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	<title>Você pesquisou por video - Maria Cecília</title>
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		<title>Você sabe o que é Nomofobia? Entenda o conceito e riscos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Cecília]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Oct 2023 21:56:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Redes sociais]]></category>
		<category><![CDATA[nomofobia]]></category>
		<category><![CDATA[redes sociais]]></category>
		<category><![CDATA[segurança digital]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Você seria capaz de passar uma semana inteira sem usar o celular? Atualmente isso seria bastante difícil, seja por questões de trabalho ou para manter contato com outras pessoas. Há algum tempo o aparelho vem deixando de ser um item opcional para se tornar uma necessidade. Esse uso quase obrigatório é impulsionado por aplicativos pensados [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Você seria capaz de passar uma semana inteira sem usar o celular? Atualmente isso seria bastante difícil, seja por questões de trabalho ou para manter contato com outras pessoas. Há algum tempo o aparelho vem deixando de ser um item opcional para se tornar uma necessidade. Esse uso quase obrigatório é impulsionado por aplicativos pensados para prender a atenção do usuário por horas. Esse uso dependente já ganhou nome: nomofobia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inicialmente visto como um dispositivo capaz de aproximar as pessoas e criar uma comunicação mais eficiente, os aparelhos celulares hoje são usados para uma infinidade de coisas. Pedir comida, ouvir música, assistir vídeos, fazer fotos, participar de discussões e mais uma infinidade de usos. Ao lado desse uso constante, existe também uma grande demanda por captação de uso de dados dos usuários para fins publicitários. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As </span><i><span style="font-weight: 400;">big techs</span></i><span style="font-weight: 400;">, grandes empresas de tecnologia, investem cada vez mais em usar esses dados para aperfeiçoar seus aplicativos e tornar os aparelhos e aplicativos cada vez mais indispensáveis para as pessoas. O problema é que as estratégias utilizadas costumam ser prejudiciais à saúde dos usuários, agravando questões relacionadas à saúde mental e física. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conversei com o psicanalista Caio Garrido para saber mais sobre o tema. Garrido é psicanalista e escritor, idealizador da Ubuntu Psicanálise e mestre em Ciências da Saúde pela Unifesp com o tema dos sonhos noturnos (a partir da psicanálise). Tem seis livros publicados, entre romances, poemas, e crônicas, sendo os mais recentes &#8220;Paniricocrônicas: Crônicas dos Sonhos em Tempos de Pandemia&#8221;, projeto contemplado pelo programa ProAC, e o recém-lançado &#8220;A Nova Era Tecnológica: Redes Sociais, Inteligência Artificial e Realidade Virtual – Um olhar psicanalítico e social&#8221;</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><b>O que é nomofobia? </b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">A nomofobia é um termo usado para descrever a ansiedade e o medo que algumas pessoas sentem quando estão longe do celular, por exemplo. O termo é uma combinação de &#8220;no mobile phone phobia&#8221;, ou &#8220;fobia de não ter celular&#8221; em tradução livre. Ela pode ser enquadrada como um transtorno de ansiedade classificado como transtorno fóbico-ansioso no CID 10 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde) da psicologia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, apesar do termo e da possibilidade de ser encaixado no CID de transtornos de ansiedade, é importante ressaltar que não estamos falando exatamente de uma </span><i><span style="font-weight: 400;">fobia</span></i><span style="font-weight: 400;">. Consultei com o psicanalista Caio Garrido, que possui uma pesquisa voltada para estudar os impactos das tecnologias, para saber melhor sobre a questão. Segundo ele, o termo ainda não é usado na literatura psicanalítica, apesar de estar dentro dos transtornos de ansiedade e poder ser visto sob essa lente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8220;Ainda não se vê uma discussão mais séria em torno desse novo tema das nomofobias nos círculos psicanalíticos mais importantes.&#8221;, ele explica. &#8220;Há sim um contínuo estudo, pesquisa, artigos e livros sendo lançados, assim como conferências na Psicanálise acerca do assunto das novas tecnologias em geral, e o impacto delas em nossa subjetividade. Eu e um colega (Fábio Zuccolotto) acabamos de lançar em 2022 um livro sobre esse tema mais geral, incluindo aí as redes sociais, inteligência artificial e realidade virtual (“A Nova Era Tecnológica: Redes Sociais, Inteligência Artificial e Realidade Virtual – um olhar psicanalítico e social”). O fato é que, inegavelmente, estamos inundados por essas tecnologias em nosso cotidiano, em nossas atividades mais corriqueiras. E devido a isso, uma dependência tecnológica mais patológica pode advir.&#8221;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existindo formalmente ou não, é fato que o termo faz referência a uma condição bastante real e que afeta cada vez mais pessoas: a incapacidade de se distanciar de aparelhos eletrônicos e redes sociais. Mas, ao ser rapidamente denominada como uma </span><i><span style="font-weight: 400;">fobia, </span></i><span style="font-weight: 400;">acabamos reduzindo os impactos desse tipo de tecnologia a apenas essa condição, reduzindo a sua complexidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Garrido explica que a </span><i><span style="font-weight: 400;">fobia</span></i><span style="font-weight: 400;">, &#8220;como estrutura psíquica (que se diferencia da neurose obsessiva, da psicose, e outras) é algo que compromete a vida do sujeito, que parece ser o que acontece no que denominam de nomofobia&#8221;. Mas, quando falamos sobre aparelhos celulares especificamente, há mais que apenas um medo de estar afastado dele, mas um verdadeiro temor, que pode ser relacionado com outros processos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8220;Sob o guarda-chuva da nomofobia, parece que são colocados vários outros tipos de sintomas psíquicos, fobia esta que pode ser consequência de outros quadros psicopatológicos, ou esses quadros serem apenas facetas dessa identidade maior chamada nomofobia, tais como a ansiedade e fobia social, a compulsão, a agorafobia, as confusões identitárias, as inibições, entre tantos outros.&#8221;, explica Garrido. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso é, dentro da simplificação causada pelo nome &#8220;nomofobia&#8221;, estamos falando também de uma condição que interfere em uma série de outras alterações psíquicas. Falar apenas em medo de estar afastado do celular não questiona uma série de outros efeitos que o aparelho causa, além da dependência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por esse motivo é que o que vemos ser chamado de nomofobia não é só um problema do usuário que usa de modo excessivo o celular, mas também uma questão relacionada à responsabilidade das empresas que desenvolvem essas tecnologias. </span><b></b></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><b>Nomofobia ou vício: estamos falando de medo ou compulsão? </b></h2>
<p><a href="https://www.theguardian.com/lifeandstyle/2017/aug/28/does-phone-separation-anxiety-really-exist" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Uma pesquisa dos Estados Unidos</span></a><span style="font-weight: 400;"> indicou aumento da pressão arterial e batimentos cardíacos em pessoas que ficaram muito tempo afastadas de seus smartphones. O FOMO, ou </span><i><span style="font-weight: 400;">Fear Of Missing Out </span></i><span style="font-weight: 400;">[medo de ficar de fora] é justamente o nome dado a essa ansiedade de perder algum acontecimento importante por estar afastado das redes. Uma notificação ou mensagem já podem ser gatilhos para ativar esse medo, criando uma necessidade imediata de checar o celular, por exemplo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Voltando para a psicanálise, como Caio Garrido explica, esse tipo de uso exagerado pode comprometer a nossa capacidade de criar memórias. &#8220;Sigmund Freud dizia que nós só somos capazes de “dar conta” de uma certa quantidade de estímulos. Se uma ação tem dois ou mais focos de atenção, não há possibilidade de criar memória.&#8221; </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os vícios são marcados pela produção de dopamina, um neurotransmissor relacionado à sensação de prazer e alegria. Falando especificamente sobre jogos de azar, Caio Garrido explica que esse sentimento positivo vem mais da tentativa e do risco de perder, do que do ganho em si. A expectativa gera uma descarga maior que o sucesso. Mas, ele ressalta: &#8220;a dopamina tem um certo estoque. Pode haver um déficit se há um excesso de gasto.&#8221;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já as fobias, são &#8220;expressões da conversão da angústia em terror&#8221;, ele explica. A nomofobia, por exemplo, se refere a um temor a uma situação que não é um risco, e o Garrido explica: &#8220;Para Lacan, o objeto da fobia mascararia uma angústia fundamental do sujeito. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal situação ou “objeto” fóbico guardaria algum tipo de relação oculta com algum “elemento significativo da história do sujeito” (Roudinesco, 1998, p. 244) que se reveste nesse sintoma fóbico. Há, portanto, por trás da situação temida algum elemento da história do sujeito que se liga a ela, de forma imprevista, caso em que se torna necessário distinguir clinicamente uma coisa da outra.&#8221;Isto é, o celular representa algo mais para a pessoa para então criar esse cenário de medo do afastamento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pensando então na questão do vício e da fobia, Garrido levanta o questionamento: seria uma fobia ou uma compulsão? Há um grau de dependência em relação ao aparelho, e &#8220;para compreender a relação disso com o vício, a dependência, podemos refletir e considerar que os sintomas descritos para a nomofobia se parecem muito com a abstinência experimentada pelo sujeito que está sem seu “objeto” de vício.&#8221; </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><b>Como diminuir a dependência digital? </b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">A dependência digital é uma preocupação crescente justamente pelos impactos negativos que a imersão constante no mundo virtual pode gerar na vida pessoal e profissional de uma pessoa. Para combater esse problema, é fundamental adotar estratégias práticas e buscar apoio terapêutico, como defendido pelo psicanalista Caio Garrido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A primeira medida para diminuir a dependência digital é reconhecer a ameaça que ela representa. Quando alguém percebe que seu comportamento está se tornando excessivamente dependente dessas tecnologias, chegando a interferir em seus relacionamentos pessoais e trabalho, é hora de considerar uma mudança. Nesse ponto, é válido buscar ajuda profissional, como a terapia psicanalítica ou outras formas de terapia, com potencial para tratar questões psíquicas associadas à dependência digital, como explica Garrido. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto levantado por Garrido é a necessidade de promover o bem-estar físico e mental por meio de exercícios físicos regulares. Pesquisas científicas têm demonstrado que atividades físicas ajudam a melhorar o humor, diminuir estados de depressão e ansiedade, mesmo sem o uso de antidepressivos. Incorporar exercícios na rotina diária pode ser uma maneira eficaz de reduzir a necessidade de recorrer à tecnologia como escape emocional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, é crucial fortalecer as relações sociais interpessoais presenciais. A interação face a face é fundamental para a saúde mental, uma vez que somos seres sociais que precisam do contato físico com outros indivíduos. Como explica Garrido, &#8220;o corpo precisa se encontrar com outros corpos, não somente via internet.&#8221;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A busca por atividades externas também é essencial para afastar o sujeito da alienação que a tecnologia pode causar. Engajar-se em atividades de lazer, esportes ou projetos criativos fora do ambiente virtual proporciona uma desconexão saudável do mundo digital e uma sensação de realização pessoal. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em resumo, adotar um estilo de vida mais equilibrado, focado em interações sociais reais e atividades externas, aliado a um tratamento terapêutico adequado, pode ajudar a alcançar uma relação mais saudável e consciente com a tecnologia, reduzindo os efeitos negativos da dependência digital em diversos aspectos da vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto importante é buscar educação digital para entender os riscos provocados não apenas pelo uso exagerado de smartphones e redes sociais, mas também do compartilhamento de dados. É evidente que não podemos deixar de cobrar a responsabilidade das empresas de tecnologia em relação ao uso das nossas informações, mas, para que isso seja feito de forma eficiente, precisamos estar cada vez mais conscientes sobre os nossos direitos e os limites que elas devem respeitar. