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	<title>Arquivos economia da atenção - Maria Cecília</title>
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		<title>Pensamento acelerado: por que estamos vivendo na velocidade 2x?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Cecília]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Sep 2023 20:16:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filosofia da Tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[economia da atenção]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em um mundo dominado pela tecnologia e pela constante busca por informação, o pensamento acelerado tornou-se regra. Vivemos em uma era onde a velocidade é valorizada acima de tudo, e isso se reflete em todas as facetas da nossa vida, incluindo a maneira como consumimos conteúdo em vídeo e a nossa percepção sobre a realidade [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Em um mundo dominado pela tecnologia e pela constante busca por informação, o pensamento acelerado tornou-se regra. Vivemos em uma era onde a velocidade é valorizada acima de tudo, e isso se reflete em todas as facetas da nossa vida, incluindo a maneira como consumimos conteúdo em vídeo e a nossa percepção sobre a realidade do mundo em que vivemos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste artigo, exploraremos o impacto do pensamento acelerado em nossa sociedade, especialmente no contexto do consumo de conteúdo na internet, e refletiremos sobre a necessidade de encontrar um equilíbrio entre a busca por informações rápidas e a valorização da qualidade e a profundidade de nossas experiências digitais.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><b>Efeitos da aceleração de vídeos na aprendizagem e na vida cotidiana</b></h2>
<p><a href="https://onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1002/acp.3899"><span style="font-weight: 400;">Uma pesquisa realizada em 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, pela Universidade da Califórnia, procurou entender o impacto da velocidade acelerada na educação, especialmente entre os jovens. Os resultados mostraram que assistir vídeos em velocidades de 1.0x, 1.5x ou 2.0x não teve um impacto significativo no aprendizado. No entanto, houve uma queda no desempenho quando a velocidade ultrapassou 2.0x. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É importante notar que a pesquisa fez uma ressalva, sugerindo que a relação entre velocidade de reprodução e aprendizado pode variar dependendo da complexidade do conteúdo ou da presença de elementos visuais sobrepostos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra pesquisa, uma </span><a href="https://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2023/05/27/nao-tenho-paciencia-43percent-da-populacao-brasileira-vive-em-ritmo-muito-acelerado-diz-datafolha.ghtml"><span style="font-weight: 400;">conduzida pelo Datafolha</span></a><span style="font-weight: 400;">, revelou que 43% da população brasileira vive em um ritmo de vida duas vezes mais acelerado do que o normal. Nove em cada dez pessoas não se sentem calmas. Michelle Prazeres, fundadora do </span><a href="https://www.desacelera.org.br/"><span style="font-weight: 400;">Instituto Desacelera</span></a><span style="font-weight: 400;">, descreve essa sensação como a &#8220;aceleração social do tempo&#8221;, em que as mudanças acontecem em ritmo acelerado, dando a impressão de que tudo está ocorrendo mais rapidamente.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><b>Pensamento acelerado: consumo na velocidade 2x</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">A era digital trouxe consigo uma enxurrada de conteúdo em vídeo, e não é segredo que essa mídia se tornou a grande aposta de empresas e influenciadores. </span><a href="https://exame.com/bussola/52-dos-profissionais-de-marketing-investem-no-conteudo-em-video-diz-estudo-da-getty-images/"><span style="font-weight: 400;">Segundo uma pesquisa da Getty Images,</span></a><span style="font-weight: 400;"> aproximadamente 52% dos profissionais de </span><i><span style="font-weight: 400;">marketing</span></i><span style="font-weight: 400;"> estão aumentando seus investimentos no conteúdo de vídeo, argumentando que os vídeos são ideais para transmitir informações complexas, criar um senso de imediatismo e alcançar diversos públicos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A tendência é tão dominante que até mesmo os </span><i><span style="font-weight: 400;">podcasts</span></i><span style="font-weight: 400;">, originalmente concebidos como conteúdo de áudio, adotaram um modelo híbrido, incorporando elementos visuais em suas gravações.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além das estratégias de </span><i><span style="font-weight: 400;">marketing</span></i><span style="font-weight: 400;"> e das redes sociais, a profusão de conteúdo sob demanda disponível </span><i><span style="font-weight: 400;">online</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem aproximado as pessoas cada vez mais dos vídeos. Séries, filmes, cursos e tutoriais estão acessíveis de forma gratuita ou a preços bastante acessíveis nas plataformas de <em>streaming</em>. No entanto, a oferta maciça de conteúdo coloca um dilema: como encaixar tudo isso nas nossas vidas diárias?