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	<title>Você pesquisou por nomofobia - Maria Cecília</title>
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		<title>Você sabe o que é Nomofobia? Entenda o conceito e riscos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Maria Cecília]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Oct 2023 21:56:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Redes sociais]]></category>
		<category><![CDATA[nomofobia]]></category>
		<category><![CDATA[redes sociais]]></category>
		<category><![CDATA[segurança digital]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Você seria capaz de passar uma semana inteira sem usar o celular? Atualmente isso seria bastante difícil, seja por questões de trabalho ou para manter contato com outras pessoas. Há algum tempo o aparelho vem deixando de ser um item opcional para se tornar uma necessidade. Esse uso quase obrigatório é impulsionado por aplicativos pensados [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://mariaceciliagomes.com.br/nomofobia/">Você sabe o que é Nomofobia? Entenda o conceito e riscos</a> apareceu primeiro em <a href="https://mariaceciliagomes.com.br">Maria Cecília</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Você seria capaz de passar uma semana inteira sem usar o celular? Atualmente isso seria bastante difícil, seja por questões de trabalho ou para manter contato com outras pessoas. Há algum tempo o aparelho vem deixando de ser um item opcional para se tornar uma necessidade. Esse uso quase obrigatório é impulsionado por aplicativos pensados para prender a atenção do usuário por horas. Esse uso dependente já ganhou nome: nomofobia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inicialmente visto como um dispositivo capaz de aproximar as pessoas e criar uma comunicação mais eficiente, os aparelhos celulares hoje são usados para uma infinidade de coisas. Pedir comida, ouvir música, assistir vídeos, fazer fotos, participar de discussões e mais uma infinidade de usos. Ao lado desse uso constante, existe também uma grande demanda por captação de uso de dados dos usuários para fins publicitários. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As </span><i><span style="font-weight: 400;">big techs</span></i><span style="font-weight: 400;">, grandes empresas de tecnologia, investem cada vez mais em usar esses dados para aperfeiçoar seus aplicativos e tornar os aparelhos e aplicativos cada vez mais indispensáveis para as pessoas. O problema é que as estratégias utilizadas costumam ser prejudiciais à saúde dos usuários, agravando questões relacionadas à saúde mental e física. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conversei com o psicanalista Caio Garrido para saber mais sobre o tema. Garrido é psicanalista e escritor, idealizador da Ubuntu Psicanálise e mestre em Ciências da Saúde pela Unifesp com o tema dos sonhos noturnos (a partir da psicanálise). Tem seis livros publicados, entre romances, poemas, e crônicas, sendo os mais recentes &#8220;Paniricocrônicas: Crônicas dos Sonhos em Tempos de Pandemia&#8221;, projeto contemplado pelo programa ProAC, e o recém-lançado &#8220;A Nova Era Tecnológica: Redes Sociais, Inteligência Artificial e Realidade Virtual – Um olhar psicanalítico e social&#8221;</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><b>O que é nomofobia? </b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">A nomofobia é um termo usado para descrever a ansiedade e o medo que algumas pessoas sentem quando estão longe do celular, por exemplo. O termo é uma combinação de &#8220;no mobile phone phobia&#8221;, ou &#8220;fobia de não ter celular&#8221; em tradução livre. Ela pode ser enquadrada como um transtorno de ansiedade classificado como transtorno fóbico-ansioso no CID 10 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde) da psicologia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, apesar do termo e da possibilidade de ser encaixado no CID de transtornos de ansiedade, é importante ressaltar que não estamos falando exatamente de uma </span><i><span style="font-weight: 400;">fobia</span></i><span style="font-weight: 400;">. Consultei com o psicanalista Caio Garrido, que possui uma pesquisa voltada para estudar os impactos das tecnologias, para saber melhor sobre a questão. Segundo ele, o termo ainda não é usado na literatura psicanalítica, apesar de estar dentro dos transtornos de ansiedade e poder ser visto sob essa lente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8220;Ainda não se vê uma discussão mais séria em torno desse novo tema das nomofobias nos círculos psicanalíticos mais importantes.