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><b>Responsabilidade das grandes empresas</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">A nomofobia, termo que une &#8220;no mobile phone phobia&#8221;, descreve a ansiedade e o medo associados à separação do celular. Embora se enquadre como um transtorno fóbico-ansioso, há debates sobre se pode ser considerada uma fobia genuína. A nomofobia vai além do simples medo de estar longe do celular. Garrido aponta que ela pode mascarar uma série de sintomas psíquicos, incluindo ansiedade social, compulsão e inibições. Dentro dessa complexidade, as empresas de tecnologia desempenham um papel crucial, tornando-se corresponsáveis pelos efeitos negativos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A linha entre nomofobia e vício tecnológico é tênue. O temor de perder eventos importantes, o chamado FOMO, pode desencadear ansiedade intensa, impactando negativamente a saúde. Os vícios, marcados pela dopamina, também entram em jogo. A ansiedade convertida em terror, característica das fobias, cria um cenário complexo. No entanto, a redução do problema à fobia é limitante, ignorando os diversos efeitos psíquicos dos aparelhos eletrônicos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A diminuição da dependência digital é essencial para um bem-estar equilibrado. Garrido oferece </span><i><span style="font-weight: 400;">insights</span></i><span style="font-weight: 400;"> valiosos: reconhecer a ameaça, praticar exercícios físicos regulares e fortalecer as relações sociais presenciais. A busca por atividades externas também é crucial para afastar o indivíduo da alienação digital.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O conhecimento sobre os riscos da tecnologia é fundamental. Educação digital permite compreender não apenas os efeitos negativos da dependência, mas também os perigos do compartilhamento excessivo de dados. Ao nos conscientizarmos de nossos direitos e limites, podemos enfrentar os desafios impostos pela era tecnológica de maneira mais eficaz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, existe também a urgência de entendermos o papel das grandes empresas de tecnologia nessa questão. Essa ligação intensa com o prazer instantâneo altamente aditivo é habilmente explorado por elas. Nesse cenário, é importante entender que o desafio da &#8220;nomofobia&#8221; não está isolado em esferas individuais, mas é também uma responsabilidade coletiva. As estratégias de dependência não são acidentais; são cuidadosamente construídas pelas corporações em busca de lucro e engajamento. À medida que essas empresas otimizam seus produtos para capturar nossa atenção, muitas vezes negligenciam totalmente o bem-estar dos usuários.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A questão da &#8220;nomofobia&#8221; nos leva a uma reflexão crucial: a necessidade de uma abordagem mais abrangente. À medida que avançamos nesse mundo cada vez mais digital, é imperativo que as empresas de tecnologia assumam a responsabilidade pelo impacto de suas inovações na saúde mental e emocional das pessoas. Reconhecer essa complexidade é o primeiro passo para enfrentar efetivamente esses desafios. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<p><b>CAIO GARRIDO</b><span style="font-weight: 400;"> – Psicanalista e escritor. Idealizador da Ubuntu Psicanálise e mestre em Ciências da Saúde pela Unifesp com o tema dos sonhos noturnos (a partir da psicanálise). Tem seis livros publicados, entre romances, poemas, e crônicas, sendo os mais recentes &#8220;Paniricocrônicas: Crônicas dos Sonhos em Tempos de Pandemia&#8221;, projeto contemplado pelo programa ProAC, e o recém-lançado &#8220;A Nova Era Tecnológica: Redes Sociais, Inteligência Artificial e Realidade Virtual – Um olhar psicanalítico e social&#8221;</span></p>
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		<title>Artigo &#8211; Nomofobia existe mesmo? &#8211; Infor Channel</title>
		<link>https://mariaceciliagomes.com.br/midia-publicacao/artigo-nomofobia-existe-mesmo-infor-channel/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Cecília]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Sep 2023 13:20:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Publicado em: https://inforchannel.com.br/2023/09/26/nomofobia-existe-mesmo/ Você seria capaz de passar uma semana inteira sem usar o celular? No modelo atual de interação de comunicação, isso poderia ser bastante difícil — seja por questões de trabalho ou manter contato com outras pessoas. Há algum tempo o aparelho vem deixando de ser um item opcional para se tornar uma [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Publicado em: <a href="https://inforchannel.com.br/2023/09/26/nomofobia-existe-mesmo/">https://inforchannel.com.br/2023/09/26/nomofobia-existe-mesmo/</a></p>
<p>Você seria capaz de passar uma semana inteira sem usar o celular? No modelo atual de interação de comunicação, isso poderia ser bastante difícil — seja por questões de trabalho ou manter contato com outras pessoas. Há algum tempo o aparelho vem deixando de ser um item opcional para se tornar uma necessidade. Esse uso quase obrigatório é impulsionado por aplicativos pensados para prender a atenção do usuário por horas.</p>
<p>Inicialmente visto como um dispositivo capaz de aproximar as pessoas e criar uma comunicação mais eficiente, os aparelhos celulares hoje são usados para uma infinidade de coisas. Pedir comida, ouvir música, assistir vídeos, fazer fotos, participar de discussões e mais uma infinidade de usos. Ao lado desse uso constante, existe também uma grande demanda por captação de uso de dados dos usuários para fins publicitários e geração de receita.</p>
<p>As big techs, grandes empresas de tecnologia, investem cada vez mais em usar esses Dados para aperfeiçoar seus aplicativos e tornar os aparelhos e aplicativos indispensáveis para as pessoas. O problema é que essas estratégias não costumam levar em conta o bem-estar dos usuários, mas apenas ganhos financeiros.</p>
<p>A nomofobia é um termo usado para descrever a ansiedade e o medo que algumas pessoas sentem quando estão longe do celular. O termo é uma combinação de<span> </span><em>“no mobile phone phobia”,</em><span> </span>ou “fobia de não ter celular”, em tradução livre. Ela pode ser enquadrada como um transtorno de ansiedade classificado como transtorno fóbico-ansioso no CID 10 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde) da psicologia.</p>
<p>Contudo, apesar do termo e da possibilidade de ser encaixado no CID de transtornos de ansiedade, é importante ressaltar que não estamos falando exatamente de uma fobia. Consultei com o psicanalista Caio Garrido, que estuda os impactos dessas tecnologias, para saber melhor sobre a questão.</p>
<p>Segundo ele, o termo ainda não é usado na literatura psicanalítica, apesar de estar dentro dos transtornos de ansiedade e poder ser visto sob essa lente.</p>
<p>“Ainda não se vê uma discussão mais séria em torno desse novo tema das nomofobias nos círculos psicanalíticos mais importantes.”, ele explica. “Há sim um contínuo estudo, pesquisa, artigos e livros sendo lançados, assim como conferências na Psicanálise acerca do assunto das novas tecnologias em geral, e o impacto delas em nossa subjetividade.”</p>
<p>Existindo formalmente ou não, é fato que o termo faz referência a uma condição bastante real e que afeta cada vez mais pessoas: a incapacidade de se distanciar de aparelhos eletrônicos e redes sociais. Mas, ao ser rapidamente denominada como uma fobia, acabamos reduzindo os impactos desse tipo de tecnologia a apenas essa condição, talvez até reduzindo a sua complexidade.</p>
<p>Garrido explica que a fobia, “como estrutura psíquica (que se diferencia da neurose obsessiva, da psicose, e outras) é algo que compromete a vida do sujeito, que parece ser o que acontece no que denominam de nomofobia”. Mas, quando falamos sobre aparelhos celulares especificamente, há mais que apenas um medo de estar afastado dele, mas um verdadeiro temor, que pode ser relacionado com outros processos.</p>
<p>“Sob o guarda-chuva da nomofobia, parece que são colocados vários outros tipos de sintomas psíquicos, fobia esta que pode ser consequência de outros quadros psicopatológicos, ou esses quadros serem apenas facetas dessa identidade maior chamada nomofobia, tais como a ansiedade e fobia social, a compulsão, a agorafobia, as confusões identitárias, as inibições, entre tantos outros.”, explica Garrido.</p>
<p>Isso é, dentro da simplificação causada pelo nome “nomofobia”, estamos falando também de uma condição que interfere em uma série de outras alterações psíquicas. Falar apenas em medo de estar afastado do celular não questiona outros efeitos que o aparelho causa, além da dependência. Podemos citar como exemplo uma pesquisa dos Estados Unidos que indicou aumento da pressão arterial e batimentos cardíacos em pessoas que ficaram muito tempo afastadas de seus smartphones.</p>
<p>O FOMO, ou<span> </span><em>Fear Of Missing Out [medo de ficar de fora]</em><span> </span>é justamente o nome dado a essa ansiedade de perder algum acontecimento importante por estar afastado das redes. Uma notificação ou mensagem já podem ser gatilhos para ativar esse medo, criando uma necessidade imediata de checar o celular, por exemplo. Como explica Caio Garrido, o vício, de forma geral, é marcado pela produção de dopamina, um neurotransmissor relacionado à sensação de prazer e alegria. Falando sobre jogos de azar, por exemplo, esse sentimento positivo vem mais da tentativa e do risco de perder, do que do ganho em si. A expectativa gera uma descarga maior que o sucesso. Mas, ele ressalta: “a dopamina tem um certo estoque. Pode haver um déficit se há um excesso de gasto.”</p>
<p>Os smartphones e as redes sociais são capazes de gerar grandes descargas de dopamina e, por isso, seu uso exagerado é comparado com a relação que temos com outros vícios. Essa descarga de prazer instantâneo tende a ser bastante aditiva e as grandes empresas de tecnologia exploram justamente essa possibilidade de dependência. Cada vez mais pesquisadores buscam entender a relação entre vídeos curtos como aqueles usados no TikTok e depois levados para o Instagram Reels e YouTube Shorts e a produção de dopamina. E, ainda, como essa produção exagerada leva a escassez e pode influenciar outras questões de saúde mental.</p>
<p>Por isso, para que seja possível entender de fato a extensão do problema, precisamos entender que as engrenagens por trás dessa dependência não são responsabilidade individual e nem acidentais, mas alicerçadas em estratégias de grandes empresas. Com cada vez mais investimentos em otimização desses produtos, o bem-estar de quem utiliza é completamente ignorado. A “nomofobia” não representa apenas um dilema individual, mas aponta para uma responsabilidade mais ampla das corporações por trás dessas tecnologias.</p>
<p>O post <a href="https://mariaceciliagomes.com.br/midia-publicacao/artigo-nomofobia-existe-mesmo-infor-channel/">Artigo &#8211; Nomofobia existe mesmo? &#8211; Infor Channel</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariaceciliagomes.com.br">Maria Cecília</a>.</p>
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		<title>Estadão &#8211; Sempre aceita todos cookies? Entenda os efeitos que isso tem em sua segurança digital</title>
		<link>https://mariaceciliagomes.com.br/midia-publicacao/estadao-sempre-aceita-todos-cookies-entenda-os-efeitos-que-isso-tem-em-sua-seguranca-digital/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Cecília]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Sep 2023 12:06:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Matéria: https://www.estadao.com.br/link/sempre-aceita-todos-cookies-entenda-os-efeitos-que-isso-tem-em-sua-seguranca-digital/ Eles estão presentes quando você pede comida ou carro por meio de aplicativos. E também ao entrar em sites de supermercado para repetir suas compras do mês. Fazer login em todos os ambientes usando o perfil do Google ou do Facebook, para não ter de decorar um montão de senhas? Opa, você topou [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://mariaceciliagomes.com.br/midia-publicacao/estadao-sempre-aceita-todos-cookies-entenda-os-efeitos-que-isso-tem-em-sua-seguranca-digital/">Estadão &#8211; Sempre aceita todos cookies? Entenda os efeitos que isso tem em sua segurança digital</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariaceciliagomes.com.br">Maria Cecília</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Matéria: <a href="https://www.estadao.com.br/link/sempre-aceita-todos-cookies-entenda-os-efeitos-que-isso-tem-em-sua-seguranca-digital/">https://www.estadao.com.br/link/sempre-aceita-todos-cookies-entenda-os-efeitos-que-isso-tem-em-sua-seguranca-digital/</a></p>