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante desse dilema, muitos recorrem ao recurso de acelerar a reprodução de vídeos. A maioria dos <em>players</em> de vídeo atualmente oferece essa função, permitindo que os espectadores reduzam o tempo de exibição ou acelerem a reprodução em 1x, 1.5x, 2x e, em alguns casos, até 2.5x e 3x em comparação com a velocidade original.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao assistir conteúdos que sejam destinados a momentos de lazer na velocidade 2x, há um comprometimento da compreensão da história. As produções cinematográficas muitas vezes são criadas com ritmos específicos, pausas deliberadas e momentos de reflexão essenciais para a apreciação e construção da narrativa. Ao acelerar o conteúdo, perdemos essas nuances, diminuindo a qualidade da nossa experiência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse modelo de consumo de conteúdo também age ampliando a cultura do pensamento acelerado, onde a otimização do tempo é valorizada acima de tudo. Estamos realmente absorvendo o conteúdo de maneira significativa ou apenas consumindo informações de maneira superficial? Estamos vendo porque queremos ver ou por que consideramos uma obrigação estar por dentro dos últimos lançamentos e, por isso, a experiência não importa mais e sim o consumo por si só? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O pensamento acelerado não se limita apenas ao consumo de mídia. Ele se estende às nossas vidas pessoais e profissionais, onde muitas vezes nos sentimos sobrecarregados pela necessidade de fazer mais em menos tempo. Isso pode resultar em níveis elevados de estresse, falta de foco e uma sensação constante de pressa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A prática de assistir vídeos em alta velocidade é um sintoma de uma sociedade que valoriza a velocidade e a produtividade acima de tudo. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><b>Sobrecarga de informações ou </b><b><i>information overload </i></b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra questão importante para essa discussão é o conceito de sobrecarga de informações — em inglês, </span><i><span style="font-weight: 400;">information overload</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://iorgforum.org/"><span style="font-weight: 400;">O Grupo de Pesquisa sobre Sobrecarga de Informação (IORG)</span></a><span style="font-weight: 400;"> explica que essa condição ocorre quando as informações disponíveis superam a capacidade de processamento do indivíduo no tempo disponível. Essa sobrecarga é uma consequência da produção constante e da disseminação massiva de informações, impulsionada por três fatores principais: </span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">a coleta excessiva de dados: são tantas informações que não somos capazes de filtrar, processar e analisar tudo de forma adequada;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">a falta de tempo para processar esses materiais devido à quantidade de prioridades e prazos que precisamos cumprir; e</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">a presença de informações de qualidade duvidosa e a incapacidade de determinar o que é realmente confiável e válido. </span></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">A aceleração do consumo de vídeos parece oferecer uma solução para lidar com essa sobrecarga. A ideia é simples: em menos tempo, é possível acessar mais informações e decidir o que é relevante. No entanto, vale a pena questionar os custos dessa escolha para a nossa saúde física e mental. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><b>Impactos do pensamento acelerado na concentração e no foco</b></h2>
<p><a href="https://www.forbes.com/sites/shanesnow/2023/01/16/science-shows-humans-have-massive-capacity-for-sustained-attention-and-storytelling-unlocks-it/?sh=5c1da5411a38"><span style="font-weight: 400;">Em 2015, surgiu na internet notícias de uma pesquisa que dizia que humanos estavam com uma capacidade de concentração de apenas oito segundos</span></a><span style="font-weight: 400;"> — menor que a de um peixinho-dourado. Pesquisadores da área disseram que aquele dado não existia e a fonte original da notícia acabou admitindo que o conteúdo era falso. Mesmo assim, a notícia causou comoção e até hoje há quem acredite nela. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa pesquisa não era real, mas existe sim um impacto das tecnologias atuais em nossa capacidade de concentração. </span><a href="https://time.com/6302294/why-you-cant-focus-anymore-and-what-to-do-about-it/"><span style="font-weight: 400;">Pesquisas realizadas pela professora de informática Gloria Mark, da Universidade da Califórnia</span></a><span style="font-weight: 400;">, mostraram que a mudança de foco das pessoas enquanto usam dispositivos eletrônicos ocorre em intervalos cada vez menores. No início dos anos 2000, a média era de 2,5 minutos e, segundo ela, recentemente, esse tempo diminuiu para alarmantes 47 segundos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos motivos é que nosso cérebro está condicionado a uma busca permanente por novidade. Os algoritmos das redes sociais e aplicativos nos fazem acreditar que precisamos verificar imediatamente nossas mensagens, redes sociais e notificações. Esse comportamento, alimentado pelo desejo de agilidade, está diretamente relacionado ao hábito de assistir vídeos em velocidade aumentada.