&#8221;, ele explica. &#8220;Há sim um contínuo estudo, pesquisa, artigos e livros sendo lançados, assim como conferências na Psicanálise acerca do assunto das novas tecnologias em geral, e o impacto delas em nossa subjetividade. Eu e um colega (Fábio Zuccolotto) acabamos de lançar em 2022 um livro sobre esse tema mais geral, incluindo aí as redes sociais, inteligência artificial e realidade virtual (“A Nova Era Tecnológica: Redes Sociais, Inteligência Artificial e Realidade Virtual – um olhar psicanalítico e social”). O fato é que, inegavelmente, estamos inundados por essas tecnologias em nosso cotidiano, em nossas atividades mais corriqueiras. E devido a isso, uma dependência tecnológica mais patológica pode advir.&#8221;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existindo formalmente ou não, é fato que o termo faz referência a uma condição bastante real e que afeta cada vez mais pessoas: a incapacidade de se distanciar de aparelhos eletrônicos e redes sociais. Mas, ao ser rapidamente denominada como uma </span><i><span style="font-weight: 400;">fobia, </span></i><span style="font-weight: 400;">acabamos reduzindo os impactos desse tipo de tecnologia a apenas essa condição, reduzindo a sua complexidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Garrido explica que a </span><i><span style="font-weight: 400;">fobia</span></i><span style="font-weight: 400;">, &#8220;como estrutura psíquica (que se diferencia da neurose obsessiva, da psicose, e outras) é algo que compromete a vida do sujeito, que parece ser o que acontece no que denominam de nomofobia&#8221;. Mas, quando falamos sobre aparelhos celulares especificamente, há mais que apenas um medo de estar afastado dele, mas um verdadeiro temor, que pode ser relacionado com outros processos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8220;Sob o guarda-chuva da nomofobia, parece que são colocados vários outros tipos de sintomas psíquicos, fobia esta que pode ser consequência de outros quadros psicopatológicos, ou esses quadros serem apenas facetas dessa identidade maior chamada nomofobia, tais como a ansiedade e fobia social, a compulsão, a agorafobia, as confusões identitárias, as inibições, entre tantos outros.&#8221;, explica Garrido. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso é, dentro da simplificação causada pelo nome &#8220;nomofobia&#8221;, estamos falando também de uma condição que interfere em uma série de outras alterações psíquicas. Falar apenas em medo de estar afastado do celular não questiona uma série de outros efeitos que o aparelho causa, além da dependência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por esse motivo é que o que vemos ser chamado de nomofobia não é só um problema do usuário que usa de modo excessivo o celular, mas também uma questão relacionada à responsabilidade das empresas que desenvolvem essas tecnologias. </span><b></b></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><b>Nomofobia ou vício: estamos falando de medo ou compulsão? </b></h2>
<p><a href="https://www.theguardian.com/lifeandstyle/2017/aug/28/does-phone-separation-anxiety-really-exist" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">Uma pesquisa dos Estados Unidos</span></a><span style="font-weight: 400;"> indicou aumento da pressão arterial e batimentos cardíacos em pessoas que ficaram muito tempo afastadas de seus smartphones. O FOMO, ou </span><i><span style="font-weight: 400;">Fear Of Missing Out </span></i><span style="font-weight: 400;">[medo de ficar de fora] é justamente o nome dado a essa ansiedade de perder algum acontecimento importante por estar afastado das redes. Uma notificação ou mensagem já podem ser gatilhos para ativar esse medo, criando uma necessidade imediata de checar o celular, por exemplo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Voltando para a psicanálise, como Caio Garrido explica, esse tipo de uso exagerado pode comprometer a nossa capacidade de criar memórias. &#8220;Sigmund Freud dizia que nós só somos capazes de “dar conta” de uma certa quantidade de estímulos. Se uma ação tem dois ou mais focos de atenção, não há possibilidade de criar memória.&#8221; </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os vícios são marcados pela produção de dopamina, um neurotransmissor relacionado à sensação de prazer e alegria. Falando especificamente sobre jogos de azar, Caio Garrido explica que esse sentimento positivo vem mais da tentativa e do risco de perder, do que do ganho em si. A expectativa gera uma descarga maior que o sucesso. Mas, ele ressalta: &#8220;a dopamina tem um certo estoque. Pode haver um déficit se há um excesso de gasto.&#8221;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já as fobias, são &#8220;expressões da conversão da angústia em terror&#8221;, ele explica. A nomofobia, por exemplo, se refere a um temor a uma situação que não é um risco, e o Garrido explica: &#8220;Para Lacan, o objeto da fobia mascararia uma angústia fundamental do sujeito. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal situação ou “objeto” fóbico guardaria algum tipo de relação oculta com algum “elemento significativo da história do sujeito” (Roudinesco, 1998, p. 244) que se reveste nesse sintoma fóbico. Há, portanto, por trás da situação temida algum elemento da história do sujeito que se liga a ela, de forma imprevista, caso em que se torna necessário distinguir clinicamente uma coisa da outra.&#8221;Isto é, o celular representa algo mais para a pessoa para então criar esse cenário de medo do afastamento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pensando então na questão do vício e da fobia, Garrido levanta o questionamento: seria uma fobia ou uma compulsão? Há um grau de dependência em relação ao aparelho, e &#8220;para compreender a relação disso com o vício, a dependência, podemos refletir e considerar que os sintomas descritos para a nomofobia se parecem muito com a abstinência experimentada pelo sujeito que está sem seu “objeto” de vício.&#8221; </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><b>Como diminuir a dependência digital? </b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">A dependência digital é uma preocupação crescente justamente pelos impactos negativos que a imersão constante no mundo virtual pode gerar na vida pessoal e profissional de uma pessoa. Para combater esse problema, é fundamental adotar estratégias práticas e buscar apoio terapêutico, como defendido pelo psicanalista Caio Garrido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A primeira medida para diminuir a dependência digital é reconhecer a ameaça que ela representa. Quando alguém percebe que seu comportamento está se tornando excessivamente dependente dessas tecnologias, chegando a interferir em seus relacionamentos pessoais e trabalho, é hora de considerar uma mudança. Nesse ponto, é válido buscar ajuda profissional, como a terapia psicanalítica ou outras formas de terapia, com potencial para tratar questões psíquicas associadas à dependência digital, como explica Garrido. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto levantado por Garrido é a necessidade de promover o bem-estar físico e mental por meio de exercícios físicos regulares. Pesquisas científicas têm demonstrado que atividades físicas ajudam a melhorar o humor, diminuir estados de depressão e ansiedade, mesmo sem o uso de antidepressivos. Incorporar exercícios na rotina diária pode ser uma maneira eficaz de reduzir a necessidade de recorrer à tecnologia como escape emocional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, é crucial fortalecer as relações sociais interpessoais presenciais. A interação face a face é fundamental para a saúde mental, uma vez que somos seres sociais que precisam do contato físico com outros indivíduos. Como explica Garrido, &#8220;o corpo precisa se encontrar com outros corpos, não somente via internet.&#8221;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A busca por atividades externas também é essencial para afastar o sujeito da alienação que a tecnologia pode causar. Engajar-se em atividades de lazer, esportes ou projetos criativos fora do ambiente virtual proporciona uma desconexão saudável do mundo digital e uma sensação de realização pessoal. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em resumo, adotar um estilo de vida mais equilibrado, focado em interações sociais reais e atividades externas, aliado a um tratamento terapêutico adequado, pode ajudar a alcançar uma relação mais saudável e consciente com a tecnologia, reduzindo os efeitos negativos da dependência digital em diversos aspectos da vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto importante é buscar educação digital para entender os riscos provocados não apenas pelo uso exagerado de smartphones e redes sociais, mas também do compartilhamento de dados. É evidente que não podemos deixar de cobrar a responsabilidade das empresas de tecnologia em relação ao uso das nossas informações, mas, para que isso seja feito de forma eficiente, precisamos estar cada vez mais conscientes sobre os nossos direitos e os limites que elas devem respeitar. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<h2><b>Responsabilidade das grandes empresas</b></h2>