<p class="svelte-1s4w66w">Eles estão presentes quando você pede comida ou carro por meio de aplicativos. E também ao entrar em sites de supermercado para repetir suas compras do mês. Fazer login em todos os ambientes usando o perfil do Google ou do Facebook, para não ter de decorar um montão de senhas? Opa, você topou com eles de novo. Os cookies de internet são tão cotidianos quanto tomar café pela manhã. Isso é bom ou ruim? Depende, dizem os especialistas. Para ter tanta comodidade, você acaba abrindo mão da sua privacidade em alguma medida. Uma troca não totalmente isenta de riscos, dependendo dos cookies que fazem parte do seu cardápio digital.</p>
<p class="svelte-1bvmc23">“Quanto mais comodidade, menos segurança e menos privacidade. Uma coisa conflita com a outra”, afirma Fábio Assolini, diretor da Equipe Global de Pesquisa e Análise da Kaspersky, multinacional britânica de cibersegurança. “Claro que tudo depende, mas faço questão de cuidar bem da minha privacidade.”</p>
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<figure class="svelte-1c06h3w"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="uva-image colagem svelte-pq5qhf" src="https://www.estadao.com.br/resizer/pDWVhPBCyytOBxTTDqAa1eZKhk0=/arc-anglerfish-arc2-prod-estadao/public/BI2DCFOMSBAZROVYXA2AWJ77BM.gif" alt="" width="580" height="580" /><figcaption class="svelte-1c06h3w"><span class="uva-credits">ETHIENY KAREN PEREIRA FERREIRA/ESTADÃO</span></figcaption></figure>
</div>
<p class="svelte-1bvmc23">Outra questão é que parte considerável das pessoas tende a ignorar avisos relacionados à privacidade e até se incomoda quando aparece a clássica pergunta “Aceita cookies?”, segundo Rodrigo Irarrazaval, que pesquisa comportamento dos usuários e é CEO da Illow, startup argentina com soluções para privacidade digital. Ao mesmo tempo, dizem estar preocupadas com seus dados, um comportamento batizado por especialistas como paradoxo da privacidade.</p>
<p class="svelte-1bvmc23">De acordo com o mais recente estudo realizado pela Illow, agora em 2023, 89% dos brasileiros aceitam todos os cookies sem ler o que aparece nas notificações dos sites. No ano passado, o<span> </span><a href="https://www.estadao.com.br/amp/link/cultura-digital/entenda-o-que-sao-cookies-e-como-eles-afetam-sua-privacidade/">porcentual era até maior,</a><span> </span>de 94%. Irarrazaval acredita que essa queda seja efeito dos últimos avanços na Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), que passou a valer de fato em setembro de 2020.</p>
<div class="P"><iframe src="https://www.thinglink.com/view/scene/1753510696328364900" width="100%" height="360" scrolling="no" allowfullscreen="allowfullscreen" data-original-width="640" data-original-height="360" data-mce-fragment="1"></iframe></div>
<p class="svelte-1bvmc23">Mesmo assim, apertar o botão “aceito” continua sendo algo automático para a grande maioria dos brasileiros. De acordo com uma pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil (GCI) divulgada em 2022, 60% dos entrevistados admitiram não ler integralmente as políticas de cookies dos sites e aplicativos que visitam. As principais razões são o tamanho excessivo dessas políticas (81%) e a complexidade delas (69%), segundo as pessoas ouvidas.</p>
<p class="svelte-1bvmc23">Existe o forte apelo do acesso imediato aos conteúdos, explica o especialista em marketing digital e comportamento do consumidor Maurício Felício, da ESPM. “O usuário quer ler a notícia, assistir o vídeo ou fazer um curso agora, não depois.”</p>
<p class="svelte-1bvmc23">
<span id="title-pill">QUE TIPO DE COOKIE VOCÊ ACEITOU?</span></p>
<p class="svelte-1bvmc23">Se neste momento você está pensando em fazer uma dieta total de cookies, talvez fique bastante frustrado com a experiência que vai ter em sites e em aplicativos. Em certos casos, ter acesso ao serviço será muito difícil ou mesmo impossível.</p>
<p class="svelte-1bvmc23">“Se os cookies não existissem, teríamos muitas dificuldades na usabilidade dos serviços online, porque é através deles que os serviços de streaming podem sugerir conteúdos relacionados ao seus gostos pessoais, por exemplo”, diz Assolini, da multinacional Kaspersky. Ele está se referindo aos cookies que incluem informações como credenciais de login, itens do carrinho de compras ou idioma preferido.</p>
<p class="svelte-1bvmc23">Esses são os chamados<span> </span><b>cookies primários</b>, que registram para os navegadores os seus hábitos quando você visita um site.</p>
<div class="uva-media-container  loaded M svelte-1dsh51s">
<figure class="svelte-1c06h3w"><img decoding="async" class="uva-image colagem svelte-pq5qhf" src="https://www.estadao.com.br/resizer/AExsFsuE8RhH22N72w4U4Ol6Leo=/arc-anglerfish-arc2-prod-estadao/public/L534ZSVEOZBYPBVGI26K2TMWGA.png" alt="" width="768" height="628" /><figcaption class="svelte-1c06h3w"><span class="uva-credits">JÚLIA PEREIRA/ESTADÃO</span></figcaption></figure>
</div>
<p class="svelte-1bvmc23">Mas eles não são os únicos que encontramos pelo caminho quando estamos navegando na web. No centro da polêmica envolvendo a tecnologia, os chamados<span> </span><b>cookies de terceiros</b><span> </span>ou cookies de publicidade são ligados a outros sites, e não àquele que você está visitando e para o qual deu o seu “sim”.</p>
<p class="svelte-1bvmc23">“A relação do usuário é com aquela empresa que ele escolheu e não com terceiros que ele nem sabe quem são”, observa o pesquisador Anderson Apolônio, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Na opinião dele, esse tipo de cookie é mais intrusivo e tem mais riscos potenciais à sua segurança.</p>
<p class="svelte-1bvmc23">Esses “biscoitos” de terceiros rastreiam seus passos na internet para entender seu comportamento e suas preferências. “A empresa que tem seu cadastro prévio também acessa automaticamente o que você faz dentro desse outro espaço”, explica Bruno Bioni, diretor-fundador do Data Privacy Brasil e membro-titular do Conselho Nacional de Proteção de Dados (CNPD). Isso explica em parte por que determinadas empresas de tecnologia detêm fatias enormes dos cookies de terceiros – ou rastreadores – por toda a web.</p>
<div class="P svelte-41q0nm">
<p class="P svelte-41q0nm">“A relação do usuário é com aquela empresa que ele escolheu e não com terceiros que ele nem sabe quem são”</p>
<p class="P svelte-41q0nm">Anderson Apolônio</p>
<p class="P svelte-41q0nm">Pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco</p>
</div>
<p class="svelte-1bvmc23">Esse é o caso do<span> </span><a href="https://policies.google.com/technologies/cookies?hl=pt-BR">Google</a>, por exemplo, que diz que os cookies de análise “ajudam a coletar dados que permitem entender como você interage com um serviço específico”.</p>
<p class="svelte-1bvmc23">
<span id="title-pill">DE OLHO NAS SUAS MIGALHAS</span></p>
<p class="svelte-1bvmc23">O banner digital que continua mostrando a você passagens aéreas para um destino do qual acabou de voltar, no entanto, está longe de ser o único problema com os cookies. “Criou-se um mercado com vendedores e compradores”, diz Assolini, diretor de Pesquisa e Análise da Kaspersky.</p>
<p class="svelte-1bvmc23">Segundo ele, existem grupos especializados em roubar os cookies e vendê-los para outros núcleos, que utilizam os dados armazenados neles para promover golpes. Essa negociação é feita em mercados da deep web, onde esses cookies são oferecidos em anúncios semelhantes aos de classificados de venda comuns. Ou seja, nem sempre o hacker responsável pelo roubo é o mesmo que utiliza as informações para golpes e fraudes.</p>
<div id="" class="uva-media-container  loaded M svelte-1dsh51s">
<figure class="uva-graphic"><iframe id="iFrameResizer0" src="https://arte.estadao.com.br/uva/?id=2lgGpQ&amp;show_title=false&amp;show_description=false&amp;show_brand=false" scrolling="no" data-uva-id="2lgGpQ" data-mce-fragment="1"></iframe></figure>
</div>
<p class="svelte-1bvmc23">Qualquer tipo de cookie pode ser sequestrado, mas os criminosos costumam ter alvos específicos. São as informações que os usuários entregam às redes sociais, webmails, portais corporativos, sites de bancos, plataformas de e-commerce, do mercado financeiro e de criptomoedas.</p>
<p class="svelte-1bvmc23">Os sistemas que mais sofrem ataques são Windows e Android. “Em alguns países, 90% dos desktops utilizam Windows. Nos smartphones,<span> </span><i>(a predominância)</i><span> </span>é do Android”, diz Assolini. “Então, o máximo que os hackers vão fazer é desenvolver uma versão da praga<span> </span><i>(software infectado com vírus ou programas maliciosos)</i><span> </span>para Windows e outra para Android.”</p>
<p class="svelte-1bvmc23">O Brasil ocupa o quinto lugar, junto com os Estados Unidos, no ranking de ataques hackers elaborado pela empresa de segurança cibernética Sophos. A lista é liderada por Singapura, onde 84% das organizações foram alvo de ataques no último ano. No Brasil e nos EUA, o porcentual ficou em 55%.</p>
<p class="svelte-1bvmc23">
<span id="title-pill">MANTER PRIVACIDADE É IMPORTANTE, ALERTAM ESPECIALISTAS</span></p>
<p class="svelte-1bvmc23">Para a advogada Maria Cecília Gomes, doutoranda na USP, a falta de entendimento sobre a<a href="https://www.estadao.com.br/link/cultura-digital/e-possivel-se-deletar-da-internet-especialistas-apontam-viloes-para-ter-vida-offline/"><span> </span>privacidade pessoal</a><span> </span>e dos dados como um direito dificulta a prevenção e punição de fraudes no País. A própria proteção de dados pessoais só se tornou um direito fundamental assegurado pela Constituição há pouco mais de um ano. “Nós temos aqui uma ideia muito flexível sobre o que é privado. As pessoas, às vezes, não têm nem mesmo essa percepção”, diz Maria Cecília.</p>
<p class="svelte-1bvmc23">Especialista em Direito Constitucional, o advogado Antonio Carlos de Freitas Júnior diz que os casos de vazamento de dados só geram reação dos brasileiros quando envolvem<a href="https://www.estadao.com.br/economia/golpes-bancarios-geram-prejuizos-no-pais/"><span> </span>fraudes bancárias<span> </span></a>ou algum tipo de prejuízo financeiro. “As pessoas não se importam com o uso de dados para publicidade ou coleta de outras informações sensíveis. Até pouco tempo atrás ninguém se preocupava com isso ou tinha a percepção de que o dado foi violado”, afirma.</p>
<p class="svelte-1bvmc23"><span id="title-pill">CLAREZA DE OBJETIVOS</span></p>
<p class="svelte-1bvmc23">Para especialistas ouvidos pelo<span> </span><b>Estadão</b>, é preciso garantir a transparência das políticas de cookies. Se forem claras e objetivas, informarem quais dados serão coletados e como eles serão utilizados, não há o que temer, segundo o advogado Luiz Felipe Di Sessa, sócio das áreas de Propriedade Intelectual e Tecnologia do escritório de advocacia Mattos Filho. “Não devemos vilanizar os cookies de uma forma absoluta”, afirma Di Sessa. “A implementação desses cookies pode ser muito boa para ambas as partes, mas é óbvio que se forem mal empregados podem causar danos.”</p>
<p class="svelte-1bvmc23">O problema é que nem sempre essa política é clara para o usuário. De acordo com uma pesquisa da universidade francesa Côte d’Azur, publicada em 2020 no Simpósio IEEE sobre Segurança e Privacidade, muitos dos banners de aviso são configurados para que o usuário seja direcionado a aceitar todos os cookies. Mais da metade (54%) dos sites analisados pelo levantamento apresentaram pelo menos uma violação suspeita de consentimento.</p>
<p class="svelte-1bvmc23">Bruno Bioni, do Data Privacy Brasil, acrescenta que há outro ponto de atenção: o design de sites e aplicativos. De acordo com ele, há uma discussão sobre o desenho de interfaces que sejam amigáveis para as pessoas poderem fazer escolhas genuínas, mas a prática revela que não é isso que prevalece. “O que as pesquisas mostram, na verdade, é que as pessoas aceitam<span> </span><i>(os cookies)</i><span> </span>porque muitas vezes é a escolha mais rápida que elas podem fazer. É o que chamo de design abusivo, manipulativo”, diz o especialista em dados.</p>
<p class="svelte-1bvmc23">Para o publicitário Bruno Brambilia, da empresa de inteligência de dados Big Day, a Apple é uma boa referência de equilíbrio. Ele diz que a empresa influenciou o comportamento do mercado ao exigir o consentimento dos usuários em cada um dos aplicativos utilizados. “Agora, toda vez que você baixa um aplicativo dentro do sistema da empresa, você dá a permissão se quer ser rastreado ou não. Antigamente, era normal todos os aplicativos rastrearem”, lembra.</p>
<p class="svelte-1bvmc23">
<span id="title-pill">O COMEÇO DO FIM</span></p>
<p class="svelte-1bvmc23">Longe de serem uma unanimidade, os cookies de terceiros estão próximos da aposentadoria. Resultado da preocupação crescente com a proteção de dados pessoais e com a privacidade online, navegadores como o Safari, da Apple, e o Firefox, da Mozilla, já desabilitaram o compartilhamento de informações com terceiros. Já o Google, navegador mais utilizado do mundo, anunciou que vai eliminar o suporte aos cookies de terceiros do Chrome somente no segundo semestre de 2024. Até lá, cabe aos usuários entenderem como funcionam os cookies e como navegar sem deixar uma infinidade de migalhas por onde passarem.</p>
<p class="svelte-1bvmc23"><span class="assina"></span><br />
<i><b>Com reportagem de:</b></i><i><span> </span></i><i>Adele Robichez, Amanda Botelho, Ana Carolina Montoro, Anna França, Camila Pessôa, Daniel Brito, Ester Caetano, Ethieny Karen, Gabriel Amorim, Iasmin Monteiro, João Coelho, João Vitor Castro, Júlia Pereira, Katarina Moraes, Laura Abreu, Luísa Carvalho, Luiza Nobre, Mirella Joels, Róbson Martins, Tamara Nassif e Victoria Lacerda</i></p>