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><b>Repensando prioridades e diminuindo o ritmo</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Num cenário onde a velocidade e a incessante busca por informações são tão centrais, a prática de acelerar a reprodução de vídeos surge como tática para lidar com a imensa quantidade de conteúdo disponível. No entanto, esta tendência requer uma análise que vá além do indivíduo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As empresas de tecnologia desempenham um papel significativo ao promover essa cultura de consumo acelerado, enquanto enfrentam demandas cada vez maiores por produtividade. Quanto mais tempo os usuários passam navegando em redes sociais, assistindo a vídeos ou interagindo com aplicativos, maior a receita gerada por meio de anúncios e serviços </span><i><span style="font-weight: 400;">premium</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os usuários são cada vez mais pressionados a acompanhar o ritmo frenético de novidades e lançamentos, consumindo rapidamente uma quantidade cada vez maior de informações e conteúdo. No meio de tudo isso, estão muitos aspectos da vida cotidiana, incluindo trabalho e educação, que agora estão profundamente interligados com a tecnologia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A pressão também está em realizar mais tarefas em menos tempo. Isso se traduz em práticas como multitarefa constante e a busca por maneiras de consumir informações mais rapidamente — e a aceleração de vídeos entra como uma ferramenta para atingir esses objetivos. </span></p>
<p><strong>E, como sabemos, essa necessidade de realizar cada vez mais tarefas em menos tempo tem como consequência o aumento nos níveis de estresse, esgotamento e até mesmo a uma redução na qualidade do trabalho ou da aprendizagem. </strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao invés de se concentrar exclusivamente na velocidade do consumo, é essencial repensar nossas prioridades e, simultaneamente, exigir uma abordagem mais ética e responsável por parte das corporações que moldam nossa experiência digital. Por que estamos constantemente imersos em um ritmo frenético de busca por informações e como isso afeta nossa qualidade de vida? Como as redes sociais, celulares, aplicativos impactam e estimulam esse comportamento? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A busca por uma vida menos acelerada, com espaço para reflexão, contemplação e aprofundamento, deve ser uma meta coletiva em oposição a uma sociedade que valoriza cada vez mais a produtividade, mas muitas vezes negligencia a saúde, bem-estar e necessidades básicas dos indivíduos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Repensar a prática do consumo acelerado de vídeos é um convite para uma análise mais profunda sobre como escolhemos viver nossas vidas. Em um mundo cada vez mais rápido e saturado de informações, é preciso refletir sobre o que estamos escolhendo e o que estamos apenas deixando que seja escolhido por nós. </span></p>
<p><b>Indicações </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">[Site] O site do </span><a href="https://iorgforum.org/"><span style="font-weight: 400;">Grupo de Pesquisa sobre Sobrecarga de Informação (IORG)</span></a><span style="font-weight: 400;"> está cheio de indicações de leituras, vídeos e entrevistas sobre o tema. </span></p>
<p><a href="https://iorgforum.org/io-basics/"><span style="font-weight: 400;">https://iorgforum.org/io-basics/</span></a><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">[Livro] </span><a href="https://www.amazon.com/How-Do-Nothing-Resisting-Attention/dp/1612197493"><span style="font-weight: 400;">How to do nothing </span></a></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Parece impossível fugir de toda essa tecnologia e necessidade de produção, mas o livro da artista e crítica Jenny Odell quer ser um guia para romper com essa lógica. Em “How to do nothing”, a autora fala da importância de valorizar o ato de não fazer nada, sem sentir culpa, em oposição a essa “economia da atenção”.</span></p>
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		<title>Tempo no celular: os problemas do consumo de um conteúdo interminável</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Cecília]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Jul 2023 13:09:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Redes sociais]]></category>
		<category><![CDATA[economia da atenção]]></category>
		<category><![CDATA[redes sociais]]></category>
