lawrence; MITCHELL, Sara McLaughlin. Gendered citation patterns across political science and social science methodology fields. <b>Political Analysis</b>, v. 26, n. 3, p. 312-327, 2018. Disponível em: <a href="https://www.cambridge.org/core/journals/political-analysis/article/gendered-citation-patterns-across-political-science-and-social-science-methodology-fields/5E8E92DB7454BCAE41A912F9E792CBA7">https://www.cambridge.org/core/journals/political-analysis/article/gendered-citation-patterns-across-political-science-and-social-science-methodology-fields/5E8E92DB7454BCAE41A912F9E792CBA7</a> Acesso em 24.03.2019</p>
<p>[4] WARREN, Samuel D. BRANDEIS,  Louis D. <b>The Right to Privacy</b>. Harvard Law Review, Vol. 4, No. 5. (Dec. 15, 1890), pp. 193-220. Disponível em <a href="https://www.cs.cornell.edu/~shmat/courses/cs5436/warren-brandeis.pdf">https://www.cs.cornell.edu/~shmat/courses/cs5436/warren-brandeis.pdf</a>. Acesso em 26.03.2019.</p>
<p>[5] Disponível em <a href="http://nymag.com/intelligencer/2019/02/shoshana-zuboff-q-and-a-the-age-of-surveillance-capital.html">http://nymag.com/intelligencer/2019/02/shoshana-zuboff-q-and-a-the-age-of-surveillance-capital.html</a>. Acesso em 25.03.2019.</p>
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		<title>A participação de mulheres e meninas na ciência</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Cecília]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Feb 2023 13:30:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
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		<category><![CDATA[mulheres e meninas na ciência]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), desde 2015, comemora no dia 11 de fevereiro o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. A data faz parte de um compromisso global assumido pela organização na busca por maior igualdade de direitos entre homens e mulheres, principalmente em [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), desde 2015, comemora no dia 11 de fevereiro o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. A data faz parte de um compromisso global assumido pela organização na busca por maior igualdade de direitos entre homens e mulheres, principalmente em relação à educação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Meninas e meninos têm o mesmo potencial para seguir carreira em áreas da ciência. Contudo, a diferença principal são os obstáculos enfrentados por cada grupo, dificultando o acesso à educação de qualidade e o estímulo adequado para persistirem nos estudos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conheça alguns dados importantes para o cenário de participação de mulheres e meninas na ciência e veja algumas ações práticas que estão sendo desenvolvidas para mudar essa conjuntura. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><b>Dados da participação de mulheres e meninas na ciência</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">De acordo com dados da própria UNESCO, apenas cerca de </span><a href="http://uis.unesco.org/sites/default/files/documents/fs60-women-in-science-2020-en.pdf" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">30% dos cientistas em todo o mundo são mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;"> (dados de 2017). Na América Latina, cerca de 45% são mulheres — o segundo melhor resultado entre os continentes. Os dados para o Brasil são feitos a partir de estimativas e estão entre 45% e 55%. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No dia 9 de fevereiro, a </span><a href="https://news.un.org/pt/story/2023/02/1809497" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Comissão Econômica da ONU para América Latina e Caribe, a Cepal</span></a><span style="font-weight: 400;">, reuniu autoridades para discutir a implementação de políticas de igualdade de gênero. O Secretário Executivo da Cepal, José Manuel Salazar-Xirinachs mencionou que nos setores de engenharia, indústria e construção, a participação feminina é de apenas 30,8% no ensino superior, e tecnologias de informação e comunicação, com apenas 18% de estudantes mulheres.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dados de 2015 mostram que as mulheres detêm aproximadamente 54% dos diplomas de Mestrado e Doutorado no Brasil — um aumento de 10% em relação às duas décadas anteriores, segundo a pesquisa “</span><a href="https://www.cgee.org.br/web/rhcti/mestres-e-doutores-2015" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Mestres e Doutores 2015 — Estudos da demografia da base técnico-científica brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;">”. Contudo, quando olhamos para áreas como Matemática e Ciência Computacional, elas são menos de 25%, como explica a pesquisadora Fernanda de Negri no artigo “Women in Science: still invisible” no relatório “The Status of Women in Brazil: 2019”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda segundo Negri, outro ponto de atenção é a presença de mulheres no topo da carreira. Por aqui, pesquisadores com um elevado nível de produtividade recebem um subsídio do governo como forma de incentivo ao trabalho e, segundo dados de 2018, apenas 24% eram mulheres. E mais: apenas 14% dos membros da Academia Brasileira de Ciências são mulheres. </span></p>