<hr class="svelte-1jfkikg" />
<h3 class="svelte-14rqaar">O que você quer saber sobre cookies? Veja as dúvidas mais comuns</h3>
<div class="uva-media-container  loaded P svelte-1dsh51s">
<figure class="svelte-1c06h3w"><img loading="lazy" decoding="async" class="uva-image colagem svelte-pq5qhf" src="https://www.estadao.com.br/resizer/CVWkMZjEneKA07Z7ZJivAJAlPwY=/arc-anglerfish-arc2-prod-estadao/public/BALMEDQV6ZASTKZUN4WJTGHO3Y.png" alt="" width="580" height="606" /><figcaption class="svelte-1c06h3w"><span class="uva-credits">JÚLIA PEREIRA/ESTADÃO</span></figcaption></figure>
</div>
<p class="svelte-1bvmc23">Continuar aceitando todos os cookies ou começar uma dieta total, apagando todos os ‘biscoitos’ que estão no computador e no celular? Antes de partir para os extremos, vale a pena entender um pouco mais sobre o funcionamento dessa tecnologia. Reunimos algumas das dúvidas mais frequentes sobre o tema e entrevistamos especialistas para encontrar as resposta que você pode conferir abaixo.</p>
<p class="svelte-1bvmc23"><span>• <b>O que são cookies, afinal?</b></span></p>
<p class="svelte-1bvmc23">São um conjunto de arquivos que identificam o usuário que visita um site, o que permite a personalização de conteúdo através das informações coletadas entre o navegador e o servidor da página acessada.</p>
<p class="svelte-1bvmc23"><span><br />
• <b>Como funcionam os cookies?</b></span></p>
<p class="svelte-1bvmc23">Os cookies da internet são transferidos do servidor de um site para o navegador do usuário e armazenam informações sobre suas páginas. Cada cookie é identificado por um código exclusivo que conecta esses dados ao usuário. Quando o usuário volta a visitar o mesmo site, é o navegador que envia os cookies de volta ao servidor. As instruções para esse processo estão incluídas no cabeçalho do código do site, com atributos que fornecem diretrizes ao navegador, como o domínio do site associado e os dados de expiração do cookie.</p>
<p class="svelte-1bvmc23"><span><br />
• <b>Por que os cookies existem?</b></span></p>
<p class="svelte-1bvmc23">Os cookies foram criados para lembrar das informações da visita a fim de facilitar o próximo acesso e melhorar a navegação nos sites. Os cookies existem exatamente para tornar a experiência do usuário mais agradável. Sem eles, por exemplo, você precisaria fornecer novas informações sobre suas preferências a cada visita.</p>
<p class="svelte-1bvmc23">
<p class="svelte-1bvmc23"><span><br />
• <b>Que tipo de informações os cookies armazenam?</b></span></p>
<p class="svelte-1bvmc23">Eles registram as informações e preferências do usuário no site, analisam o perfil dos visitantes, exibem anúncios mais relevantes para cada pessoa e personalizam conteúdos e ofertas. “Os cookies não colocam nada na sua máquina, você digita algo e ele entende o que você quer, para depois oferecer mais sobre aquilo”, explica Fábio Assaf, fundador do Grupo Assaf, especializado em serviços de tecnologia da informação.</p>
<p class="svelte-1bvmc23"><span><br />
• <b>O que é feito com essas informações?</b></span></p>
<p class="svelte-1bvmc23">Qualquer ação personalizada que você realizar em um site é mantida na memória do servidor devido ao cookie fornecido em sua primeira visita. &#8220;Ao registrar os dados por meio dos cookies tudo será mais direcionado e personalizado de acordo com seus interesses e comportamentos de navegação&#8221;, diz Domingo Montanaro, da Ventura Risk.</p>
<p class="svelte-1bvmc23"><span><br />
• <b>Por quanto tempo os cookies ficam armazenados?</b></span></p>
<p class="svelte-1bvmc23">O tempo de armazenamento dos cookies varia de acordo com o tipo: os cookies de sessão permanecem ativos apenas durante a navegação no site, enquanto os cookies persistentes são exigidos mesmo após o fechamento da janela do navegador. Para eliminá-los, você deve fazer limpezas regulares de cookies no seu navegador de internet.</p>
<p class="svelte-1bvmc23"><span><br />
• <b>Qual a finalidade de coletar tantos dados?</b></span></p>
<p class="svelte-1bvmc23">O uso de cookies tornou-se uma ferramenta indispensável para boa parte dos serviços virtuais. Quando a política de privacidade do site é aceita, será &#8220;diagnosticado&#8221; o idioma de preferência do usuário, seus cliques recentes, detalhes de registro e outras configurações relevantes que podem ajudar na personalização e praticidade de cada página da internet. É por isso que, muitas vezes, quando você procura algum produto ou conteúdo, ele pode aparecer com mais frequência nas suas páginas da internet.</p>
<p class="svelte-1bvmc23"><span><br />
• <b>Quem utiliza os dados coletados por cookies?</b></span></p>
<p class="svelte-1bvmc23">O material coletado pelos cookies pode ser muito valioso para empresas e consumidores. Depois que o uso é consentido pelo usuário, tanto os cookies primários quanto os de terceiros são compartilhados pelo site inicial com outras empresas. Esses dados permitem uma comunicação mais eficiente, diz o publicitário Bruno Brambilia, CEO da Big Day, de inteligência de dados. “As empresas podem usar essa informação para impactar você com uma mensagem personalizada para cada vez mais aproximar a marca do consumidor final”, afirma.</p>
<p class="svelte-1bvmc23">De acordo com<span> </span><a href="https://cgi.br/publicacao/privacidade-e-protecao-de-dados-2021/">estudo do<span> </span></a><a href="https://cgi.br/publicacao/privacidade-e-protecao-de-dados-2021/">Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI)</a><span> </span>divulgado no ano passado, uma em cada cinco empresas brasileiras mantinham dados pessoais de clientes e usuários para realizar campanhas de publicidade e marketing em 2021. A pesquisa entrevistou 1.473 pequenas, médias e grandes empresas.</p>
<p class="svelte-1bvmc23"><i><b>Fontes:<span> </span></b></i><i>Doming</i><i>o Montanaro, perito em TI e cofundador da Ventura Enterprise Risk;<span> </span></i><i>Bruno<span> </span></i><i>Brambilia</i><i>, CEO da empresa de inteligência de dados Big Day; Fábio Assaf, fundador do Grupo Assaf, especializado em serviços de tecnologia da informação; Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI)</i></p>
<p class="footNotes svelte-fmghsx"><b>33º CURSO ESTADÃO DE JORNALISMO. REPORTAGEM:</b><span> </span>ADELE ROBICHEZ, ALEXANDRE MEIKEN, AMANDA BOTELHO, ANA CAROLINA MONTORO, ANNA FRANÇA, CAMILA FONTES PESSOA, CATARINA CARVALHO, DANIEL BRITO, ESTER CAETANO, ETHIENY KAREN, GABRIEL AMORIM, GABRIEL BATISTELLA, GABRIELA PEREIRA, GABRIELLA REIS, GEOVANA MELO, IASMIN MONTEIRO, JOÃO COELHO, JOÃO VITOR CASTRO, JÚLIA PEREIRA, KARINA FERREIRA, KATARINA MORAES, LAURA ABREU, LUÍSA CARVALHO, LUIZA NOBRE, MARCO DIAS, MIRELLA JOELS, RAFAELA FERREIRA, RARIANE COSTA, RÓBSON MARTINS, TAMARA NASSIF E VICTORIA LACERDA;<span> </span><b>EDIÇÃO:<span> </span></b>CARLA MIRANDA, ANDRÉIA LAGO E LUIZ FERNANDO TEIXEIRA;<span> </span><b>EDITORA DE INFOGRAFIA:</b><span> </span>REGINA ELISABETH SILVA;<span> </span><b>EDITORES-ASSISTENTES DE INFOGRAFIA:</b><span> </span>ADRIANO ARAUJO E WILLIAM MARIOTTO;<span> </span><b>DESIGNER:</b><span> </span>BRUNO PONCEANO;<span> </span><b>CONSULTORIA EM WEBDESIGN E DESENVOLVIMENTO</b>: FABIO SALES</p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Pensamento acelerado: por que estamos vivendo na velocidade 2x?</title>
		<link>https://mariaceciliagomes.com.br/pensamento-acelerado-por-que-estamos-vivendo-na-velocidade-2x/</link>
					<comments>https://mariaceciliagomes.com.br/pensamento-acelerado-por-que-estamos-vivendo-na-velocidade-2x/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Cecília]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Sep 2023 20:16:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filosofia da Tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[economia da atenção]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em um mundo dominado pela tecnologia e pela constante busca por informação, o pensamento acelerado tornou-se regra. Vivemos em uma era onde a velocidade é valorizada acima de tudo, e isso se reflete em todas as facetas da nossa vida, incluindo a maneira como consumimos conteúdo em vídeo e a nossa percepção sobre a realidade [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://mariaceciliagomes.com.br/pensamento-acelerado-por-que-estamos-vivendo-na-velocidade-2x/">Pensamento acelerado: por que estamos vivendo na velocidade 2x?</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariaceciliagomes.com.br">Maria Cecília</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Em um mundo dominado pela tecnologia e pela constante busca por informação, o pensamento acelerado tornou-se regra. Vivemos em uma era onde a velocidade é valorizada acima de tudo, e isso se reflete em todas as facetas da nossa vida, incluindo a maneira como consumimos conteúdo em vídeo e a nossa percepção sobre a realidade do mundo em que vivemos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Neste artigo, exploraremos o impacto do pensamento acelerado em nossa sociedade, especialmente no contexto do consumo de conteúdo na internet, e refletiremos sobre a necessidade de encontrar um equilíbrio entre a busca por informações rápidas e a valorização da qualidade e a profundidade de nossas experiências digitais.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><b>Efeitos da aceleração de vídeos na aprendizagem e na vida cotidiana</b></h2>
<p><a href="https://onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1002/acp.3899"><span style="font-weight: 400;">Uma pesquisa realizada em 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, pela Universidade da Califórnia, procurou entender o impacto da velocidade acelerada na educação, especialmente entre os jovens. Os resultados mostraram que assistir vídeos em velocidades de 1.0x, 1.5x ou 2.0x não teve um impacto significativo no aprendizado. No entanto, houve uma queda no desempenho quando a velocidade ultrapassou 2.0x. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É importante notar que a pesquisa fez uma ressalva, sugerindo que a relação entre velocidade de reprodução e aprendizado pode variar dependendo da complexidade do conteúdo ou da presença de elementos visuais sobrepostos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra pesquisa, uma </span><a href="https://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2023/05/27/nao-tenho-paciencia-43percent-da-populacao-brasileira-vive-em-ritmo-muito-acelerado-diz-datafolha.ghtml"><span style="font-weight: 400;">conduzida pelo Datafolha</span></a><span style="font-weight: 400;">, revelou que 43% da população brasileira vive em um ritmo de vida duas vezes mais acelerado do que o normal. Nove em cada dez pessoas não se sentem calmas. Michelle Prazeres, fundadora do </span><a href="https://www.desacelera.org.br/"><span style="font-weight: 400;">Instituto Desacelera</span></a><span style="font-weight: 400;">, descreve essa sensação como a &#8220;aceleração social do tempo&#8221;, em que as mudanças acontecem em ritmo acelerado, dando a impressão de que tudo está ocorrendo mais rapidamente.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><b>Pensamento acelerado: consumo na velocidade 2x</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">A era digital trouxe consigo uma enxurrada de conteúdo em vídeo, e não é segredo que essa mídia se tornou a grande aposta de empresas e influenciadores. </span><a href="https://exame.com/bussola/52-dos-profissionais-de-marketing-investem-no-conteudo-em-video-diz-estudo-da-getty-images/"><span style="font-weight: 400;">Segundo uma pesquisa da Getty Images,</span></a><span style="font-weight: 400;"> aproximadamente 52% dos profissionais de </span><i><span style="font-weight: 400;">marketing</span></i><span style="font-weight: 400;"> estão aumentando seus investimentos no conteúdo de vídeo, argumentando que os vídeos são ideais para transmitir informações complexas, criar um senso de imediatismo e alcançar diversos públicos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A tendência é tão dominante que até mesmo os </span><i><span style="font-weight: 400;">podcasts</span></i><span style="font-weight: 400;">, originalmente concebidos como conteúdo de áudio, adotaram um modelo híbrido, incorporando elementos visuais em suas gravações.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além das estratégias de </span><i><span style="font-weight: 400;">marketing</span></i><span style="font-weight: 400;"> e das redes sociais, a profusão de conteúdo sob demanda disponível </span><i><span style="font-weight: 400;">online</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem aproximado as pessoas cada vez mais dos vídeos. Séries, filmes, cursos e tutoriais estão acessíveis de forma gratuita ou a preços bastante acessíveis nas plataformas de <em>streaming</em>. No entanto, a oferta maciça de conteúdo coloca um dilema: como encaixar tudo isso nas nossas vidas diárias?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante desse dilema, muitos recorrem ao recurso de acelerar a reprodução de vídeos. A maioria dos <em>players</em> de vídeo atualmente oferece essa função, permitindo que os espectadores reduzam o tempo de exibição ou acelerem a reprodução em 1x, 1.5x, 2x e, em alguns casos, até 2.5x e 3x em comparação com a velocidade original.