		<category><![CDATA[tempo no celular]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em um mundo cada vez mais conectado, onde os avanços tecnológicos nos permitem acessar uma infinidade de informações e de entretenimento com apenas alguns toques na tela do celular, é inevitável questionar: em quê estamos perdendo tanto tempo todos os dias? Por que temos a percepção de que 24 horas não é mais suficiente? Estamos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Em um mundo cada vez mais conectado, onde os avanços tecnológicos nos permitem acessar uma infinidade de informações e de entretenimento com apenas alguns toques na tela do celular, é inevitável questionar: em quê estamos perdendo tanto tempo todos os dias? Por que temos a percepção de que 24 horas não é mais suficiente? Estamos vivendo plenamente ou apenas consumindo conteúdos de forma automática e interminável?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um estudo realizado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), entre os anos de 2016 e 2021, revelou que os moradores das capitais brasileiras aumentaram o tempo gasto com dispositivos móveis, como celulares, computadores e tablets, de 1,7 para 2 horas por dia. O estudo feito pelo Programa de Pós-graduação em Saúde Pública da Faculdade de Medicina coordenada pelo professor Rafael Moreira Claro, resultou no artigo </span><i><span style="font-weight: 400;">Changes in Screen Time in Brazil: A Time-Series Analysis 2016-2021, </span></i><a href="https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/08901171231152147"><span style="font-weight: 400;">publicado no American Journal of Health Promotion</span></a><span style="font-weight: 400;">, no início desse ano. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse aumento, que é bastante significativo, nos leva a refletir sobre como os celulares têm mudado como nos comunicamos e interagimos, e também sobre os desafios que isso implica para o aproveitamento adequado do nosso tempo. Um grande problema é a tendência ao consumo automático de conteúdo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O acesso rápido e fácil às redes sociais, e-mails, notícias e jogos pode facilmente nos envolver em um ciclo vicioso de rolagem infinita. O que começa como uma tarefa rápida no celular, como verificar uma mensagem, pode facilmente se transformar em horas desperdiçadas, desviando nossa atenção de atividades mais importantes e significativas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo artigo da BBC, </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c6pln490eleo"><span style="font-weight: 400;">Como celulares mudaram nossos cérebros</span></a><span style="font-weight: 400;">, os impactos são tanto diretos quanto indiretos. Além das horas perdidas nesse rolar infinito, a mera existência dos celulares já se tornou um problema. Isso porque, em muitos momentos, nosso cérebro luta para inibir esse desejo de estar sempre no celular, gerando um cansaço que nem sequer nos damos conta. Esse excesso de informação e de tarefas que desempenhamos é bastante debatido por Byung-Chul Han em seu livro A Sociedade do Cansaço.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa sensação de estar sendo &#8220;sugado pela tela que rola sem parar&#8221;, como descreve o artigo da BBC, é uma realidade comum para muitos de nós. As notificações constantes, os vídeos sugeridos e os </span><i><span style="font-weight: 400;">feeds</span></i><span style="font-weight: 400;"> intermináveis contribuem para um ambiente digital que nos mantém presos e nos impede de controlar conscientemente o tempo que passamos consumindo conteúdo. O medo de não estar conectado começou a ser chamado inclusive de </span><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/saude/audio/2022-12/o-medo-de-ficar-desconectado-pelo-celular-tem-nome-nomofobia#:~:text=Voc%C3%AA%20sabe%20o%20que%20%C3%A9,t%C3%AAm%20de%20n%C3%A3o%20ficar%20conectados."><span style="font-weight: 400;">nomofobia</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O uso prolongado de celulares e dispositivos móveis tem sido objeto de preocupação quando se trata do desenvolvimento cognitivo e seus impactos na saúde mental. Conforme mencionado </span><a href="https://oglobo.globo.com/saude/medicina/noticia/2023/05/drenagem-cerebral-o-uso-exagerado-do-celular-suga-nossa-capacidade-cognitiva-diz-novo-estudo-entenda.ghtml"><span style="font-weight: 400;">no artigo do Globo</span></a><span style="font-weight: 400;">, especialistas ressaltam a importância da educação digital como uma ferramenta essencial para lidar com os riscos associados a esse uso excessivo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando estamos constantemente imersos em um fluxo interminável de informações, seja através de redes sociais, notícias ou outros conteúdos online, nosso cérebro enfrenta desafios significativos. A sobrecarga cognitiva decorrente do processamento contínuo dessas informações pode levar a um funcionamento cerebral comprometido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O artigo menciona ainda estudos que têm demonstrado que o uso excessivo de dispositivos móveis pode ter efeitos negativos no desenvolvimento cognitivo, especialmente em crianças e adolescentes. O cérebro em desenvolvimento é particularmente sensível a estímulos externos, e o consumo constante de conteúdo digital pode prejudicar habilidades como a atenção, a concentração e a capacidade de raciocínio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A dependência digital e o uso compulsivo de celulares têm sido associados a problemas de saúde mental, como ansiedade, depressão e isolamento social. A constante exposição a imagens idealizadas nas redes sociais também pode gerar sentimentos de inadequação e baixa autoestima.