<p><span style="font-weight: 400;">A nomofobia, termo que une &#8220;no mobile phone phobia&#8221;, descreve a ansiedade e o medo associados à separação do celular. Embora se enquadre como um transtorno fóbico-ansioso, há debates sobre se pode ser considerada uma fobia genuína. A nomofobia vai além do simples medo de estar longe do celular. Garrido aponta que ela pode mascarar uma série de sintomas psíquicos, incluindo ansiedade social, compulsão e inibições. Dentro dessa complexidade, as empresas de tecnologia desempenham um papel crucial, tornando-se corresponsáveis pelos efeitos negativos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A linha entre nomofobia e vício tecnológico é tênue. O temor de perder eventos importantes, o chamado FOMO, pode desencadear ansiedade intensa, impactando negativamente a saúde. Os vícios, marcados pela dopamina, também entram em jogo. A ansiedade convertida em terror, característica das fobias, cria um cenário complexo. No entanto, a redução do problema à fobia é limitante, ignorando os diversos efeitos psíquicos dos aparelhos eletrônicos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A diminuição da dependência digital é essencial para um bem-estar equilibrado. Garrido oferece </span><i><span style="font-weight: 400;">insights</span></i><span style="font-weight: 400;"> valiosos: reconhecer a ameaça, praticar exercícios físicos regulares e fortalecer as relações sociais presenciais. A busca por atividades externas também é crucial para afastar o indivíduo da alienação digital.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O conhecimento sobre os riscos da tecnologia é fundamental. Educação digital permite compreender não apenas os efeitos negativos da dependência, mas também os perigos do compartilhamento excessivo de dados. Ao nos conscientizarmos de nossos direitos e limites, podemos enfrentar os desafios impostos pela era tecnológica de maneira mais eficaz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, existe também a urgência de entendermos o papel das grandes empresas de tecnologia nessa questão. Essa ligação intensa com o prazer instantâneo altamente aditivo é habilmente explorado por elas. Nesse cenário, é importante entender que o desafio da &#8220;nomofobia&#8221; não está isolado em esferas individuais, mas é também uma responsabilidade coletiva. As estratégias de dependência não são acidentais; são cuidadosamente construídas pelas corporações em busca de lucro e engajamento. À medida que essas empresas otimizam seus produtos para capturar nossa atenção, muitas vezes negligenciam totalmente o bem-estar dos usuários.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A questão da &#8220;nomofobia&#8221; nos leva a uma reflexão crucial: a necessidade de uma abordagem mais abrangente. À medida que avançamos nesse mundo cada vez mais digital, é imperativo que as empresas de tecnologia assumam a responsabilidade pelo impacto de suas inovações na saúde mental e emocional das pessoas. Reconhecer essa complexidade é o primeiro passo para enfrentar efetivamente esses desafios. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<p><b>CAIO GARRIDO</b><span style="font-weight: 400;"> – Psicanalista e escritor. Idealizador da Ubuntu Psicanálise e mestre em Ciências da Saúde pela Unifesp com o tema dos sonhos noturnos (a partir da psicanálise). Tem seis livros publicados, entre romances, poemas, e crônicas, sendo os mais recentes &#8220;Paniricocrônicas: Crônicas dos Sonhos em Tempos de Pandemia&#8221;, projeto contemplado pelo programa ProAC, e o recém-lançado &#8220;A Nova Era Tecnológica: Redes Sociais, Inteligência Artificial e Realidade Virtual – Um olhar psicanalítico e social&#8221;</span></p>
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		<title>Artigo &#8211; Nomofobia existe mesmo? &#8211; Infor Channel</title>
		<link>https://mariaceciliagomes.com.br/midia-publicacao/artigo-nomofobia-existe-mesmo-infor-channel/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Cecília]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 Sep 2023 13:20:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Publicado em: https://inforchannel.com.br/2023/09/26/nomofobia-existe-mesmo/ Você seria capaz de passar uma semana inteira sem usar o celular? No modelo atual de interação de comunicação, isso poderia ser bastante difícil — seja por questões de trabalho ou manter contato com outras pessoas. Há algum tempo o aparelho vem deixando de ser um item opcional para se tornar uma [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Publicado em: <a href="https://inforchannel.com.br/2023/09/26/nomofobia-existe-mesmo/">https://inforchannel.com.br/2023/09/26/nomofobia-existe-mesmo/</a></p>
<p>Você seria capaz de passar uma semana inteira sem usar o celular? No modelo atual de interação de comunicação, isso poderia ser bastante difícil — seja por questões de trabalho ou manter contato com outras pessoas. Há algum tempo o aparelho vem deixando de ser um item opcional para se tornar uma necessidade. Esse uso quase obrigatório é impulsionado por aplicativos pensados para prender a atenção do usuário por horas.</p>
<p>Inicialmente visto como um dispositivo capaz de aproximar as pessoas e criar uma comunicação mais eficiente, os aparelhos celulares hoje são usados para uma infinidade de coisas. Pedir comida, ouvir música, assistir vídeos, fazer fotos, participar de discussões e mais uma infinidade de usos. Ao lado desse uso constante, existe também uma grande demanda por captação de uso de dados dos usuários para fins publicitários e geração de receita.</p>