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao assistir conteúdos que sejam destinados a momentos de lazer na velocidade 2x, há um comprometimento da compreensão da história. As produções cinematográficas muitas vezes são criadas com ritmos específicos, pausas deliberadas e momentos de reflexão essenciais para a apreciação e construção da narrativa. Ao acelerar o conteúdo, perdemos essas nuances, diminuindo a qualidade da nossa experiência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse modelo de consumo de conteúdo também age ampliando a cultura do pensamento acelerado, onde a otimização do tempo é valorizada acima de tudo. Estamos realmente absorvendo o conteúdo de maneira significativa ou apenas consumindo informações de maneira superficial? Estamos vendo porque queremos ver ou por que consideramos uma obrigação estar por dentro dos últimos lançamentos e, por isso, a experiência não importa mais e sim o consumo por si só? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O pensamento acelerado não se limita apenas ao consumo de mídia. Ele se estende às nossas vidas pessoais e profissionais, onde muitas vezes nos sentimos sobrecarregados pela necessidade de fazer mais em menos tempo. Isso pode resultar em níveis elevados de estresse, falta de foco e uma sensação constante de pressa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A prática de assistir vídeos em alta velocidade é um sintoma de uma sociedade que valoriza a velocidade e a produtividade acima de tudo. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><b>Sobrecarga de informações ou </b><b><i>information overload </i></b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra questão importante para essa discussão é o conceito de sobrecarga de informações — em inglês, </span><i><span style="font-weight: 400;">information overload</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://iorgforum.org/"><span style="font-weight: 400;">O Grupo de Pesquisa sobre Sobrecarga de Informação (IORG)</span></a><span style="font-weight: 400;"> explica que essa condição ocorre quando as informações disponíveis superam a capacidade de processamento do indivíduo no tempo disponível. Essa sobrecarga é uma consequência da produção constante e da disseminação massiva de informações, impulsionada por três fatores principais: </span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">a coleta excessiva de dados: são tantas informações que não somos capazes de filtrar, processar e analisar tudo de forma adequada;</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">a falta de tempo para processar esses materiais devido à quantidade de prioridades e prazos que precisamos cumprir; e</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">a presença de informações de qualidade duvidosa e a incapacidade de determinar o que é realmente confiável e válido. </span></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">A aceleração do consumo de vídeos parece oferecer uma solução para lidar com essa sobrecarga. A ideia é simples: em menos tempo, é possível acessar mais informações e decidir o que é relevante. No entanto, vale a pena questionar os custos dessa escolha para a nossa saúde física e mental. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><b>Impactos do pensamento acelerado na concentração e no foco</b></h2>
<p><a href="https://www.forbes.com/sites/shanesnow/2023/01/16/science-shows-humans-have-massive-capacity-for-sustained-attention-and-storytelling-unlocks-it/?sh=5c1da5411a38"><span style="font-weight: 400;">Em 2015, surgiu na internet notícias de uma pesquisa que dizia que humanos estavam com uma capacidade de concentração de apenas oito segundos</span></a><span style="font-weight: 400;"> — menor que a de um peixinho-dourado. Pesquisadores da área disseram que aquele dado não existia e a fonte original da notícia acabou admitindo que o conteúdo era falso. Mesmo assim, a notícia causou comoção e até hoje há quem acredite nela. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa pesquisa não era real, mas existe sim um impacto das tecnologias atuais em nossa capacidade de concentração. </span><a href="https://time.com/6302294/why-you-cant-focus-anymore-and-what-to-do-about-it/"><span style="font-weight: 400;">Pesquisas realizadas pela professora de informática Gloria Mark, da Universidade da Califórnia</span></a><span style="font-weight: 400;">, mostraram que a mudança de foco das pessoas enquanto usam dispositivos eletrônicos ocorre em intervalos cada vez menores. No início dos anos 2000, a média era de 2,5 minutos e, segundo ela, recentemente, esse tempo diminuiu para alarmantes 47 segundos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos motivos é que nosso cérebro está condicionado a uma busca permanente por novidade. Os algoritmos das redes sociais e aplicativos nos fazem acreditar que precisamos verificar imediatamente nossas mensagens, redes sociais e notificações. Esse comportamento, alimentado pelo desejo de agilidade, está diretamente relacionado ao hábito de assistir vídeos em velocidade aumentada.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><b>Repensando prioridades e diminuindo o ritmo</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Num cenário onde a velocidade e a incessante busca por informações são tão centrais, a prática de acelerar a reprodução de vídeos surge como tática para lidar com a imensa quantidade de conteúdo disponível. No entanto, esta tendência requer uma análise que vá além do indivíduo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As empresas de tecnologia desempenham um papel significativo ao promover essa cultura de consumo acelerado, enquanto enfrentam demandas cada vez maiores por produtividade. Quanto mais tempo os usuários passam navegando em redes sociais, assistindo a vídeos ou interagindo com aplicativos, maior a receita gerada por meio de anúncios e serviços </span><i><span style="font-weight: 400;">premium</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os usuários são cada vez mais pressionados a acompanhar o ritmo frenético de novidades e lançamentos, consumindo rapidamente uma quantidade cada vez maior de informações e conteúdo. No meio de tudo isso, estão muitos aspectos da vida cotidiana, incluindo trabalho e educação, que agora estão profundamente interligados com a tecnologia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A pressão também está em realizar mais tarefas em menos tempo. Isso se traduz em práticas como multitarefa constante e a busca por maneiras de consumir informações mais rapidamente — e a aceleração de vídeos entra como uma ferramenta para atingir esses objetivos. </span></p>
<p><strong>E, como sabemos, essa necessidade de realizar cada vez mais tarefas em menos tempo tem como consequência o aumento nos níveis de estresse, esgotamento e até mesmo a uma redução na qualidade do trabalho ou da aprendizagem. </strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao invés de se concentrar exclusivamente na velocidade do consumo, é essencial repensar nossas prioridades e, simultaneamente, exigir uma abordagem mais ética e responsável por parte das corporações que moldam nossa experiência digital. Por que estamos constantemente imersos em um ritmo frenético de busca por informações e como isso afeta nossa qualidade de vida? Como as redes sociais, celulares, aplicativos impactam e estimulam esse comportamento? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A busca por uma vida menos acelerada, com espaço para reflexão, contemplação e aprofundamento, deve ser uma meta coletiva em oposição a uma sociedade que valoriza cada vez mais a produtividade, mas muitas vezes negligencia a saúde, bem-estar e necessidades básicas dos indivíduos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Repensar a prática do consumo acelerado de vídeos é um convite para uma análise mais profunda sobre como escolhemos viver nossas vidas. Em um mundo cada vez mais rápido e saturado de informações, é preciso refletir sobre o que estamos escolhendo e o que estamos apenas deixando que seja escolhido por nós. </span></p>
<p><b>Indicações </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">[Site] O site do </span><a href="https://iorgforum.org/"><span style="font-weight: 400;">Grupo de Pesquisa sobre Sobrecarga de Informação (IORG)</span></a><span style="font-weight: 400;"> está cheio de indicações de leituras, vídeos e entrevistas sobre o tema. </span></p>
<p><a href="https://iorgforum.org/io-basics/"><span style="font-weight: 400;">https://iorgforum.org/io-basics/</span></a><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">[Livro] </span><a href="https://www.amazon.com/How-Do-Nothing-Resisting-Attention/dp/1612197493"><span style="font-weight: 400;">How to do nothing </span></a></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Parece impossível fugir de toda essa tecnologia e necessidade de produção, mas o livro da artista e crítica Jenny Odell quer ser um guia para romper com essa lógica. Em “How to do nothing”, a autora fala da importância de valorizar o ato de não fazer nada, sem sentir culpa, em oposição a essa “economia da atenção”.</span></p>
<p>O post <a href="https://mariaceciliagomes.com.br/pensamento-acelerado-por-que-estamos-vivendo-na-velocidade-2x/">Pensamento acelerado: por que estamos vivendo na velocidade 2x?</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariaceciliagomes.com.br">Maria Cecília</a>.</p>
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		<title>Por que é tão difícil usar menos o Instagram? &#8211; Estado de Minas</title>
		<link>https://mariaceciliagomes.com.br/midia-publicacao/por-que-e-tao-dificil-usar-menos-o-instagram-estado-de-minas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Cecília]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 02 Sep 2023 12:38:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Publicado em: https://www.em.com.br/app/noticia/opiniao/2023/09/02/interna_opiniao,1555796/por-que-e-tao-dificil-usar-menos-o-instagram.shtml Já ficou tanto tempo rolando o feed do Instagram que, quando você notou, haviam se passado horas? Pode ficar tranquilo, essa situação acontece com muita gente. Na verdade, o formato de “feed infinito” usado pelas redes sociais é pensado para ter esse efeito. Existe ainda uma associação desses conteúdos de plataformas como [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Publicado em: <a href="https://www.em.com.br/app/noticia/opiniao/2023/09/02/interna_opiniao,1555796/por-que-e-tao-dificil-usar-menos-o-instagram.shtml">https://www.em.com.br/app/noticia/opiniao/2023/09/02/interna_opiniao,1555796/por-que-e-tao-dificil-usar-menos-o-instagram.shtml</a></p>
<p>Já ficou tanto tempo rolando o feed do Instagram que, quando você notou, haviam se passado horas? Pode ficar tranquilo, essa situação acontece com muita gente. Na verdade, o formato de “feed infinito” usado pelas redes sociais é pensado para ter esse efeito. Existe ainda uma associação desses conteúdos de plataformas como Instagram Reels e TikTok à produção de certos hormônios capazes de nos deixar mais felizes. Assim, fica ainda mais difícil parar a rolagem infinita.</p>
<p>As redes sociais são parte importante da vida moderna, oferecendo uma infinidade de conexões e oportunidades de compartilhamento de informações. Diariamente, temos acesso fácil a uma quantidade enorme de dicas, tutoriais, vídeos engraçados e animais fofinhos. Contudo, para muitas pessoas, elas se tornam verdadeiros vícios, gerando efeitos negativos em outros setores da vida.</p>
<p>Os efeitos negativos desse uso podem ser traçados, por exemplo, até casos de distorção de imagem, em que cada vez mais pessoas têm problemas de autoestima e bem-estar por se compararem às imagens vistas ali, nas redes. No entanto, o que tendemos a esquecer quando estamos nessas plataformas é que a maioria das fotos publicadas ali passou por algum tipo de tratamento ou filtro – isto é, não são reais.</p>
<p>Essa incapacidade de deixar de usar as redes sociais é, na verdade, uma estratégia. Não é só pelo conteúdo interessante, mas a estrutura e o design de cada plataforma é projetado para nos manter conectados o máximo de tempo possível. O fluxo interminável de informações nos incentiva a rolar incessantemente para baixo, na esperança de encontrar algo interessante. Ao manter o feed em constante atualização e apresentar conteúdos personalizados, as redes sociais alimentam nosso desejo de descobrir mais.</p>
<p>E, então, quanto mais tempo as pessoas passam, mais ficam conectadas a essas redes, mais anunciantes querem pagar para estar ali. Esse é o grande ponto. A manutenção dos usuários ali por horas é uma forma de dizer para as marcas “olha essas pessoas aqui! Elas poderiam estar vendo seu produto!”. Portanto, quanto mais tempo passamos ali, mais lucro eles têm.</p>
<p>Não é apenas a existência de um feed sem fim que nos faz permanecer vinculados às redes. Existem vários outros mecanismos que nos condicionam a esse movimento e um deles é justamente o movimento de rolar a tela para atualizar. Mas existe outra semelhança ainda mais importante aqui: assim como cassinos e jogos de azar: a possibilidade de ganhar alguma coisa.</p>