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"></span><span style="font-weight: 400;">No entanto, a culpa não deve recair apenas nos dispositivos móveis ou nas redes sociais em si. Eles são ferramentas poderosas, capazes de conectar pessoas, fornecer informações valiosas e oferecer entretenimento. O problema reside na forma como as utilizamos, sim, mas também nas estratégias usadas pelas grandes empresas para nos prender ali pelo maior tempo possível. Elas desempenham um papel central no desenvolvimento e na implementação de estratégias que buscam prender as pessoas a seus produtos, incentivando o uso contínuo e prolongado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essas empresas empregam táticas de </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> persuasivo, utilizando-se de técnicas psicológicas para maximizar a retenção dos usuários. Cada detalhe de uma rede social é construído para prender as pessoas. Dentro desse planejamento, estão inclusive os nossos sentimentos e a sensação de prazer que sentimos, devido a liberação de dopamina, por estar ali assistindo a horas e horas de vídeos intermináveis. Recursos como notificações constantes, mecanismos de recompensa, algoritmos de recomendação personalizada e a criação de interfaces altamente envolventes são projetados para manter as pessoas &#8220;presas&#8221; em suas plataformas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É crucial que esse desenvolvimento seja questionado e a transparência e a prestação de contas são elementos essenciais nesse processo. As práticas de </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> e os algoritmos utilizados devem ser abertos ao escrutínio público, permitindo que os usuários compreendam como são influenciados e tenham mais controle sobre seu uso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"></span><span style="font-weight: 400;">As empresas podem desempenhar um papel ativo no fornecimento de informações sobre os impactos do uso excessivo de dispositivos móveis e no desenvolvimento de programas de educação que ensinem habilidades de gerenciamento do tempo, uso consciente da tecnologia e alfabetização digital.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse mesmo contexto, é importante promover a conscientização e a educação digital. Esse conhecimento pode ser usado para informar políticas de design mais éticas, que priorizem a saúde e o bem-estar dos usuários, em vez de simplesmente buscar maximizar o tempo de uso.</span></p>
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		<title>Por que é tão difícil usar menos o Instagram?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Cecília]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Jun 2023 15:25:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Redes sociais]]></category>
		<category><![CDATA[economia da atenção]]></category>
		<category><![CDATA[redes sociais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Já ficou tanto tempo rolando o feed do Instagram que, quando você notou, haviam se passado horas? Pode ficar tranquilo, essa situação acontece com muita gente. Na verdade, o formato de “feed infinito” usado pelas redes sociais é pensado para ter esse efeito. Existe ainda uma associação desses conteúdos de plataformas como Instagram Reels e TikTok à produção de certos hormônios capazes de nos deixar mais felizes. Assim, fica ainda mais difícil para a rolagem infinita. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Já ficou tanto tempo rolando o </span><i><span style="font-weight: 400;">feed </span></i><span style="font-weight: 400;">do Instagram que, quando você notou, haviam se passado horas? Pode ficar tranquilo, essa situação acontece com muita gente. Na verdade, o formato de “</span><i><span style="font-weight: 400;">feed</span></i><span style="font-weight: 400;"> infinito” usado pelas redes sociais é pensado para ter esse efeito. Existe ainda uma associação desses conteúdos de plataformas como Instagram Reels e TikTok à produção de certos hormônios capazes de nos deixar mais felizes. Assim, fica ainda mais difícil parar a rolagem infinita. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As redes sociais são parte importante da vida moderna, oferecendo uma infinidade de conexões e oportunidades de compartilhamento de informações. Diariamente, temos acesso fácil a uma quantidade enorme de dicas, tutoriais, vídeos engraçados e animais fofinhos. Contudo, para muitas pessoas, elas se tornam verdadeiros vícios, gerando efeitos negativos em outros setores da vida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os efeitos negativos desse uso podem ser traçados, por exemplo, até casos de distorção de imagem, em que cada vez mais pessoas têm problemas de autoestima e bem-estar por se compararem às imagens vistas ali, nas redes. No entanto, o que tendemos a esquecer quando estamos nessas plataformas, é que a maioria das fotos publicadas ali passou por algum tipo de