<p><a href="https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101784_informativo.pdf" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Segundo dados de 2019 do IBGE</span></a><span style="font-weight: 400;">, as mulheres são 46,8% dos professores do Ensino Superior, um aumento de cerca de 3% em relação a 2013. Em cargos de gerência, apenas 37% deles são ocupados por elas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fernanda de Negri menciona ainda que uma pesquisa da revista Nature afirmou que 70% dos artigos científicos publicados por brasileiros foram escritos por mulheres nos anos de 2012 a 2018. Isso evidencia que não só existem mulheres interessadas em produzir ciência como elas estão ativamente fazendo parte desse setor e, ainda assim, continuam sub-representadas nos cargos mais altos da carreira. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><b>A importância da interseccionalidade</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2022, aconteceu o evento </span><a href="https://www.nature.com/articles/d41586-022-00722-2" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">“Breaking Barriers for Gender Equity Through Research”</span></a><span style="font-weight: 400;">, organizado e apresentado por editores da Springer Nature. Nele, cientistas de áreas como física e matemática puderam falar sobre a sub-representação de mulheres pesquisadoras nessas áreas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um tema recorrente nas apresentações foi a necessidade de ações que considerem a interseccionalidade como fator. Isto é, mulheres que são parte de outra minoria, como raça, classe ou identidade de gênero, tendem a ter uma representação ainda menor. </span></p>
<p><a href="https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101784_informativo.pdf" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Voltando aos dados do IBGE,</span></a><span style="font-weight: 400;"> uma pessoa do sexo feminino, com mais de 14 anos e que se declara da cor branca, gasta em média 20 horas semanais com cuidados pessoais ou afazeres domésticos. Enquanto isso, esse mesmo perfil, mas com a autodeclaração de pele parda ou preta, gasta em média 22 horas. Homens, de qualquer perfil, gastam entre 10 e 11 horas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais horas de dedicação aos cuidados domésticos significa, em muitos casos, menos horas disponíveis para estudo e dedicação à carreira. A diferença entre pessoas brancas e de pele parda ou preta, muitas vezes, está pautada também pela renda, aumentando a distância entre os dois cenários. Por isso, mais do que a inserção de mulheres, é importante pensar também em ampliar os perfis de participação. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><b>Como estimular o ingresso de meninas na ciência? </b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Começa na base da educação o caminho para garantir que mais mulheres participem da produção de ciência no Ensino Superior. Por isso, é fundamental garantir que meninas tenham não só acesso à educação de qualidade, mas sejam estimuladas a participar desses setores.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As campanhas e informações e sensibilização sobre o tema também são importantes para que o problema seja reconhecido para começar a ser discutido e, quem sabe, transformado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No artigo </span><a href="https://www.theguardian.com/women-in-leadership/women-leadership-blog/2014/oct/20/women-science-engineering-under-representation"><span style="font-weight: 400;">“Why women are under-represented in science and engineering”</span></a><span style="font-weight: 400;">, publicado no The Guardian, a professora Julia King afirma que a confiança, a visibilidade e a linguagem são alguns dos motivos para a sub-representação de mulheres na ciência e na engenharia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela explica que ao dizer que bonecas são para meninas e Lego são para meninos, estamos condicionando crianças a acreditarem que atividades práticas não são para garotas. Isto é, a sociedade não tem confiança de que elas possam executar bem esse tipo de atividade. Essa perspectiva é evidenciada por King ao mencionar que apenas 30% dos homens dizem ter algum tipo de questionamento sobre a própria capacidade, enquanto as mulheres são 50%. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto é a linguagem: o discurso da ciência e dos cientistas é sempre direcionado a homens usando palavras no masculino. Uma pesquisa conduzida desde os anos 1960 demonstra muito bem a potência dessa ideia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há cerca de 50 anos pesquisadores vêm conduzindo a experiência </span><a href="https://www.edutopia.org/article/50-years-children-drawing-scientists/"><span style="font-weight: 400;">“Draw a scientist”</span></a><span style="font-weight: 400;">, em português, “Desenhe um/a cientista” — termo que, em inglês, não carrega marcas de gênero. O experimento é feito com crianças de 11 anos e pede que elas desenhem um/a cientista fazendo ciência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na primeira rodada do teste, em 1966, de 5.000 desenhos analisados, apenas 28 representavam uma cientista mulher — todos feitos por meninas. Em 2016, cerca de 58% das meninas e 28% de todos os estudantes fizeram o desenho do sexo feminino. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos últimos anos o estudo foi ampliado para crianças de outras idades e outra questão surgiu para os pesquisadores: quanto mais avançada a idade dos alunos, menor a porcentagem de cientistas mulheres nos desenhos. Isso demonstra que a mudança vem acontecendo, e as meninas estão à frente desse processo, mas ainda falta um importante caminho a ser trilhado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os resultados desse estudo também estão conectados com o terceiro ponto levantado no artigo da professora Julia King: visibilidade. Para que meninas vejam a carreira na ciência como opções viáveis ou possíveis, elas precisam ver que existem outras mulheres nesse caminho. Ter acesso a modelos de representação é fundamental. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><b>Projetos que apoiam a inserção de mulheres e meninas na ciência</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Como inspirar mudanças como essa vista nos estudos do “Draw a scientist”? Existem diversos projetos que estão nesse caminho e separamos aqui algumas iniciativas nacionais e internacionais: </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><b>Sudeste</b></h3>