<p>Ao aplicar essa mesma dinâmica de recompensa e antecipação nas redes sociais, as plataformas criam uma sensação de gratificação instantânea toda vez que atualizamos o feed. Essa ação nos leva a esperar por novas notificações, mensagens ou atualizações, criando um ciclo vicioso de busca por estímulos.</p>
<p>No texto “Why the infinite scroll is so addictive?” [Por que a rolagem infinita é tão viciante?] o autor Grant Collins, explica que a cada puxada na alavanca das redes sociais, esperamos receber algo em troca. Um vídeo do nosso youtuber favorito, uma nova piada, uma mensagem de alguém com quem queremos falar.</p>
<p>Esse mecanismo de recompensa funciona ainda ativando hormônios responsáveis pela liberação da sensação de felicidade e bem-estar — a dopamina. Em uma entrevista ao jornal The Guardian, a Dra. Anna Lembke, especialista em questões envolvendo vícios, explica que nos voltamos para as redes sociais buscando validação, atenção e distração em cada rolagem, like ou tuíte.</p>
<p>Cada ação é motivada pela busca por mais dopamina. O hormônio, além de ser associado a “se sentir bem”, ela explica, nos motiva a fazer coisas que vão nos dar prazer. Nesse caminho, essa validação gerada pelas redes sociais nos proporciona a liberação desse efeito — e estamos sempre querendo mais.</p>
<p>O que a Dra. Anna Lembke recomenda para driblar esses efeitos é buscar sensações de prazer que vão levar mais tempo para serem atingidas. São ações ou buscas que vão ser mais trabalhosas, mas nos proporcionam uma sensação de prazer mais duradoura. Estabelecer limites de tempo, desconectar-se regularmente e priorizar atividades off-line são medidas importantes para encontrar um equilíbrio saudável entre o mundo virtual e o mundo real.</p>
<p>Indo além da responsabilidade dos usuários, também é crucial que as próprias empresas sejam cobradas e assumam a responsabilidade de projetar suas plataformas de maneira ética, considerando o bem-estar dos usuários. A transparência na coleta de dados, a implementação de recursos que promovam o uso consciente são passos importantes para tornar as redes sociais menos problemáticas.</p>
<p>Em última análise, o desafio de se afastar das redes sociais está intrinsecamente ligado à maneira como essas plataformas são projetadas para manter nossa atenção. No entanto, ao reconhecer esse vício e buscar uma mudança consciente de hábitos, podemos recuperar o controle sobre nosso tempo e bem-estar, aproveitando os benefícios das redes sociais sem cair em suas armadilhas.</p>
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		<title>Vício nas redes: os riscos e as questões relacionadas ao uso excessivo das redes sociais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Cecília]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Aug 2023 14:43:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Redes sociais]]></category>
		<category><![CDATA[redes sociais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É cada vez mais comum vermos pessoas imersas em seus celulares, navegando por horas a fio nas redes sociais, publicando alguma coisa, enviando mensagens ou consumindo conteúdo online. A internet e os aparelhos móveis modificaram muito como interagimos, nos comunicamos ou consumimos informação. Entretanto, o tempo gasto nesses aparelhos tem crescido exponencialmente, como demonstram estudos [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">É cada vez mais comum vermos pessoas imersas em seus celulares, navegando por horas a fio nas redes sociais, publicando alguma coisa, enviando mensagens ou consumindo conteúdo online. A internet e os aparelhos móveis modificaram muito como interagimos, nos comunicamos ou consumimos informação. Entretanto, o tempo gasto nesses aparelhos tem crescido exponencialmente, </span><a href="https://ufmg.br/comunicacao/assessoria-de-imprensa/release/estudo-ufmg-cresce-numero-de-brasileiros-que-faz-uso-prolongado-de-telas-no-tempo-de-lazer#:~:text=Estudo%20UFMG%3A%20cresce%20n%C3%BAmero%20de%20brasileiros%20que%20faz%20uso%20prolongado,telas%20no%20tempo%20de%20lazer&amp;text=Os%20moradores%20das%20capitais%20brasileiras,dia%2C%20entre%202016%20e%202021."><span style="font-weight: 400;">como demonstram estudos na área, </span></a><span style="font-weight: 400;">indicando um aumento no vício nas redes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse aumento expressivo não surpreende se consideramos a ampla quantidade de aplicativos disponíveis, seja de redes sociais, jogos ou relacionados a qualquer função típica do nosso dia a dia. Por questões de praticidade e atratividade, estamos cada vez mais conectados e até dependentes desses aparelhos. A quantidade de conteúdos disponíveis também dificultam resistir ao impulso de pegar o celular para praticamente qualquer coisa — especialmente quando queremos preencher algum tempo livre. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um vídeo engraçado que um amigo enviou, uma nova publicação de uma pessoa que você gosta, uma promoção de algo que você não precisa, somos constantemente bombardeados com notificações e conteúdos. As redes sociais se transformaram em um espaço onde nos conectamos e onde nos informamos. Seja com amigos, familiares ou até mesmo com pessoas desconhecidas, estamos sempre compartilhando momentos, opiniões e emoções. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, o problema surge quando esse uso se torna automático e desmedido. Estamos realmente aproveitando nosso tempo livre, ou estamos simplesmente consumindo conteúdo no “piloto automático”? Uma rápida tarefa no celular, como verificar uma mensagem, um e-mail ou pesquisar algo, acaba se transformando em uma verificação incessante das redes sociais. O tempo passa e, sem percebermos, estamos imersos no </span><i><span style="font-weight: 400;">feed</span></i><span style="font-weight: 400;"> infinito das redes, vivendo um ciclo interminável de rolagem e consumo de informações. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Como explica o médico Rodrigo Menezes Machado </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2023/05/e-vicio-entenda-os-diferentes-graus-de-dependencia-das-redes-sociais.shtml"><span style="font-weight: 400;">em entrevista à Folha de S. Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, a caracterização do uso de redes sociais como vício está justamente na perda de controle sobre a ação, quando ela ultrapassa os limites saudáveis, afetando o equilíbrio entre a vida online e a vida real.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O uso excessivo do celular e das redes sociais pode ser prejudicial para a produtividade, seja no trabalho ou no estudo, comprometer as relações pessoais e interferir também no bem-estar emocional e mental. A necessidade de estar constantemente conectado tem como consequência o desenvolvimento da pressão social para estar sempre disponível, gerando mais estresse e ansiedade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos riscos mais significativos associados ao vício em redes sociais são os problemas relacionados à autoestima e à autoimagem. Os conteúdos de mais engajamento nas redes sociais em geral são imagens perfeitas, idealizadas e irreais que causam comparações infundadas e sentimentos de inadequação. Muitas pessoas desenvolvem uma obsessão por parecerem perfeitas, assim como, nas fotos que veem nas redes sociais, as quais são tratadas com filtros e aplicativos de mudança de aparência estética, levando a problemas de distorção da realidade e da própria imagem.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa questão é particularmente séria para pessoas mais jovens, ainda em processo de identificação e construção da própria personalidade. </span><a href="https://www.theguardian.com/society/2023/jan/01/social-media-triggers-children-to-dislike-their-own-bodies-says-study"><span style="font-weight: 400;">Segundo um estudo publicado no início do ano pelo jornal The Guardian</span></a><span style="font-weight: 400;">, três em cada quatro crianças de até 12 anos não gostam de seus corpos e se dizem constrangidas em relação à própria aparência. Os números aumentam de 08 em cada 10 jovens para a faixa entre os 18 e 21 anos. A pesquisa foi realizada pela </span><a href="https://stem4.org.uk/"><span style="font-weight: 400;">stem4,</span></a><span style="font-weight: 400;"> uma instituição de caridade que apoia a saúde mental positiva em adolescentes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além dos problemas de saúde mental, o uso excessivo das redes sociais também afeta negativamente a qualidade do sono. Muitas pessoas se encontram rolando seus feeds até altas horas da noite, comprometendo o descanso adequado. </span><a href="https://oglobo.globo.com/saude/medicina/noticia/2023/05/problemas-para-dormir-usar-redes-sociais-a-noite-atrapalha-o-sono-mostra-estudo.ghtml"><span style="font-weight: 400;">A exposição constante à luz azul</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos dispositivos eletrônicos interrompe o ritmo natural do sono, além de aumentar os níveis de dopamina, aumentando os problemas relacionados à questão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora a responsabilidade recaia constantemente sobre os usuários, não podemos esquecer da participação das empresas de tecnologias em seu papel na redução da dependência das redes sociais. São muitas as estratégias empregadas pelas grandes empresas de tecnologia para manter os usuários presos às plataformas. Elas investem em técnicas de design e psicologia comportamental para capturar e reter a atenção dos usuários, visando maximizar o tempo gasto nas redes sociais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como explica Tristan Harris, ex- designer de Ética do Google, </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/ex-funcionarios-de-big-techs-revelam-que-redes-sociais-sao-projetadas-para-viciar-usuarios/"><span style="font-weight: 400;">em entrevista à CNN, </span></a><span style="font-weight: 400;">existem pessoas cuja função é entender como prender a atenção de uma pessoa e fazer com que ela sempre volte. “A compulsividade é projetada. Há engenheiros cujo único trabalho é entender como tomar a maior parte da atenção de alguém e fazer com que ela volte no dia seguinte”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As empresas se empenham para criar um ambiente altamente envolvente, onde cada detalhe é projetado para incentivar a interação sem fim. Recursos como notificações constantes, rolagem infinita, recomendações personalizadas e </span><i><span style="font-weight: 400;">feedback</span></i><span style="font-weight: 400;"> instantâneo são cuidadosamente planejados e incorporados às redes sociais para estimular a compulsão e a dependência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O objetivo não é segredo para ninguém: as empresas querem aumentar a participação do usuário para, consequentemente, gerar mais receita por meio da publicidade direcionada. Quanto mais tempo os usuários passarem nas redes sociais, mais anúncios serão exibidos e mais dados serão coletados, mais empresas vão querer anunciar na plataforma, alimentando os lucros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante desse cenário, surge a necessidade de regulamentações cada vez mais sofisticadas e medidas que responsabilizem as empresas de tecnologia por suas práticas. É preciso estabelecer diretrizes éticas e limites para o </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> das plataformas, garantindo que a atenção do usuário seja valorizada e não explorada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As empresas de tecnologia precisam ter a responsabilidade de criar um ambiente digital mais saudável, priorizando a ética e o bem-estar dos usuários. Isso envolve reavaliar suas práticas de </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;">, promover o uso consciente da tecnologia e oferecer recursos que incentivem o equilíbrio e o tempo de qualidade </span><i><span style="font-weight: 400;">offline</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, é fundamental também que os usuários estejam conscientes dos impactos negativos do uso excessivo de redes sociais e busquem estabelecer limites saudáveis em seu próprio comportamento </span><i><span style="font-weight: 400;">online</span></i><span style="font-weight: 400;">. A educação digital e a conscientização sobre os riscos do vício em redes sociais são essenciais para promover um uso mais equilibrado e consciente da tecnologia.</span></p>
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		<title>Tempo no celular: os problemas do consumo de um conteúdo interminável</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Cecília]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Jul 2023 13:09:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Redes sociais]]></category>
		<category><![CDATA[economia da atenção]]></category>
		<category><![CDATA[redes sociais]]></category>