<p>As big techs, grandes empresas de tecnologia, investem cada vez mais em usar esses Dados para aperfeiçoar seus aplicativos e tornar os aparelhos e aplicativos indispensáveis para as pessoas. O problema é que essas estratégias não costumam levar em conta o bem-estar dos usuários, mas apenas ganhos financeiros.</p>
<p>A nomofobia é um termo usado para descrever a ansiedade e o medo que algumas pessoas sentem quando estão longe do celular. O termo é uma combinação de<span> </span><em>“no mobile phone phobia”,</em><span> </span>ou “fobia de não ter celular”, em tradução livre. Ela pode ser enquadrada como um transtorno de ansiedade classificado como transtorno fóbico-ansioso no CID 10 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde) da psicologia.</p>
<p>Contudo, apesar do termo e da possibilidade de ser encaixado no CID de transtornos de ansiedade, é importante ressaltar que não estamos falando exatamente de uma fobia. Consultei com o psicanalista Caio Garrido, que estuda os impactos dessas tecnologias, para saber melhor sobre a questão.</p>
<p>Segundo ele, o termo ainda não é usado na literatura psicanalítica, apesar de estar dentro dos transtornos de ansiedade e poder ser visto sob essa lente.</p>
<p>“Ainda não se vê uma discussão mais séria em torno desse novo tema das nomofobias nos círculos psicanalíticos mais importantes.”, ele explica. “Há sim um contínuo estudo, pesquisa, artigos e livros sendo lançados, assim como conferências na Psicanálise acerca do assunto das novas tecnologias em geral, e o impacto delas em nossa subjetividade.”</p>
<p>Existindo formalmente ou não, é fato que o termo faz referência a uma condição bastante real e que afeta cada vez mais pessoas: a incapacidade de se distanciar de aparelhos eletrônicos e redes sociais. Mas, ao ser rapidamente denominada como uma fobia, acabamos reduzindo os impactos desse tipo de tecnologia a apenas essa condição, talvez até reduzindo a sua complexidade.</p>
<p>Garrido explica que a fobia, “como estrutura psíquica (que se diferencia da neurose obsessiva, da psicose, e outras) é algo que compromete a vida do sujeito, que parece ser o que acontece no que denominam de nomofobia”. Mas, quando falamos sobre aparelhos celulares especificamente, há mais que apenas um medo de estar afastado dele, mas um verdadeiro temor, que pode ser relacionado com outros processos.</p>
<p>“Sob o guarda-chuva da nomofobia, parece que são colocados vários outros tipos de sintomas psíquicos, fobia esta que pode ser consequência de outros quadros psicopatológicos, ou esses quadros serem apenas facetas dessa identidade maior chamada nomofobia, tais como a ansiedade e fobia social, a compulsão, a agorafobia, as confusões identitárias, as inibições, entre tantos outros.”, explica Garrido.</p>
<p>Isso é, dentro da simplificação causada pelo nome “nomofobia”, estamos falando também de uma condição que interfere em uma série de outras alterações psíquicas. Falar apenas em medo de estar afastado do celular não questiona outros efeitos que o aparelho causa, além da dependência. Podemos citar como exemplo uma pesquisa dos Estados Unidos que indicou aumento da pressão arterial e batimentos cardíacos em pessoas que ficaram muito tempo afastadas de seus smartphones.</p>
<p>O FOMO, ou<span> </span><em>Fear Of Missing Out [medo de ficar de fora]</em><span> </span>é justamente o nome dado a essa ansiedade de perder algum acontecimento importante por estar afastado das redes. Uma notificação ou mensagem já podem ser gatilhos para ativar esse medo, criando uma necessidade imediata de checar o celular, por exemplo. Como explica Caio Garrido, o vício, de forma geral, é marcado pela produção de dopamina, um neurotransmissor relacionado à sensação de prazer e alegria. Falando sobre jogos de azar, por exemplo, esse sentimento positivo vem mais da tentativa e do risco de perder, do que do ganho em si. A expectativa gera uma descarga maior que o sucesso. Mas, ele ressalta: “a dopamina tem um certo estoque. Pode haver um déficit se há um excesso de gasto.”</p>
<p>Os smartphones e as redes sociais são capazes de gerar grandes descargas de dopamina e, por isso, seu uso exagerado é comparado com a relação que temos com outros vícios. Essa descarga de prazer instantâneo tende a ser bastante aditiva e as grandes empresas de tecnologia exploram justamente essa possibilidade de dependência. Cada vez mais pesquisadores buscam entender a relação entre vídeos curtos como aqueles usados no TikTok e depois levados para o Instagram Reels e YouTube Shorts e a produção de dopamina. E, ainda, como essa produção exagerada leva a escassez e pode influenciar outras questões de saúde mental.</p>