<p><a href="http://meninaciencia.each.webhostusp.sti.usp.br/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Vai ter menina na ciência</span></a></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O evento planeja incentivar estudantes (meninas) do ensino fundamental 2 (oitavo e nono anos) e ensino médio (estudantes-meninas de cursinho também) em carreiras relacionadas com Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. (USP/SP)</span></p>
<p><a href="http://each.uspnet.usp.br/petsi/grace/?page_id=94" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Incentivando Garotas na Computação </span></a></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Projeto que visa contribuir com a aproximação de meninas adolescentes à carreira da Computação. (USP/SP)</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><b>Nordeste </b></h3>
<p><a href="https://www.gov.br/cetene/pt-br/areas-de-atuacao/futuras-cientistas" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Programa Futuras Cientistas</span></a></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Futuras Cientistas é um programa do Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene) que estimula o contato de alunas e professoras da rede pública de ensino com as áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática; a fim de contribuir com a equidade de gênero no mercado profissional. </span></p>
<p><a href="https://edu.ieee.org/br-ufcg-wie/engenheiras-da-borborema/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Engenheiras da Borborema</span></a></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Projeto criado na Universidade Federal de Campina Grande, na Paraíba, que tem como objetivo levar conhecimento da Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM) a alunas do ensino médio de escolas públicas e incentivá-las a seguirem carreiras nessa área. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><b>Centro-Oeste </b></h3>
<p><a href="https://www.meninas.cic.unb.br/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Meninas.comp</span></a></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Meninas.comp é um projeto que fomenta a inclusão de meninas de escolas públicas do Distrito Federal por meio de iniciativas que estimulam esse público a ingressar em cursos ocupados majoritariamente por homens. O projeto foi idealizado por professoras do Departamento de Ciência da Computação da Universidade de Brasília </span></p>
<p><a href="https://meninas.sbc.org.br/sobre/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Programa Meninas Digitais</span></a></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Programa Meninas Digitais pretende divulgar a área de Computação e suas tecnologias para despertar o interesse de meninas estudantes do ensino médio em seguir uma carreira em Computação e está sob a coordenação da Secretaria Regional da Sociedade Brasileira de Computação (SBC) em Mato Grosso. </span></p>
<p><a href="https://www.instagram.com/investigamenina/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Projeto Investiga Menina!</span></a></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Projeto de Goiânia, Goiás, com o objetivo de promover ações coletivas para o benefício da comunidade escolar, visando proporcionar experiências e informações sobre as contribuições das mulheres para a criação de recursos científicos e tecnológicos. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h3><b>Sul </b></h3>
<p><a href="https://meninasemulheresnascienciasufpr.blogspot.com/" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Projeto de Extensão Mulheres e Meninas na Ciência</span></a></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O projeto da Universidade Federal do Paraná visa estimular a formação, inserção e manutenção científica, acadêmica e tecnológica de meninas e mulheres nas ciências e qualificar docentes e estudantes. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>10 obras de privacidade e proteção de dados escritas por mulheres</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Cecília]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Apr 2019 19:35:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Você já se perguntou quantas autoras da área de proteção de dados pessoais você conhece? Consegue lembrar de livros e artigos que você leu sobre o tema e que foram escritos por mulheres? Ainda, sabe quantas autoras você cita nas referências dos seus artigos e demais trabalhos acadêmicos? De fato, muitas mulheres possuem produções relevantes [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Você já se perguntou quantas autoras da área de proteção de dados pessoais você conhece? Consegue lembrar de livros e artigos que você leu sobre o tema e que foram escritos por mulheres? Ainda, sabe quantas autoras você cita nas referências dos seus artigos e demais trabalhos acadêmicos?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De fato, muitas mulheres possuem produções relevantes na área de proteção a dados pessoais. Em todo o mundo mulheres estão ativamente envolvidas na prática de proteção de dados pessoais e estão se posicionando enquanto importantes referenciais teóricos para a construção do pensamento sobre o tema. Através de uma perspectiva holística, podemos encontrar referenciais com diferentes áreas de atuação, como matemática, filosofia, jurídica, economia e, que contribuem para a construção de uma narrativa multidisciplinar e aprofundada sobre a construção do pensamento e reflexão sobre o tema.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para tanto, criamos uma lista com alguns dos trabalhos de somente algumas das diversas profissionais, brasileiras ou estrangeiras, inspiradoras nessa área.</span></p>
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