		<category><![CDATA[tempo no celular]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em um mundo cada vez mais conectado, onde os avanços tecnológicos nos permitem acessar uma infinidade de informações e de entretenimento com apenas alguns toques na tela do celular, é inevitável questionar: em quê estamos perdendo tanto tempo todos os dias? Por que temos a percepção de que 24 horas não é mais suficiente? Estamos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Em um mundo cada vez mais conectado, onde os avanços tecnológicos nos permitem acessar uma infinidade de informações e de entretenimento com apenas alguns toques na tela do celular, é inevitável questionar: em quê estamos perdendo tanto tempo todos os dias? Por que temos a percepção de que 24 horas não é mais suficiente? Estamos vivendo plenamente ou apenas consumindo conteúdos de forma automática e interminável?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um estudo realizado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), entre os anos de 2016 e 2021, revelou que os moradores das capitais brasileiras aumentaram o tempo gasto com dispositivos móveis, como celulares, computadores e tablets, de 1,7 para 2 horas por dia. O estudo feito pelo Programa de Pós-graduação em Saúde Pública da Faculdade de Medicina coordenada pelo professor Rafael Moreira Claro, resultou no artigo </span><i><span style="font-weight: 400;">Changes in Screen Time in Brazil: A Time-Series Analysis 2016-2021, </span></i><a href="https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/08901171231152147"><span style="font-weight: 400;">publicado no American Journal of Health Promotion</span></a><span style="font-weight: 400;">, no início desse ano. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse aumento, que é bastante significativo, nos leva a refletir sobre como os celulares têm mudado como nos comunicamos e interagimos, e também sobre os desafios que isso implica para o aproveitamento adequado do nosso tempo. Um grande problema é a tendência ao consumo automático de conteúdo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O acesso rápido e fácil às redes sociais, e-mails, notícias e jogos pode facilmente nos envolver em um ciclo vicioso de rolagem infinita. O que começa como uma tarefa rápida no celular, como verificar uma mensagem, pode facilmente se transformar em horas desperdiçadas, desviando nossa atenção de atividades mais importantes e significativas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo artigo da BBC, </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c6pln490eleo"><span style="font-weight: 400;">Como celulares mudaram nossos cérebros</span></a><span style="font-weight: 400;">, os impactos são tanto diretos quanto indiretos. Além das horas perdidas nesse rolar infinito, a mera existência dos celulares já se tornou um problema. Isso porque, em muitos momentos, nosso cérebro luta para inibir esse desejo de estar sempre no celular, gerando um cansaço que nem sequer nos damos conta. Esse excesso de informação e de tarefas que desempenhamos é bastante debatido por Byung-Chul Han em seu livro A Sociedade do Cansaço.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa sensação de estar sendo &#8220;sugado pela tela que rola sem parar&#8221;, como descreve o artigo da BBC, é uma realidade comum para muitos de nós. As notificações constantes, os vídeos sugeridos e os </span><i><span style="font-weight: 400;">feeds</span></i><span style="font-weight: 400;"> intermináveis contribuem para um ambiente digital que nos mantém presos e nos impede de controlar conscientemente o tempo que passamos consumindo conteúdo. O medo de não estar conectado começou a ser chamado inclusive de </span><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/saude/audio/2022-12/o-medo-de-ficar-desconectado-pelo-celular-tem-nome-nomofobia#:~:text=Voc%C3%AA%20sabe%20o%20que%20%C3%A9,t%C3%AAm%20de%20n%C3%A3o%20ficar%20conectados."><span style="font-weight: 400;">nomofobia</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O uso prolongado de celulares e dispositivos móveis tem sido objeto de preocupação quando se trata do desenvolvimento cognitivo e seus impactos na saúde mental. Conforme mencionado </span><a href="https://oglobo.globo.com/saude/medicina/noticia/2023/05/drenagem-cerebral-o-uso-exagerado-do-celular-suga-nossa-capacidade-cognitiva-diz-novo-estudo-entenda.ghtml"><span style="font-weight: 400;">no artigo do Globo</span></a><span style="font-weight: 400;">, especialistas ressaltam a importância da educação digital como uma ferramenta essencial para lidar com os riscos associados a esse uso excessivo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando estamos constantemente imersos em um fluxo interminável de informações, seja através de redes sociais, notícias ou outros conteúdos online, nosso cérebro enfrenta desafios significativos. A sobrecarga cognitiva decorrente do processamento contínuo dessas informações pode levar a um funcionamento cerebral comprometido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O artigo menciona ainda estudos que têm demonstrado que o uso excessivo de dispositivos móveis pode ter efeitos negativos no desenvolvimento cognitivo, especialmente em crianças e adolescentes. O cérebro em desenvolvimento é particularmente sensível a estímulos externos, e o consumo constante de conteúdo digital pode prejudicar habilidades como a atenção, a concentração e a capacidade de raciocínio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A dependência digital e o uso compulsivo de celulares têm sido associados a problemas de saúde mental, como ansiedade, depressão e isolamento social. A constante exposição a imagens idealizadas nas redes sociais também pode gerar sentimentos de inadequação e baixa autoestima.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"></span><span style="font-weight: 400;">No entanto, a culpa não deve recair apenas nos dispositivos móveis ou nas redes sociais em si. Eles são ferramentas poderosas, capazes de conectar pessoas, fornecer informações valiosas e oferecer entretenimento. O problema reside na forma como as utilizamos, sim, mas também nas estratégias usadas pelas grandes empresas para nos prender ali pelo maior tempo possível. Elas desempenham um papel central no desenvolvimento e na implementação de estratégias que buscam prender as pessoas a seus produtos, incentivando o uso contínuo e prolongado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essas empresas empregam táticas de </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> persuasivo, utilizando-se de técnicas psicológicas para maximizar a retenção dos usuários. Cada detalhe de uma rede social é construído para prender as pessoas. Dentro desse planejamento, estão inclusive os nossos sentimentos e a sensação de prazer que sentimos, devido a liberação de dopamina, por estar ali assistindo a horas e horas de vídeos intermináveis. Recursos como notificações constantes, mecanismos de recompensa, algoritmos de recomendação personalizada e a criação de interfaces altamente envolventes são projetados para manter as pessoas &#8220;presas&#8221; em suas plataformas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É crucial que esse desenvolvimento seja questionado e a transparência e a prestação de contas são elementos essenciais nesse processo. As práticas de </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> e os algoritmos utilizados devem ser abertos ao escrutínio público, permitindo que os usuários compreendam como são influenciados e tenham mais controle sobre seu uso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"></span><span style="font-weight: 400;">As empresas podem desempenhar um papel ativo no fornecimento de informações sobre os impactos do uso excessivo de dispositivos móveis e no desenvolvimento de programas de educação que ensinem habilidades de gerenciamento do tempo, uso consciente da tecnologia e alfabetização digital.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse mesmo contexto, é importante promover a conscientização e a educação digital. Esse conhecimento pode ser usado para informar políticas de design mais éticas, que priorizem a saúde e o bem-estar dos usuários, em vez de simplesmente buscar maximizar o tempo de uso.</span></p>
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		<title>Por que é tão difícil usar menos o Instagram?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Cecília]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Jun 2023 15:25:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Redes sociais]]></category>
		<category><![CDATA[economia da atenção]]></category>
		<category><![CDATA[redes sociais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Já ficou tanto tempo rolando o feed do Instagram que, quando você notou, haviam se passado horas? Pode ficar tranquilo, essa situação acontece com muita gente. Na verdade, o formato de “feed infinito” usado pelas redes sociais é pensado para ter esse efeito. Existe ainda uma associação desses conteúdos de plataformas como Instagram Reels e TikTok à produção de certos hormônios capazes de nos deixar mais felizes. Assim, fica ainda mais difícil para a rolagem infinita. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Já ficou tanto tempo rolando o </span><i><span style="font-weight: 400;">feed </span></i><span style="font-weight: 400;">do Instagram que, quando você notou, haviam se passado horas? Pode ficar tranquilo, essa situação acontece com muita gente. Na verdade, o formato de “</span><i><span style="font-weight: 400;">feed</span></i><span style="font-weight: 400;"> infinito” usado pelas redes sociais é pensado para ter esse efeito. Existe ainda uma associação desses conteúdos de plataformas como Instagram Reels e TikTok à produção de certos hormônios capazes de nos deixar mais felizes. Assim, fica ainda mais difícil parar a rolagem infinita. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As redes sociais são parte importante da vida moderna, oferecendo uma infinidade de conexões e oportunidades de compartilhamento de informações. Diariamente, temos acesso fácil a uma quantidade enorme de dicas, tutoriais, vídeos engraçados e animais fofinhos. Contudo, para muitas pessoas, elas se tornam verdadeiros vícios, gerando efeitos negativos em outros setores da vida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os efeitos negativos desse uso podem ser traçados, por exemplo, até casos de distorção de imagem, em que cada vez mais pessoas têm problemas de autoestima e bem-estar por se compararem às imagens vistas ali, nas redes. No entanto, o que tendemos a esquecer quando estamos nessas plataformas, é que a maioria das fotos publicadas ali passou por algum tipo de tratamento ou filtro &#8211; isto é, não são reais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa incapacidade de deixar de usar as redes sociais é, na verdade, uma estratégia. Não é só pelo conteúdo interessante, mas a estrutura e o design de cada plataforma é projetado para nos manter conectados o máximo de tempo possível. O fluxo interminável de informações nos incentiva a rolar incessantemente para baixo, na esperança de encontrar algo interessante. Ao manter o </span><i><span style="font-weight: 400;">feed </span></i><span style="font-weight: 400;">em constante atualização e apresentar conteúdos personalizados, as redes sociais alimentam nosso desejo de descobrir mais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E, então, quanto mais tempo as pessoas passam, mais ficam conectadas a essas redes, mais anunciantes querem pagar para estar ali. Esse é o grande ponto. A manutenção dos usuários ali por horas é uma forma de dizer para as marcas “olha essas pessoas aqui! Elas poderiam estar vendo seu produto!”. Portanto, quanto mais tempo passamos ali, mais lucro eles têm. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é apenas a existência de um </span><i><span style="font-weight: 400;">feed </span></i><span style="font-weight: 400;">sem fim que nos faz permanecer vinculados às redes. Existem vários outros mecanismos que nos condicionam a esse movimento e um deles é justamente o movimento de rolar a tela para atualizar. Mas, existe outra semelhança ainda mais importante aqui: assim como cassinos e jogos de azar: </span><a href="https://uxdesign.cc/why-the-infinite-scroll-is-so-addictive-9928367019c5"><span style="font-weight: 400;">a possibilidade de ganhar alguma coisa</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao aplicar essa mesma dinâmica de recompensa e antecipação nas redes sociais, as plataformas criam uma sensação de gratificação instantânea toda vez que atualizamos o </span><i><span style="font-weight: 400;">feed</span></i><span style="font-weight: 400;">. Essa ação nos leva a esperar por novas notificações, mensagens ou atualizações, criando um ciclo vicioso de busca por estímulos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No texto </span><a href="https://uxdesign.cc/why-the-infinite-scroll-is-so-addictive-9928367019c5"><span style="font-weight: 400;">“Why the infinite scroll is so addictive?”</span></a> <i><span style="font-weight: 400;">[Por que a rolagem infinita é tão viciante?] </span></i><span style="font-weight: 400;">o autor Grant Collins, explica que a cada puxada na alavanca das redes sociais, esperamos receber algo em troca. Um vídeo do nosso YouTuber favorito, uma nova piada, uma mensagem de alguém com quem queremos falar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse mecanismo de recompensa funciona ainda ativando hormônios responsáveis pela liberação da sensação de felicidade e bem-estar — a dopamina. </span><a href="https://www.theguardian.com/global/2021/aug/22/how-digital-media-turned-us-all-into-dopamine-addicts-and-what-we-can-do-to-break-the-cycle"><span style="font-weight: 400;">Em uma entrevista ao jornal </span><i><span style="font-weight: 400;">The Guardian</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a Dra. Anna Lembke, especialista em questões envolvendo vícios, explica que nos voltamos para as redes sociais buscando validação, atenção e distração em cada rolagem, like ou tuíte. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cada ação é motivada pela busca por mais dopamina. O hormônio, além de ser associado a “se sentir bem”, ela explica, nos motiva a fazer coisas que vão nos dar prazer. Nesse caminho, essa validação gerada pelas redes sociais, nos proporciona a liberação desse efeito — e estamos sempre querendo mais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que a Dra. Anna Lembke recomenda para driblar esses efeitos é buscar sensações de prazer que vão levar mais tempo para serem atingidas. São ações ou buscas que vão ser mais trabalhosas, mas nos proporcionam uma sensação de prazer mais duradoura. Estabelecer limites de tempo, desconectar-se regularmente e priorizar atividades off-line são medidas importantes para encontrar um equilíbrio saudável entre o mundo virtual e o mundo real.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indo além da responsabilidade dos usuários, também é crucial que as próprias empresas sejam cobradas e assumam a responsabilidade de projetar suas plataformas de maneira ética, considerando o bem-estar dos usuários. A </span><span style="font-weight: 400;">transparência na coleta de dados, a implementação de recursos que promovam o uso consciente são passos importantes para tornar as redes sociais menos problemáticas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em última análise, o desafio de se afastar das redes sociais está intrinsecamente ligado à maneira como essas plataformas são projetadas para manter nossa atenção. No entanto, ao reconhecer esse vício e buscar uma mudança consciente de hábitos, podemos recuperar o controle sobre nosso tempo e bem-estar, aproveitando os benefícios das redes sociais sem cair em suas armadilhas.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Entrevista TV Senado &#8211; Reconhecimento Facial em Aeroportos</title>
		<link>https://mariaceciliagomes.com.br/midia-publicacao/entrevista-tv-senado-reconhecimento-facial-em-aeroportos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Cecília]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Jun 2023 22:13:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Fui entrevistada pelo Programa Cidadania da TV Senado sobre reconhecimento facial em aeroportos. Foi uma conversa super legal, longa e com o objetivo de ser didática para explicar para à população brasileira o que é, quais são os tipos e como funcionam sistemas de reconhecimento facial em aeroportos. Cada vez mais tecnologias como essa são implementadas em [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span>Fui entrevistada pelo Programa Cidadania da </span><a href="https://www.linkedin.com/company/tv-senado/" data-attribute-index="0" data-entity-type="MINI_COMPANY">TV Senado</a><span> sobre reconhecimento facial em aeroportos. Foi uma conversa super legal, longa e com o objetivo de ser didática para explicar para à população brasileira o que é, quais são os tipos e como funcionam sistemas de reconhecimento facial em aeroportos.</span></p>
<p><span>Cada vez mais tecnologias como essa são implementadas em aeroportos, mas sem haver a realização de relatórios de impacto, cumprimento do princípio da transparência e da responsabilização e prestação de contas.</span></p>
<p><span>Assim como há um problema sério sobre a base legal que respalda esse tratamento. Se é obrigatório passar pelo reconhecimento facial com o cartão de embarque ou com o passaporte, a base legal do consentimento não é aplicável. Ser obrigatório e usar o consentimento são duas palavras que não se encaixam numa frase. Deve haver uma adequação da base legal utilizada, bem como o cumprimento de todos os deveres e obrigações previstas na LGPD relativas ao tratamento de dados pessoais.</span></p>
<p><span>Falamos sobre a percepção cultural do que significa privacidade, e do falso dilema envolvendo segurança x privacidade. E que na minha percepção precisamos encontrar um equilíbrio entre garantir segurança e respeitar a privacidade de cada um em nossa sociedade.</span></p>
<p><span>Por fim me perguntaram o que significa cidadania para mim e eu respondi: “Cidadania para mim é poder exercer todos os direitos que estão garantidos no Estado Democrático de Direito, na Constituição, seja o direito à privacidade, seja o direito a proteção de dados, a liberdade de ir e vir. Pra mim cidadania é isso, é ter os meus direitos respeitados, e eu também respeitar os direitos de cada uma das pessoas, que faz parte dessa sociedade junto comigo”.</span></p>
<p><a href="https://www12.senado.leg.br/tv/programas/cidadania-1/2023/06/reconhecimento-facial-em-aeroportos-pode-violar-direito-a-protecao-de-dados-pessoais">https://www12.senado.leg.br/tv/programas/cidadania-1/2023/06/reconhecimento-facial-em-aeroportos-pode-violar-direito-a-protecao-de-dados-pessoais</a></p>
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		<title>Audiência Pública ANPD &#8211; Regulamento de Comunicação de Incidentes</title>
		<link>https://mariaceciliagomes.com.br/midia-publicacao/audiencia-publica-anpd-regulamento-de-comunicacao-de-incidentes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Cecília]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 May 2023 18:28:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Versão completa da minha fala na audiência pública da ANPD, precisei reduzir o texto original para caber nos 7 minutos. Link da audiência. Começa no tempo 05:54:00. Quero agradecer a oportunidade de poder contribuir na construção de normas de proteção de dados, com o objetivo de apoiar o desenvolvimento de uma regulação consistente para salvaguardar [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Versão completa da minha fala na audiência pública da ANPD, precisei reduzir o texto original para caber nos 7 minutos.</p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5KCIVpnmnsA&amp;ab_channel=anpdgov">Link da audiência.</a> Começa no tempo 05:54:00.</p>
<p>Quero agradecer a oportunidade de poder contribuir na construção de normas de proteção de dados, com o objetivo de apoiar o desenvolvimento de uma regulação consistente para salvaguardar direitos individuais e termos ambientes com riscos sob permanente escrutínio. Nas pesquisas que desenvolvo pude constatar que o conhecimento sobre risco muitas vezes é impreciso e isso se reflete na norma da ANPD, que aborda de forma ampla esse tema. Há dois conceitos iniciais que precisam ser muito bem definidos para que o trabalho que todos queremos construir juntos tenha uma base de sustentação sólida: o que é risco? o que é dano relevante?</p>
<p>Faz séculos que a humanidade em diversas áreas de conhecimento discute o que é risco. De acordo com Bernstein risco “é a capacidade de definir o que pode acontecer no futuro e escolher entre alternativas”. Essa definição é reflexo de um pensamento da matemática que muitas vezes tem ressonância na área jurídica, que é determinar o que pode acontecer no futuro e dizer que os riscos estão sob controle, são gerenciáveis, estão a níveis aceitáveis e que, portanto, não devem ser objeto de uma reflexão profunda. Esse tipo de pensamento é fruto de uma visão determinista sobre o futuro.</p>
<p>Na área da matemática, Pascal, Fermat e em especial Laplace, dedicaram suas vidas a pensar sobre como uma equação poderia prever todas as possibilidades de eventos futuros, ou seja, prever através das teorias das probabilidades o risco de algo acontecer. Laplace acreditava fortemente nisso, ele achava que o futuro nada mais é do que uma consequência do passado, onde não existem necessariamente escolhas individuais, mas tudo obedece no tempo, ao que foi feito antes. Quando as pessoas em 2023 pensam “risco” elas estão pensando de forma parecida com Laplace. Elas querem que uma avaliação de risco traduza todas as possibilidades de eventos futuros. E a partir daí determinam se o nível de risco de um incidente é baixo, médio ou alto. Calculando a probabilidade desse evento ocorrer vezes o impacto que elas imaginam que poderá ter na vida de outras pessoas. O problema desse raciocínio é que Laplace propôs isso no século XVIII, e estamos fazendo isso no século XXI, logo significa que precisamos repensar a teoria da probabilidade como base da avaliação de riscos em regulações baseadas em risco, especificamente em normas que tratam risco sob a ótica de proteção de dados.</p>
<p>Modelos prescritivos de classificação de risco, como é o que está sendo proposto sob o nome de “critérios gerais e específicos” no art. 5, são limitados e imprecisos. Um modelo procedimental de avaliação de risco atende melhor o momento atual. Isso porque já cruzamos a linha como sociedade em relação ao que poderíamos prever de possibilidades de futuro, todos os dias as tecnologias nos demonstram que não conseguimos prever o que elas farão em seguida. Citando Jorge Eduardo Douglas Price: “vivemos o futuro incerto da sociedade do risco”.</p>
<p>Sei o quanto é frustrante muitas vezes querer calcular de forma objetiva, com equações, percentuais, o nível de risco. Francesco Guicciardini conta que Aristóteles certa vez disse que: “A verdade dos eventos futuros não é determinada”. Eu concordo com Aristóteles e, discordo da visão deteminista de Laplace. Risco não é quantificável e sim qualitativo, você pode atribuir qualidades a ele, mas não conseguirá vislumbrar todas as possibilidades de eventos futuros. De acordo com Kaminski, risco reflete o “conhecido desconhecido”. Ou seja, “risco” é incerto, desconhecido, complexo e invisível. Você vê a radiação? Você consegue enxergar ela se aproximando? Não. Isso significa que ela não exista? Não, isso significa que você apenas não a vê. Quando Ulrich Beck escreveu em 1986 uma crítica sobre como a sociedade pensava risco, ele deu esse exemplo, porque o seu livro estava sendo escrito no momento em que aconteceu o acidente de Chernobyl. Portanto, pensar risco é partir do pressuposto que se desconhece ele em sua totalidade.</p>
<p>Não tenho a pretensão de dizer: “desistam de calcular risco”, eu tenho a intenção de afirmar com fundamentos que o que precisa ser alterado é a forma como pensamos o conceito de risco, e pararmos de aceitar riscos que não devem ser aceitos.</p>
<p>Muitas vezes os conceitos de riscos e de danos são confundidos, misturados, quando na verdade eles são diferentes. E isso é consequência de olhar o mundo muitas vezes com apenas uma lente, pensando algo através de apenas uma área de conhecimento e, assim vamos reproduzindo problemas. Existem muitos problemas na regulação baseada em risco. Assim como existem problemas em outros modelos regulatórios, não há nada de novo nisso que estou dizendo. E isso tem fonte na própria Teoria do Direito, algo que Kelsen sabia quando afirmou: “uma ordem que regula a sua própria criação”. Ou seja, se faz necessária uma autocrítica sobre como nós pensamos uma regulação. Nesse sentido por que não pensar em um estudo técnico sobre risco e sobre dano? Por que não reunir pessoas de diferentes áreas de conhecimento para pensar esses conceitos, com participação multisetorial e proporcional em cada setor. Um grupo de trabalho para elaborar um estudo sobre risco e dano e, assim pensar em possibilidades e parâmetros do que significa relevante. Servindo esse estudo como base orientadora para o Regulamento e para outras normas que a ANPD irá elaborar, isso porque esses conceitos são transversais e os controladores precisam entender o que a ANPD está considerando como risco e dano, em linha com o que o art. 5, parágrafo 3 do Regulamento propõe. Para além disso, também é possível fazer estudos de caso de forma setorial.</p>
<p>Assim estabeleceremos um roteiro sobre as formas de avaliar e mitigar riscos e prestar contas deles. Alinhar essa regra às construções jurídicas relacionadas de forma a expor o que deve ser exceção, no sentido do que fazer quando tudo isso foi feito antes, mas mesmo assim aconteceu uma falha de segurança que resultou em um incidente e ele gerou riscos e danos relevantes.</p>
<p>Tenho convicção de que conhecimento não é uma construção individual, mas sim coletiva e interdisciplinar, como defende Edgar Morin. Se Aristóteles, Pascal, Fermat, Laplace, Foucault, Beck, Luhmann, Bernstein, Kaminski, Quelle e Price, não tivessem pensado os conceitos de risco, dano e futuro, eu certamente não estaria fazendo essa fala hoje. Construímos conhecimento de forma coletiva desde sempre, os estudos de pensadores nos ajudam a avançar um degrau a mais, então, por que não subimos um degrau no debate de risco e dano no mundo? Temos pessoas brilhantes pensando esse tema em diversas áreas no país nesse exato instante. Não responderemos os desafios do presente, sem ousar questionar o que já foi pensado no passado e, se não fizermos isso agora poderá acontecer de não haver uma coerência nos conceitos de risco e de dano em diferentes normas produzidas sobre proteção de dados no Brasil.</p>
<p>&nbsp;</p>
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