<p>Por isso, para que seja possível entender de fato a extensão do problema, precisamos entender que as engrenagens por trás dessa dependência não são responsabilidade individual e nem acidentais, mas alicerçadas em estratégias de grandes empresas. Com cada vez mais investimentos em otimização desses produtos, o bem-estar de quem utiliza é completamente ignorado. A “nomofobia” não representa apenas um dilema individual, mas aponta para uma responsabilidade mais ampla das corporações por trás dessas tecnologias.</p>
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		<item>
		<title>Tempo no celular: os problemas do consumo de um conteúdo interminável</title>
		<link>https://mariaceciliagomes.com.br/tempo-no-celular-os-problemas-do-consumo-de-um-conteudo-interminavel/</link>
					<comments>https://mariaceciliagomes.com.br/tempo-no-celular-os-problemas-do-consumo-de-um-conteudo-interminavel/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Maria Cecília]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Jul 2023 13:09:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Redes sociais]]></category>
		<category><![CDATA[economia da atenção]]></category>
		<category><![CDATA[redes sociais]]></category>
		<category><![CDATA[tempo no celular]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em um mundo cada vez mais conectado, onde os avanços tecnológicos nos permitem acessar uma infinidade de informações e de entretenimento com apenas alguns toques na tela do celular, é inevitável questionar: em quê estamos perdendo tanto tempo todos os dias? Por que temos a percepção de que 24 horas não é mais suficiente? Estamos [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Em um mundo cada vez mais conectado, onde os avanços tecnológicos nos permitem acessar uma infinidade de informações e de entretenimento com apenas alguns toques na tela do celular, é inevitável questionar: em quê estamos perdendo tanto tempo todos os dias? Por que temos a percepção de que 24 horas não é mais suficiente? Estamos vivendo plenamente ou apenas consumindo conteúdos de forma automática e interminável?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um estudo realizado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), entre os anos de 2016 e 2021, revelou que os moradores das capitais brasileiras aumentaram o tempo gasto com dispositivos móveis, como celulares, computadores e tablets, de 1,7 para 2 horas por dia. O estudo feito pelo Programa de Pós-graduação em Saúde Pública da Faculdade de Medicina coordenada pelo professor Rafael Moreira Claro, resultou no artigo </span><i><span style="font-weight: 400;">Changes in Screen Time in Brazil: A Time-Series Analysis 2016-2021, </span></i><a href="https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/08901171231152147"><span style="font-weight: 400;">publicado no American Journal of Health Promotion</span></a><span style="font-weight: 400;">, no início desse ano. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse aumento, que é bastante significativo, nos leva a refletir sobre como os celulares têm mudado como nos comunicamos e interagimos, e também sobre os desafios que isso implica para o aproveitamento adequado do nosso tempo. Um grande problema é a tendência ao consumo automático de conteúdo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O acesso rápido e fácil às redes sociais, e-mails, notícias e jogos pode facilmente nos envolver em um ciclo vicioso de rolagem infinita. O que começa como uma tarefa rápida no celular, como verificar uma mensagem, pode facilmente se transformar em horas desperdiçadas, desviando nossa atenção de atividades mais importantes e significativas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo artigo da BBC, </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c6pln490eleo"><span style="font-weight: 400;">Como celulares mudaram nossos cérebros</span></a><span style="font-weight: 400;">, os impactos são tanto diretos quanto indiretos. Além das horas perdidas nesse rolar infinito, a mera existência dos celulares já se tornou um problema. Isso porque, em muitos momentos, nosso cérebro luta para inibir esse desejo de estar sempre no celular, gerando um cansaço que nem sequer nos damos conta. Esse excesso de informação e de tarefas que desempenhamos é bastante debatido por Byung-Chul Han em seu livro A Sociedade do Cansaço.