tratamento ou filtro &#8211; isto é, não são reais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa incapacidade de deixar de usar as redes sociais é, na verdade, uma estratégia. Não é só pelo conteúdo interessante, mas a estrutura e o design de cada plataforma é projetado para nos manter conectados o máximo de tempo possível. O fluxo interminável de informações nos incentiva a rolar incessantemente para baixo, na esperança de encontrar algo interessante. Ao manter o </span><i><span style="font-weight: 400;">feed </span></i><span style="font-weight: 400;">em constante atualização e apresentar conteúdos personalizados, as redes sociais alimentam nosso desejo de descobrir mais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E, então, quanto mais tempo as pessoas passam, mais ficam conectadas a essas redes, mais anunciantes querem pagar para estar ali. Esse é o grande ponto. A manutenção dos usuários ali por horas é uma forma de dizer para as marcas “olha essas pessoas aqui! Elas poderiam estar vendo seu produto!”. Portanto, quanto mais tempo passamos ali, mais lucro eles têm. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é apenas a existência de um </span><i><span style="font-weight: 400;">feed </span></i><span style="font-weight: 400;">sem fim que nos faz permanecer vinculados às redes. Existem vários outros mecanismos que nos condicionam a esse movimento e um deles é justamente o movimento de rolar a tela para atualizar. Mas, existe outra semelhança ainda mais importante aqui: assim como cassinos e jogos de azar: </span><a href="https://uxdesign.cc/why-the-infinite-scroll-is-so-addictive-9928367019c5"><span style="font-weight: 400;">a possibilidade de ganhar alguma coisa</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao aplicar essa mesma dinâmica de recompensa e antecipação nas redes sociais, as plataformas criam uma sensação de gratificação instantânea toda vez que atualizamos o </span><i><span style="font-weight: 400;">feed</span></i><span style="font-weight: 400;">. Essa ação nos leva a esperar por novas notificações, mensagens ou atualizações, criando um ciclo vicioso de busca por estímulos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No texto </span><a href="https://uxdesign.cc/why-the-infinite-scroll-is-so-addictive-9928367019c5"><span style="font-weight: 400;">“Why the infinite scroll is so addictive?”</span></a> <i><span style="font-weight: 400;">[Por que a rolagem infinita é tão viciante?] </span></i><span style="font-weight: 400;">o autor Grant Collins, explica que a cada puxada na alavanca das redes sociais, esperamos receber algo em troca. Um vídeo do nosso YouTuber favorito, uma nova piada, uma mensagem de alguém com quem queremos falar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse mecanismo de recompensa funciona ainda ativando hormônios responsáveis pela liberação da sensação de felicidade e bem-estar — a dopamina. </span><a href="https://www.theguardian.com/global/2021/aug/22/how-digital-media-turned-us-all-into-dopamine-addicts-and-what-we-can-do-to-break-the-cycle"><span style="font-weight: 400;">Em uma entrevista ao jornal </span><i><span style="font-weight: 400;">The Guardian</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a Dra. Anna Lembke, especialista em questões envolvendo vícios, explica que nos voltamos para as redes sociais buscando validação, atenção e distração em cada rolagem, like ou tuíte. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cada ação é motivada pela busca por mais dopamina. O hormônio, além de ser associado a “se sentir bem”, ela explica, nos motiva a fazer coisas que vão nos dar prazer. Nesse caminho, essa validação gerada pelas redes sociais, nos proporciona a liberação desse efeito — e estamos sempre querendo mais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que a Dra. Anna Lembke recomenda para driblar esses efeitos é buscar sensações de prazer que vão levar mais tempo para serem atingidas. São ações ou buscas que vão ser mais trabalhosas, mas nos proporcionam uma sensação de prazer mais duradoura. Estabelecer limites de tempo, desconectar-se regularmente e priorizar atividades off-line são medidas importantes para encontrar um equilíbrio saudável entre o mundo virtual e o mundo real.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indo além da responsabilidade dos usuários, também é crucial que as próprias empresas sejam cobradas e assumam a responsabilidade de projetar suas plataformas de maneira ética, considerando o bem-estar dos usuários. A </span><span style="font-weight: 400;">transparência na coleta de dados, a implementação de recursos que promovam o uso consciente são passos importantes para tornar as redes sociais menos problemáticas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em última análise, o desafio de se afastar das redes sociais está intrinsecamente ligado à maneira como essas plataformas são projetadas para manter nossa atenção. No entanto, ao reconhecer esse vício e buscar uma mudança consciente de hábitos, podemos recuperar o controle sobre nosso tempo e bem-estar, aproveitando os benefícios das redes sociais sem cair em suas armadilhas.</span></p>
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