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa sensação de estar sendo &#8220;sugado pela tela que rola sem parar&#8221;, como descreve o artigo da BBC, é uma realidade comum para muitos de nós. As notificações constantes, os vídeos sugeridos e os </span><i><span style="font-weight: 400;">feeds</span></i><span style="font-weight: 400;"> intermináveis contribuem para um ambiente digital que nos mantém presos e nos impede de controlar conscientemente o tempo que passamos consumindo conteúdo. O medo de não estar conectado começou a ser chamado inclusive de </span><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/saude/audio/2022-12/o-medo-de-ficar-desconectado-pelo-celular-tem-nome-nomofobia#:~:text=Voc%C3%AA%20sabe%20o%20que%20%C3%A9,t%C3%AAm%20de%20n%C3%A3o%20ficar%20conectados."><span style="font-weight: 400;">nomofobia</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O uso prolongado de celulares e dispositivos móveis tem sido objeto de preocupação quando se trata do desenvolvimento cognitivo e seus impactos na saúde mental. Conforme mencionado </span><a href="https://oglobo.globo.com/saude/medicina/noticia/2023/05/drenagem-cerebral-o-uso-exagerado-do-celular-suga-nossa-capacidade-cognitiva-diz-novo-estudo-entenda.ghtml"><span style="font-weight: 400;">no artigo do Globo</span></a><span style="font-weight: 400;">, especialistas ressaltam a importância da educação digital como uma ferramenta essencial para lidar com os riscos associados a esse uso excessivo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando estamos constantemente imersos em um fluxo interminável de informações, seja através de redes sociais, notícias ou outros conteúdos online, nosso cérebro enfrenta desafios significativos. A sobrecarga cognitiva decorrente do processamento contínuo dessas informações pode levar a um funcionamento cerebral comprometido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O artigo menciona ainda estudos que têm demonstrado que o uso excessivo de dispositivos móveis pode ter efeitos negativos no desenvolvimento cognitivo, especialmente em crianças e adolescentes. O cérebro em desenvolvimento é particularmente sensível a estímulos externos, e o consumo constante de conteúdo digital pode prejudicar habilidades como a atenção, a concentração e a capacidade de raciocínio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A dependência digital e o uso compulsivo de celulares têm sido associados a problemas de saúde mental, como ansiedade, depressão e isolamento social. A constante exposição a imagens idealizadas nas redes sociais também pode gerar sentimentos de inadequação e baixa autoestima.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"></span><span style="font-weight: 400;">No entanto, a culpa não deve recair apenas nos dispositivos móveis ou nas redes sociais em si. Eles são ferramentas poderosas, capazes de conectar pessoas, fornecer informações valiosas e oferecer entretenimento. O problema reside na forma como as utilizamos, sim, mas também nas estratégias usadas pelas grandes empresas para nos prender ali pelo maior tempo possível. Elas desempenham um papel central no desenvolvimento e na implementação de estratégias que buscam prender as pessoas a seus produtos, incentivando o uso contínuo e prolongado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essas empresas empregam táticas de </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> persuasivo, utilizando-se de técnicas psicológicas para maximizar a retenção dos usuários. Cada detalhe de uma rede social é construído para prender as pessoas. Dentro desse planejamento, estão inclusive os nossos sentimentos e a sensação de prazer que sentimos, devido a liberação de dopamina, por estar ali assistindo a horas e horas de vídeos intermináveis. Recursos como notificações constantes, mecanismos de recompensa, algoritmos de recomendação personalizada e a criação de interfaces altamente envolventes são projetados para manter as pessoas &#8220;presas&#8221; em suas plataformas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É crucial que esse desenvolvimento seja questionado e a transparência e a prestação de contas são elementos essenciais nesse processo. As práticas de </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> e os algoritmos utilizados devem ser abertos ao escrutínio público, permitindo que os usuários compreendam como são influenciados e tenham mais controle sobre seu uso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"></span><span style="font-weight: 400;">As empresas podem desempenhar um papel ativo no fornecimento de informações sobre os impactos do uso excessivo de dispositivos móveis e no desenvolvimento de programas de educação que ensinem habilidades de gerenciamento do tempo, uso consciente da tecnologia e alfabetização digital.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse mesmo contexto, é importante promover a conscientização e a educação digital. Esse conhecimento pode ser usado para informar políticas de design mais éticas, que priorizem a saúde e o bem-estar dos usuários, em vez de simplesmente buscar maximizar o tempo de uso.</span></p>
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